“Não quero ser julgado por interpretações”, diz Lula em Curitiba

Á uma mutidão que o esperou por mais de cinco horas, o ex-presidente disse acreditar que após “dois anos de massacre”, eles teriam alguma prova: “mas não tinham nada”

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Por Patricia Faermann Do GGN

“Eu não quero afrontar ninguém, eu sou um cidadão que respeita as leis, eu respeito a Constituição. A única coisa que eu peço em troca é que ele me respeite como eu respeito”, disse o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em pouco mais de dez minutos de discurso, na Praça Santos Andrade, em Curitiba.

Lula discursou a uma multidão que o esperava, após quase cinco horas de depoimento prestado ao juiz Sérgio Moro, na Justiça Federal de Curitiba. Sem citar detalhes de como foi o interrogatório, o ex-presidente disse que estava impressionado que após “dois anos de massacre”, acreditava que seus acusadores “iam mostrar uma escritura, um pagamento, alguma prova”. “Mas não tinham nada”, completou.

O ex-presidente indicou que o juiz da Vara Federal, Sergio Moro, teria demonstrado conclusões sobre o processo do triplex do Guarujá: “o tal do apartamento que ele diz que é meu”. E ironizou o teor das perguntas feitas pelos procuradores ou pelo magistrado de primeira instância, de que se ele, o ex-presidente, conhecia o Vaccari [João Vaccari Neto] e outros políticos do PT. “É lógico que eu conheço e não tenho vergonha das pessoas que eu conheço”, acrescentou.

“Eu não quero ser julgado por interpretações, eu quero ser julgado por provas. Alguém tem que provar”, disse Lula, em tom de inconformidade. Em seguida, explicou por que tentou, até o último momento, que a audiência com o juiz Sergio Moro fosse transmitida ao vivo. Lembrou que sua mãe dizia que se sabe que uma pessoa está falando a verdade, não pela boca, mas pelos olhos. “Por isso que eu queria que fosse transmitido ao vivo, para [vocês] verem nos olhos a pessoa que está perguntando e a pessoa que está respondendo.”

Já na conclusão do discurso, o ex-presidente frisou a sua inocência: “se tem um brasileiro, um ser humano, que está em busca da verdade, sou eu. E eu só tenho um compromisso: eu só posso dizer, em meu nome, em nome do meu partido, em nome dos movimentos sociais que estão aqui, os companheiros do PCdoB, dos sindicatos, em nome dos nossos irmãos, que se um dia eu tiver que mentir para vocês, eu prefiro que um ônibus me atropele em qualquer lugar desse pais, porque eu jamais poderia mentir para pessoas como vocês, que há muito tempo deposita, confia, acredita e segue do meu lado”, afirmou, já emocionado.

Novamente, Lula deu sinais de que estará pronto para concorrer à Presidência em 2018. “Eu quero dizer para vocês, eu estou vivo e estou me preparando para voltar a ser Presidente desse país, e eu nunca tive tanta vontade como tive agora, vontade de fazer mais, fazer melhor e provar mais uma vez que se a elite não tem condição de consertar este país, um metalúrgico de 4o ano primário tem”.

O ex-presidente falou a centenas de militantes, movimentos populares e lideranças políticas, que se reúniram desde a manhã desta quarta-feira (10) na cidade paranaense em gesto de apoio.

Acompanhe o discurso de Lula em Curitiba:

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