Márilia – Aula inaugural do Curso de Formação de Estética Negra será nesta terça

Enviado por / FonteDo Jus Brasil

A Secretaria Municipal da Juventude em parceria com o Gepene (Grupo de Estudo e Pesquisa – Negro e Educação) da UNESP (Universidade Estadual Paulista, realiza nesta terça-feira (4), às 14h, a aula inaugural do curso de Formação de Estética Negra, na Associação de Moradores da Nova Marília (Rua Nair Rosilio Gutierrez, 65 – ao lado da Igreja Santa Rita de Cássia).

O projeto propõe uma discussão ampla e contemplativa sobre os aspectos sócio-culturais das comunidades negras com ênfase na questão étnico-estética, afirmou a secretária da Juventude, Denise Lopes da Silva. “Nós pretendemos romper algumas problemáticas, tais como; processo de exclusão estético e social; promoção globalizada da estética européia; a concepção de inferioridade dos negros; a folclorização da estética negra e preconceitos, exploração física e psicológica”, acrescentou.

Segundo as alunas de pedagogia da UNESP e idealizadoras do projeto, Ivanilda Amado Cardoso e Lara da Silva Anjos, o Gepene é um grupo de estudos e de pesquisa instalado na Unesp, sob coordenação da professora Maria Valéria Barbosa, e que tem como objetivo estudar as relações raciais no Brasil e suas implicações na educação. “Portanto a gente discute a questão do racismo, do preconceito, da discriminação e dos aspectos culturais, políticos e econômicos que se refere à população negra e como estes aspectos tem interferência na educação, diretamente no processo de ensino e aprendizagem”, explica Ivanilda Amado Cardoso.

Fonte de renda

O curso deve criar uma fonte de renda para as participantes do projeto. “A parte mais pratica é a ideia de conscientizar as meninas que precisam se valorizar e que há diversas formas de pentear os cabelos afros, de se sentir bonita e discutir profundamente a discriminação relacionada à estética. O curso vem de uma experiência que a Nida (Ivanilda) desenvolveu em Salvador/BA, onde ela desenvolvia essas atividades dentro das escolas municipais e estaduais, depois se tornou um curso de formação para a juventude negra da cidade e agora vamos trazer essa experiência para Marília”, enfatiza Lara da Silva Anjos.

Segundo a secretária da Juventude, Denise Lopes, o balanço das inscrições e divulgação do curso foram extremamente positivos e até surpreenderam. “Nós abrimos as inscrições no dia 19 de setembro e esperávamos pelo menos preencher as 20 vagas. E no final isso mais que dobrou e hoje temos 54 mulheres inscritas, portanto decidimos abrir duas turmas para atender a demanda”, disse Denise.

É importante ressaltar que o objetivo do projeto, além de ensinar as técnicas de tranças afro, é despertar nas jovens um sentimento de pertencimento étnico/racial. E com isso fortalecer a identidade e auto-estima das jovens negras, criando possibilidades de profissionalização por meio da valorização da estética negra, além de estimular o interesse na juventude por questões ligadas à população negra e todos os seus valores para a formação do Brasil e da nossa cultura.

“O curso atrela a discussão com a prática porque além da conscientização da condição da mulher negra no Brasil, esse mercado da estética negra pode contribuir para que as meninas possam ter uma possibilidade de fonte de renda”, finaliza Denise Lopes

 

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