Morte: Agregador, articulou cultura e educação no movimento negro

“Salve, salve”, dizia Luiz Inácio Silva Rocha ao encontrar uma das muitas pessoas que o procuravam, seja para bater um papo, seja para pedir algo. “Tamo junto”, dizia invariavelmente ao final da conversa.

A saudação virou sua marca, tantas foram as as atividades em que ele se envolveu para ajudar alguém.

Dizer que sua militância política veio do berço seria impreciso. Sua mãe, atuante na pastoral operária, ainda estava grávida dele, nos anos 1980, quando colegas a provocaram: “o bebê vai chamar Tancredo?” Não, decidiu ela ali: seria Luiz Inácio, como o líder sindical do ABC e fundador do Partido dos Trabalhadores que ela e seu marido admiravam.

Assim como seu xará que viria a se tornar presidente, o Lula filho de Maria da Penha chegou a ser filiado ao PT, mas depois mudou para o PSOL.

Viveu a vida toda na periferia de Cariacica, na Grande Vitória, onde fez amizades duradouras e iniciou sua militância.

“Ele politizou o boteco e a pelada”, lembra o irmão Winny Rocha.

Após participar de lutas estudantis, Lula aprofundou sua atuação no movimento negro. Articulou a Marcha Estadual Contra o Extermínio da Juventude Negra, que neste ano já estará na 14ª edição.

Voz do movimento na imprensa, colocou-se contra políticas de segurança estaduais que não apoiavam a juventude, lembra o irmão.

Preocupado em democratizar o acesso ao ensino superior, foi um dos criadores da rede de cursinhos populares AfirmAção.

Na área de cultura, com seus colegas do Círculo Palmarino, criou um sarau que, até a pandemia de Covid-19, chegava a reunir cem pessoas no centro de Vitória. Cada edição tinha como homenageado uma personalidade viva.

Não houve tempo de homenagear o próprio Lula. Em dezembro, ele descobriu um grave problema renal. Internado, continuou a luta por mudanças. Dessa vez, na comida do hospital —faltavam frutas, verduras e legumes no cardápio.

Morreu no último dia 11, aos 36 anos, após uma parada cardíaca. Deixa os pais e dois irmãos.

 

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