quarta-feira, dezembro 7, 2022
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Milton Nascimento faz 80 anos; relembre seus discos mais importantes

Desde 'Travessia', do seu primeiro álbum, cantor anunciava a poética que daria as bases de 'Angelus' e 'Caçador de Mim'

Uma discografia que se inicia com uma marca, “Travessia”. É esta a canção central do primeiro disco de Milton Nascimento, que chega aos 80 anos nesta quarta-feira (26). O álbum, batizado com o nome do cantor, foi lançado em 1967. Central a ponto de o disco depois ter sido relançado como “Travessia”, com as músicas reordenadas para que a faixa-título abrisse o disco.

Com a base elegante do Tamba 4, o álbum trazia o canto de Milton, e composições (“Morro Velho”, “Maria, Minha Fé”, “Outubro”) que se diferenciavam de tudo que havia no fértil cenário nacional. Vivia-se o ápice da era de festivais que revelou Chico Buarque, Caetano, Edu Lobo, Gil, Elis Regina, Nana Caymmi.

Tinha início ali a travessia original que Milton empreenderia. Travessia sintetizada aqui em 12 álbuns marcantes: “Milton Nascimento”, de 1967; “Courage”, de 1969; “Milton”, de 1970; “Clube da Esquina”, de 1972; “Milagre dos Peixes ao Vivo”, de 1974; “Minas”, de 1975; “Geraes”, de 1976; “Caçador de Mim”, de 1981; “Angelus”, de 1994; “Nascimento”, de 1997; “Tambores de Minas”, de 1998; e “Pietá”, de 2002.

A estreia foi tão impactante que Milton foi levado para Nova York para gravar “Courage”, de 1969. O disco dá início à relação do artista com o público internacional e músicos americanos. Artistas como Herbie Hancock tocaram no disco. Ao longo da carreira, essa relação foi reafirmada em obras como “Native Dancer”, com Wayne Shorter, “Journey to Dawn” e “Brazilian Romance”, com Sarah Vaughan.

Em 1970, “Milton” mostrava que o artista não se limitaria ao terreno de antes. O acompanhamento do Som Imaginário —Zé Rodrix, Tavito, Fredera, Luiz Alves e Robertinho Silva— abria frentes para a musicalidade de Milton, que tem no disco ainda a companhia de músicos como Wagner Tiso, Dori Caymmi e Naná Vasconcellos.

“Milton” abre o caminho para “Clube da Esquina”, de 1972, com um grupo que traça um caminho desafiador das rotas estabelecidas até ali —a da bossa nova, a da tropicália, a da Jovem Guarda ou a dos regionalismos. Assinado por Milton com Lô Borges, o álbum se apropriava das lições de Tom Jobim e dos Beatles para clássicos como “Cais” e “Nada Será como Antes”. O resultado, épico e interiorano, é reconhecido pela crítica como um momento sublime.

Canções de “Milagre dos Peixes”, censuradas, foram gravadas com vocalises no lugar das letras. Ainda assim, Milton seguiu ampliando sua poesia, como fica claro em “Milagre dos Peixes ao Vivo”. Sobre os arranjos de Paulo Moura, Wagner Tiso e Radamés Gnattali, se dá o encontro do Som Imaginário com a instrumentação orquestral.

“Minas” e “Geraes” registram a maturidade de Milton. Sua musicalidade surge em canções como “Paula e Bebeto”, “O Cio da Terra”, com Chico Buarque, e “Circo Marimbondo”, com Clementina de Jesus.

Com participações que vão do grupo Uakti ao Roupa Nova, “Caçador de Mim” é representativo do Milton da década de 1980. O experimentalismo de seu trabalho se conjuga ao apelo popular de canções como “Nos Bailes da Vida”.

Tido como um “Clube da Esquina 3”, “Angelus” reúne convidados como Pat Metheny, James Taylor e Peter Gabriel. Milton já se referiu a ele como o seu favorito. Ali, revisita canções já gravadas por ele –ou por outros, como “Hello, Goodbye”, dos Beatles.

Vencedor do Grammy, “Nascimento” marca a volta de Milton aos estúdios depois de um grave problema de saúde. Nele, explora ritmos tradicionais mineiros, acendendo uma faísca que explode na exuberância de “Tambores de Minas (Ao Vivo)”, que mostra o cantor enraizado em Minas.

No belo “Pietá”, o cantor assume o lugar de patriarca e oferece espaço a jovens como Marina Machado, Simone Guimarães e Maria Rita. Desde então, Milton segue iluminando o futuro a partir de revisitas ao passado, como na atual turnê. Concluída, a travessia segue.

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