Professor explica processo que culminou com a abolição no Brasil

Paulo Chaves contou reflexos da abolição tardia nos dias atuais.
Lei Áurea foi assinada no dia 13 de maio de 1888.

Todo o processo que levou à abolição da escravatura no Brasil e os reflexos do ato até os dias de hoje foram o tema da reportagem de história do Projeto Educação desta terça-feira (3). O professor Paulo Chaves explicou o longo processo que fez com que o Brasil fosse o último país das Américas a não ter mais escravos em sua organização social.

Na entrada da cidade de Olinda, uma praça possui três nomes: do Carmo; da Preguiça; e da Abolição, em celebração ao dia 13 de maio de 1888, quando a princesa Isabel assinou a Lei Áurea e tornou os escravos livres no Brasil. “Oficialmente, é a Praça da Abolição, porque, no dia 13 de maio, os escravos que habitavam essa região, onde muitos senhores de engenho moravam com suas famílias, vieram comemorar nesse local”, falou Paulo Chaves.

Entretanto, até chegar à data da abolição, os escravos percorreram um longo caminho, que começou no século XVI, com a colonização do Brasil. “Portugal, para viabilizar economicamente a exploração de nossas terras, passou a utilizar a mão de obra africana, por se tratar de uma mão de obra barata. Sem falar que o tráfico negreiro gerava grandes lucros para a metrópole. Desde a partida na África até a chegada ao Brasil, os negros eram submetidos a maus tratos constantes, inclusive porque eram transportados nos porões dos navios insalubres, chamados navios tumbeiros”, destacou o professor. Quando os escravos chegavam ao Brasil, as condições de vida pioravam ainda mais, pois eram submetidos a uma carga horária de trabalho que durava um dia inteiro, além de serem castigados constantemente.

No início do século XIX, o movimento pela libertação dos escravos ganhou apoio de vários segmentos da sociedade, e dois fatores fizeram da abolição um caminho sem volta. “O primeiro é externo, com as pressões exercidas pela Inglaterra, no sentido de acabar com a escravidão, através da extinção do tráfico negreiro. O segundo fator é interno, a partir de 1850. Com a Lei Eusébio Queiroz, o escravo se torna muito caro, levando muitos cafeicultores do oeste paulista a substituir essa mão de obra pela dos imigrantes”, destacou Paulo Chaves.

Já na segunda metade do século XIX, a pressão da Inglaterra aumentou, forçando Dom Pedro II a adotar algumas medidas, que, na prática, não melhoraram a condição dos negros. Por isso, elas ficaram conhecidas como “leis para inglês ver”. A primeira foi a Lei do Ventre Livre. “Apesar do seu primeiro artigo afirmar que, a partir da data, toda criança filha de escravos seria automaticamente liberta, até os oitos anos deveria permanecer sob proteção do seu senhor”, falou o professor. A segunda lei, a do Sexagenário, é de 1885 e afirmava que, a partir dos 65 anos, todo escravo do Brasil seria alforriado. Entretanto, em média, o escravo vivia 30 anos no Brasil.

O Brasil foi o último país das Américas a libertar os escravos. Tantos anos de um sistema cruel e desigual até hoje refletem na vida dos brasileiros. “Por ter sido um processo mal pensado e mal executado, a abolição trouxe uma consequência social muito grave, que ainda hoje é sofrida, é vivida pela população negra do nosso país”, concluiu Paulo Chaves.

Fonte: G1

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