Morre o ex-prefeito de SP Celso Pitta

Fonte: G1 –

O Hospital Sírio-Libanês informou na manhã deste sábado (21) que morreu o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, de 63 anos. Pitta vinha lutando contra um câncer. Em janeiro, ele havia sido submetido a uma cirurgia para retirada de um tumor no intestino.

 

De acordo com o hospital e com a assessoria do advogado dele, Remo Battaglia, mais informações serão fornecidas em uma entrevista coletiva às 10h.

 

Pitta foi eleito em 1996, com 62,2% dos votos, apoiado pelo ex-prefeito Paulo Maluf (PP), de quem havia sido secretário. Ele esteve à frente da prefeitura até 2000.

 

O mandato de Pitta foi marcado por suspeitas de corrupção, com denúncias surgindo em março de 2000, principalmente por parte de sua ex-esposa, Nicéia Camargo. As denúncias envolviam vereadores, subsecretários e secretários – entre as denúncias, está o escândalo dos precatórios.

 

Segundo a assessoria do advogado do ex-prefeito, Pitta vinha trabalhando como economista, prestando assessoria a empresas.

O ex-prefeito chegou a ser preso em julho do ano passado, durante a Operação Satiagraha, mesma ocasião em que também foram detidos o banqueiro Daniel Dantas e o investidor Naji Nahas.

Em novembro de 2008, ele teve a prisão decretada por falta de pagamento da pensão à ex-mulher. Em abril deste ano, ele obteve um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) permitindo que cumprisse prisão domiciliar.

 

 

Saiba mais sobre o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta

Ex-prefeito de São Paulo no período de 1997 a 2000, Celso Roberto Pitta do Nascimento, 63, teve seu nome envolvido em uma série de denúncias. A principal delas foi o esquema de corrupção batizado de “escândalo dos precatórios”.

 

Ele acabou afastado do cargo por 18 dias –sendo substituído por seu vice-prefeito Regis de Oliveira– e retomando em seguida. Concorreu a deputado federal e perdeu em duas ocasiões, mas manteve sua filiação ao PTB.

 

Em fevereiro do ano passado, Pitta sofreu duas condenações, uma cível e outra penal, por fraude e desvio de finalidade na emissão de títulos para pagar precatórios (dívidas judiciais) entre 1994 e 1996, quando era secretário de Finanças na gestão do então prefeito e hoje deputado federal Paulo Maluf (PP).

 

Segundo as investigações, a operação irregular teria provocado um prejuízo de R$ 600 milhões à prefeitura.

 

A gestão de Pitta na prefeitura foi marcada por acusações, algumas delas feitas por sua ex-mulher, Nicéa Pitta. As denúncias envolviam vereadores, subsecretários e secretários. O ex-prefeito concluiu seu mandato como réu em inúmeras ações civis públicas.

 

Satiagraha


Em julho do ano passado, Pitta foi preso pela Polícia Federal durante as investigações da Operação Satiagraha, que investiga crimes financeiros atribuídos ao banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. O ex-prefeito e os demais investigados presos foram soltos depois.

 

A investigação da PF resultou em uma denúncia do Ministério Público Federal, que acusado Pitta por corrupção passiva, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e organização criminosa. Todos os pedidos foram integralmente aceitos pela Justiça Federal.

 

Há suspeitas de que o ex-prefeito teria feito depósitos em contas bancárias nos Estados Unidos e na Suíça. O dinheiro teria sido desviado de obras públicas realizadas em São Paulo, entre elas a construção da avenida Águas Espraiadas –hoje avenida Jornalista Roberto Marinho– na zona sul da cidade.

 

As investigações indicam ainda que o envio do dinheiro teria ocorrido entre 1993 e 1996, quando Pitta era secretário das Finanças do então prefeito Paulo Maluf e nos quatro anos seguintes, quando foi eleito e assumiu a administração municipal.

 

Na ocasião da denúncia, o ex-secretário de Comunicação da gestão Pitta, Antenor Braido, afirmou que as acusações já haviam sido exploradas e voltavam em período eleitoral.

 

Ex-mulher


Pitta também teve vários desentendimentos públicos com a ex-primeira-dama e ex-mulher, Nicéa Camargo. Em abril deste ano, por exemplo, o ex-prefeito foi condenado à prisão pelo não pagamento de pensão alimentícia à ex-mulher. Na época, ele devia mais de R$ 155 mil reais à ex-mulher.

 

A prisão foi autorizada pelo juiz Francisco Antônio Bianco Neto, da 5ª Vara da Família de São Paulo. Já em tratamento contra o câncer, a Justiça autorizou Pitta a cumprir a pena em prisão domiciliar.

 

A mais recente decisão foi da Justiça de São Paulo, que no início do mês deu prazo de 15 dias para Nicéa indenizar Pitta (PTB) em R$ 7.265,04 por danos morais. A decisão foi da juíza Alessandra Laskowski, da 12ª Vara Cível de São Paulo, que intimou Nicéa a cumprir a decisão proferida por ela em maio do ano passado.

 

A decisão foi consequência de uma ação de indenização que Pitta entrou na Justiça para que Nicéa se retratasse das declarações que fez durante entrevista ao “Jornal Nacional”, da TV Globo, divulgada no dia 11 de janeiro de 2005.

 

Na ocasião, Nicéa disse que Pitta gastou mais de R$ 250 mil em um imóvel com dinheiro público. O ex-prefeito alegou na ação que a declaração da da ex-mulher ofendeu a sua imagem na sua carreira política.

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