quarta-feira, outubro 5, 2022

É preciso gritar

“Preciso gritarrrr”! Foi com esta expressão vibrada da energia vital de algumas mulheres na cidade do Porto que muitas outras, centenas de outras, motivaram-se a sair de suas casas, trabalhos, faculdades ou escolas para juntarem-se em frente à Câmara do Porto, um dos principais monumentos de Portugal, para gritarem, juntas, um basta à cultura do estupro ou qualquer outra forma de violação dos direitos das mulheres. Um grito vibrado do outro lado do Atlântico pelas organizadoras do Festival Feminista do Porto.

Enviado por Ariane Meireles via Guest Post para o Portal Geledés 

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A exemplo dos inúmeros movimentos de mulheres no Brasil acontecidos no dia 01 de junho, Portugal mostrou toda a indignação com as muitas violências sofridas pela jovem negra adolescente do Rio de Janeiro com eventos nas cidades do Porto, Coimbra e Lisboa. Todas juntas, somadas a um expressivo número de homens que lutam pelo fim da violência contra as mulheres, expressaram seus gritos de basta de violência por meio de cartazes, cantos, mãos pintadas de vermelho, faixas, frases de encorajamento às mulheres e de alerta aos que pensam que a cultura do estupro e outras violências serão admitidas.

Dentre as muitas ações do movimento no Porto, um dos momentos mais marcantes foi a emocionante contagem até o número 33 seguido de um caloroso “Não”, referindo-se aos 33 homens que violaram a jovem carioca. Mulheres negras, lésbicas, bissexuais, transexuais e idosas foram destacadas no movimento, que lembra que a sororidade deve ser praticada para além dos espaços acadêmicos e salas de reuniões, e que as muitas mulheres não presentes possuem o direito de saber defender-se da cultura da violência. Foi firmado o compromisso, gritado a alto som, que todas devem buscar os melhores meios para contribuir com a conscientização das outras.

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As violências contra as mulheres em Portugal têm sido denunciadas a todo momento e cada vez mais as mulheres tomam consciência do que é violência de gênero e dizem basta. Jovens e adolescentes expressaram como sentem e reagem às violências pelas quais passam. E disseram basta. E gritaram juntas que “não é não”!

Brasileiras presentes na manifestação foram unânimes em afirmar que a cultura machista em Portugal, assim como no Brasil, insiste em oprimi-las mas também afirmaram que o exercício de resistir e lutar é diário e muito mais fortalecido quando juntam-se às mulheres portuguesas.

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Ver meninas-bebês participando da manifestação junto às tantas outras mulheres tão diversas afirma a expectativa de êxito na luta contra a cultura de violência contra as mulheres. Aprendem desde cedo, junto às mais velhas, que “é preciso gritarrrrrrrr”. Por todas elas.

 

Fotos: Ariane Meireles

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