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Pesquisa aponta que pretos e pardos têm menor acesso a serviços bancários

Em fase final de produção, estudo deve servir para a formulação de políticas públicas na área

A pesquisa ‘Acesso do Empreendedor Afro-brasileiro ao Sistema de Crédito’ constatou que pretos e pardos têm menor acesso a contas bancárias e outros serviços financeiros. A iniciativa é realizada pelo professor-doutor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marcelo Paixão, com suporte do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Em fase conclusiva, o estudo deverá oferecer subsídios para a formulação de políticas públicas e está previsto para ser divulgado nos próximos meses.

A discriminação racial no acesso ao sistema financeiro e as consequências econômicas desse tipo de exclusão foram dimensões trazidas por Marcelo Paixão em sua fala no seminário “Empreendedorismo Negro: conhecimento do campo e identificação de parcerias”. O especialista foi palestrante da atividade realizada nesta semana pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir/PR).

O objetivo do evento foi apresentar um quadro da presença de pessoas negras no empreendedorismo, com vistas à disseminação de informações sobre esse campo na perspectiva da promoção da igualdade racial.

O estudo

Segundo Paixão, que coordena o Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser/UFRJ), a pesquisa adotou duas referências teóricas: a das ‘Preferências Diferenciais’, de Gary Becker, e da ‘Discriminação Estatística’, de Edmund Phelps. A primeira, baseada no princípio de que as práticas discriminatórias são produto de gostos de determinados agentes econômicos, que preferem se relacionar com pessoas que são assemelhadas em termos étnico-raciais. A segunda, fundamentada no princípio das informações assimétricas entre os agentes econômicos no mercado, ou seja, para o agente econômico discriminador, diante de quem não lhe é igual valeria o princípio da maior probabilidade de que a pessoa não teria qualidades necessárias para ser mais indicada em diferentes planos da vida econômica.

“Uma coisa é pensar empreendedorismo imaginando esse universo como algo homogêneo, que está colocado na sociedade e que dependeria fundamentalmente das habilidades e capacidades de cada um para empreender e colocar em prática suas ideias. A outra coisa é a constatação, por um lado, de que temos entre esses emprendedores/as uma presença significativa de negros, que fazem parte hoje, no Brasil, do setor da sociedade que menos, ao longo do tempo, tem se beneficiado do processo de desenvolvimento que o país tem experimentado”, afirmou a ministra da SEPPIR, Luiza Bairros.

Ela explicou o seminário, afirmando que o desafio permanente na Seppir é no sentido de pensar como o empreendedorismo pode contribuir para impulsionar uma inclusão mais efetiva da população negra nos processos de desenvolvimento no país. “Dizemos isso em função de uma constatação primeira de que o racismo atinge a todas as pessoas negras, não importando o lugar que elas ocupem na sociedade e, portanto, é legítimo pensar mecanismos que inibam ou obstaculizem a possibilidade de empreendedeores/as negros/as de desenvolverem plenamente o seu potencial numa sociedade como é a brasileira”, completou Bairros.

Parcerias

O seminário teve também a proposta de contribuir para a construção e o aprofundamento de parcerias em torno de ações de fomento ao empreendedorismo negro. Por isso mesmo, no evento estiveram representadas instituições como Caixa Econômica Federal, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – Sebrae, Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES.

Resgate

A Conselheira Sênior do BID, Judith Morrison, ressaltou a parceria da Instituição financeira com a Seppir e vários outros aliados, “como o professor Marcelo Paixão”, com foco no fortalecimento do empreendedorismo negro. “Esse estudo está sendo tratado pela área financeira do Banco, que divulgará as informações no Brasil e no mundo, contribuindo para o conhecimento de experiências de comunidades afrodescendentes nas Américas”, declarou a executiva, destacando possibilidades de novas parcerias para avançar no assunto. Ela disse ainda, que a pesquisa é importante porque resgata histórias que retratam a resistência e as estratégias de sobrevivência da população negra desde a época da escravidão, além de resgatar a literatura sobre o tema.

O gerente de Projetos da Seppir, Luiz Barcelos, apresentou as diretrizes para ações da Seppir no campo do empreendedorismo, considerando cinco eixos estratégicos:

  1. Conhecer – criar bases de dados sobre o para saber quem são os empreendedores negros, onde estão, o que fazem e como desenvolvem suas atividades;
  2. Valorizar – promover, valorizar e divulgar a cultura negra no empreendedorismo brasileiro e a cultura do empreendedor negro;
  3. Qualificar – dar assistência, capacitação e informação para a criação de novos negócios e consolidação dos já existentes;
  4. Expandir – dar oportunidade de crescimento aos negócios, também apoiar a comercialização e expansão nacional e internacional para produtos e serviços;
  5. Fortalecer – consolidação, criar uma agenda internacional, incentivar a formulação de políticas estaduais e municiais para o segmento.

 

Fonte: Portal Brasil

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