Raça e gênero influenciam avaliação sobre a liderança

Líderes mulheres que atuam de forma dominante enfrentam reações diferentes do que homens que apresentam o mesmo tipo de comportamento. Segundo uma pesquisa das universidades americanas de Duke e Northwestern, porém, essas relações também são influenciadas pela raça. O estudo identificou que mulheres negras em posições de comando não despertam a mesma reação negativa que as brancas. Estas, por sua vez, costumam sofrer “punições” parecidas com as enfrentadas por homens negros.

Por Letícia Arcoverde

Organizada pelos professores Robert W. Livingston e Ella F. Washington, da escola de negócios Kellogg, da Universidade de Northwestern, e a professora Ashleigh S. Rosette, da escola Fuqua, da Universidade de Duke, a pesquisa investigou como gênero e raça afetam as reações produzidas por líderes com características consideradas fortes.

Segundo estudos anteriores nos quais os autores se basearam, mulheres em posição de comando sempre foram mais penalizadas por apresentarem comportamentos comuns de quem está no papel de líder. “Quando uma mulher age de forma dominante, assertiva ou agressiva, ela é avaliada negativamente, pois isso vai de encontro ao estereótipo que temos de como uma mulher deve agir”, explica a professora Ashleigh Rosette.

Até o momento, contudo, as pesquisas só haviam estudado mulheres brancas – as pessoas, de acordo com Ashleigh, sempre presumiram que mulheres negras ou de outras etnias seriam avaliadas da mesma forma, ou até mais severamente, em razão do estereótipo também enfrentado por líderes negros. O novo estudo observou como a raça modera essas relações, analisando a resposta que 84 participantes caucasianos tiveram quando confrontados com comportamentos idênticos de líderes de etnias e gêneros diferentes.

Os autores descobriram que mulheres negras tiveram o mesmo tipo de resposta positiva que chefes brancos quando apresentaram comportamento dominante. Já homens negros receberam repercussão negativa semelhante à de mulheres brancas. Nos dois últimos casos, a “culpa” pelo comportamento mais rígido era atribuída aos próprios profissionais. Na análise de comportamento de brancos e negras em cargos de chefia, contudo, houve o entendimento de que a situação os levava a agir de forma mais agressiva.

Para a professora, é preciso levar em conta que a mulher negra não tem o estereótipo da branca nem o de um homem negro. “Ela ocupa um espaço único e, assim, acaba adquirindo uma certa invisibilidade que a favorece em relação a esses outros grupos”. Isso não significa, porém, que elas não sofram com ideias pré-concebidas de como devem se comportar – a mais comum, na cultura americana, é a imagem de que mulheres negras são “bravas”, o que acaba sendo benéfico para as líderes.

Os autores destacam, porém, que o número de mulheres negras em posições de comando é ainda menor que o de brancas ou o de homens negros. Na lista das 500 maiores empresas americanas, a “Fortune 500”, há apenas uma CEO negra, a presidente da Xerox, Ursula Burns, que assumiu o cargo em 2009.

“Podemos dizer que as mulheres negras têm uma leve vantagem em relação ao comportamento dominante”, explica Ashleigh. “Mas isso não apaga todas as desvantagens que as representantes desse grupo enfrentam em razão de seu gênero e raça ao tentar alcançar essas posições”, complementa.

 

 

Fonte: View Fenacon

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