O Ativismo Gay de Zanele Muholi

Fotógrafos excelentes não faltam na África do Sul: David Goldblatt, Santu Mofokeng, ZwelethuMthetwa – todos renomados internacionalmente e com trabalhos que valem a pena uma ou várias espiadas. Mas entre todos, um nome se destaca. Zanele Muholi com sua obra ultrapassa as fronteiras da arte e abraça uma luta social: “Não sou fotógrafa, sou ativista visual”.

Do A Freaka

Ainda jovem começou a se dedicar a uma vida de proeminente ativismo no empoderamento de mulheres negras lésbicas no país, que apesar de conter uma das legislações mais gay-friendlys do mundo, tendo sido o quinto a legalizar o casamento homossexual, ainda está juntando esforços para levar as leis até a realidade da população, que reprime, sobre tudo, o lesbianismo entre as mulheres negras. Zanele está encabeçando o movimento.

Para ela, o ativismo visual é um lugar de resistência para as mulheres marginalizadas e pode ser utilizado socialmente, economicamente e culturalmente para a construção de um novo olhar, abrindo espaço para diálogos e desafiando o silencio da sociedade. “Eu trabalhei duro para criar imagens positivas e socialmente significativas de lésbicas negras. E assim temos feito um movimento significativo em direção à nossa visibilidade. Tem sido minha principal missão garantir que aqueles que vêm depois de nós terão outros olhos para enxergar”, explica Zanele.

Entre os seus trabalhos, Faces e Fases (fotos da ilustração) é um dos mais consagrados, são retratos de uma privilegiada e íntima perspectiva das lésbicas negras que a artista conheceu durante suas pesquisas enquanto ativista. Trata-se de um mapeamento que objetiva preservar uma comunidade ainda invisível para a posteridade. Nas palavras da premiada idealizadora: “Faces e Fases é sobre nossas histórias e as lutas que enfrentamos. Se Faces expressa a pessoa, Fases significa a transição de um estágio da sexualidade ou gênero de expressão e experiência para outro”. A artista, que já fotografou 250 retratos, pretende dar continuidade a série e alcançar o número 500 até 2013.

“Without a visual identity we have no community, no support network, no movement. Making ourselves visible is a continual process.” Joan E Brien (1983) – Citação dos escritos de Zanele

 

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