quarta-feira, julho 6, 2022
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Os ‘papas’ da inovação africana

Professor de Harvard elege os nove intelectuais mais importantes para o continente

A produção artística e científica da África – ainda desconhecida por parte da população mundial – foi destaque esta semana no site da National Geographic. O portal publicou uma lista elaborada pelo professor Henry Louis Gates Jr com nove dos principais inovadores intelectuais do continente. Gates Jr, que também é diretor do Instituto de Pesquisas W. E. B. Du Bois da Universidade de Harvard dos Estados Unidos, elegeu desde figuras importantes no processo histórico de luta por liberdade e igualdade a nomes contemporâneos que contribuem para descortinar o momento atual do continente.

O resgate da identidade ancestral e a modernidade das cidades nigerianas 

(Foto: Imagem retirada do site Nigeria Soul)

Akinwande Wole Soyinka – primeiro africano a conquistar o Prêmio Nobel de Literatura em 1986, o escritor nigeriano é também um dos dramaturgos mais notáveis do continente. Suas obras resgatam a tradição iorubá. Os mitos e as crenças que permearam a infância vivida em sua comunidade são traços marcantes em sua literatura. Soyinka também participou ativamente da política na Nigéria. Foi preso pelo governo federal por mediar os debates entre os partidos durante a guerra civil nigeriana de 1967. Soyinka, que hoje se aproxima dos 80 anos, também atuou como professor na Universidade de Ife, atualmente Universidade Obafemi Awolowo University, na Nigéria, e, posteriormente, em diversas universidades americanas. Leia mais sobre Akinwande Soyinka na página do Prêmio Nobel e noFacebook do escritor.

Foto: Flickr/Howard County Library System
Foto: Flickr/Howard County Library System

Chimamanda Adichie – a escritora apresentou ao mundo uma Nigéria bem diferente dos estereótipos: o país tem uma classe média e intelectual consolidada, além de importantes pólos econômicos. O livro ‘Americanah’, o mais recente, também foi aclamado pela crítica especializada e conquistou alguns prêmios importantes. Chimamanda dedica-se à literatura desde os 20 anos e hoje, aos 37, vê uma de suas obras transformar-se em filme. ‘Meio Sol Amarelo’, baseado no livro homônimo, deve estrear ainda este ano nos cinemas. Saiba mais sobre Chimamanda e confira o trailer do longa em ‘As muitas histórias de Chimamanda Adichie’ e na página pessoal da escritora no Facebook.

(Foto: Imagem retirada do site IT)

Babatunde Olatunji – o percussionista nigeriano é um dos responsáveis por introduzir a música tradicional africana no Ocidente. Em 1950, conquistou uma bolsa de estudos na Fundação Internacional Rotary, nos Estados Unidos, onde ingressou no cenário musical do jazz e, ao lado de Martin Luther King Jr, participou da ‘Marcha sobre Washington D.C’, que lutava contra o fim da segregação racial nos EUA. Olatunji compôs trilhas para peças da Broadway e para filmes de Hollywood. O músico também atuou como professor em algumas instituições americanas. Ele faleceu em 2003, aos 75 anos. Conheça mais sobre Babatunde Olatunji.

A luta anti-segregação e a África do Sul de hoje sob o olhar feminino

Nadine Gordimer é considerada uma das maiores escritoras de seu país (Foto: GUILLERMO ARIAS / AP)

Nadine Gordimer – a ativista política transbordou em mais de 30 livros os problemas relacionados ao regime de segregação racial sul-africano e os desafios que precisam ser enfrentados pelo governo democrático. Em 1991, Gordimer recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Uma de suas últimas causas foi o combate ao HIV/AIDS. Conheça mais sobre Nadine Gordimer no site do Consulado Britânico ou do governo sul-africano.

Miriam Makeba foi uma cantora sul-africana e grande ativista na luta pelos direitos humanos.(Foto: Imagem retirada do site Esquerda)

Miriam Makeba – conhecida como ‘Mama África’, a cantora sul-africana foi ativista pelos direitos humanos e na luta contra o apartheid na África do Sul. Ganhadora do Prêmio Grammy em 1966, Makeba expos ao mundo a situação da segregação racial em sua pátria. Como resposta teve seus documentos e sua nacionalidade cassada pelo regime, que impediu ainda a venda dos seus discos. Fora de sua nação, Makeba viveu na Europa, Estados Unidos e na Guiné. Após o fim do apartheid, regressou para a terra natal, onde foi recebida pelo então presidente Nelson Mandela. Sua última aparição foi em 2008 na Itália, quando morreu por causa de uma parada cardiorrespiratória, após o show. Conheça mais sobre Makeba.

Preservação histórica e ambiental no Quênia

Wangari Maathai. Foto: Martin Rowe/Oregon State University

Wangari Muta Maathai – professora e ativista política queniana na luta pela preservação do meio ambiente na década de 1970, Maathai foi a primeira mulher africana a receber o Prêmio Nobel da Paz, em 2004. Ela também foi responsável pela fundação do movimento do Cinturão Verde Pan-africano, iniciativa que plantou 30 milhões de árvores. Ela também ajudou as Nações Unidas no projeto que visava plantar um bilhão de árvores. Maathai faleceu em setembro de 2011, aos 71 anos. Conheça a instituição fundada por Maathai.

Mary e Louis Leakey (Foto: Imagem retirada do site Smithsonian Institution Archives)

Louis Leakey – Filho de pais britânicos, o paleontólogo e arqueologista queniano contribuiu de forma significativa para estabelecer o desenvolvimento evolucionário humano na África, a partir das descobertas que aconteceram no sítio arqueológico de Olduvai Gorge, na Tanzânia. Leakey também teve um papel importante na criação de organizações para pesquisas na África e para proteção da vida selvagem no continente, sendo considerado um dos grandes antropologistas promotor da educação científica no século XX. Ele morreu em 1972. Saiba mais sobre o trabalho de Leakey.

Por uma economia mais humana

(Foto: Imagem retirada do site Esquerda Diário)

Samir Amin – autor de mais de 30 livros sobre economia, Amin é um dos mais importantes economistas egípcios. Seus principais trabalhos abordam as políticas econômicas de desenvolvimento de países africanos e a relação entre nações desenvolvidas e subdesenvolvidas. Marxista declarado, Amin é diretor do Fórum do Terceiro Mundo, uma associação internacional que busca fortalecer os laços entre os países da África, Ásia e América Latina, com sede em Dakar. Saiba mais sobre o economista.

A crítica ao eurocentrismo e a dedicação à cultura africana 

(Foto: Imagem retirada do site Smith)

Kwame Anthony Appiah – o filósofo e escritor ganês nasceu em Londres. Appiah escreveu romances com influência cultural africana. Com Ph. D da Universidade de Cambridge, hoje Appiah leciona na Universidade de Nova York, nos EUA. O filósofo é um dos críticos das teorias contemporâneas do afrocentrismo por achar que se aproxima demais da visão eurocêntrica do mundo. Leia mais sobre Appiah em seu site pessoal e no Facebook.

Confira a publicação na National Geographic

Fonte: Brazilafrica

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