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Ribeirão Preto: Casa de prostituição que tinha adolescente é fechada

Fonte: Folha de São Paulo –

Local funcionava às margens de rodovia em Pirangi; proprietária do local é presa

Em operação, policiais civis flagram 15 mulheres que estariam se prostituindo no local; advogado de defesa da proprietária não comenta

 

 

Uma casa de prostituição que mantinha uma adolescente de 17 anos trabalhando foi fechada anteontem à noite em operação da Polícia Civil de Pirangi. A proprietária do local foi presa em flagrante por prostituição e favorecimento à prostituição infantil.

Adeílda Rocha, 53, dona da casa, que funcionava às margens da rodovia Comendador Pedro Monteleone, disse à polícia que não sabia que a adolescente estava lá. Também negou que o local funcionasse como casa de prostituição.

Já a adolescente disse em depoimento ao Conselho Tutelar e à polícia que tinha ido ao local só para assistir a um show sertanejo e negou ser prostituta -não havia, porém, nenhuma apresentação programada para o dia, de acordo com o delegado de Pirangi, Marcelo Rodrigues Salvador.

A menina, cujo pai foi assassinado e a mãe está presa, está sob custódia da tia -a polícia suspeita de que ela trabalhe no mesmo local. Após prestar depoimento, a jovem foi entregue à tia, que mora em Bebedouro.

No momento da operação policial, às 21h de anteontem, havia de 10 a 15 mulheres se prostituindo no local, de acordo com a polícia.
O delegado afirmou que nenhuma das mulheres quis confirmar que eram prostitutas -alegaram que eram garçonetes ou cozinheiras da casa.
“No início, algumas até disseram ser prostitutas, mas ao longo dos depoimentos o discurso foi mudando”, disse.

As investigações começaram há 90 dias, quando duas mulheres e um travesti procuraram a polícia para denunciar que o local era uma casa de prostituição e que viviam em condições análogas à escravidão. Afirmaram que viviam em cárcere privado, porque eram impedidas de sair, e que eram mal pagas.

A polícia, então, se infiltrou no local com microcâmeras e escutas, para registrar o movimento. “É necessário comprovar a habitualidade da ação para ser caracterizado o crime”, afirmou Salvador.

Um computador que registrava as imagens de 16 câmeras de vigilância foi apreendido -indícios de cárcere privado não foram encontrados, ainda segundo o delegado.

Ontem, a Folha foi ao local, mas nenhum funcionário quis conversar. Do lado de fora da casa era possível perceber que havia movimento no local.

Enquanto a reportagem esteve na casa, um carro com placas de Araraquara saiu com um homem e duas mulheres. Logo em seguida, outro homem, que também saía da casa, afirmou que não havia mais “nada lá dentro para ser visto”.

O advogado da dona da casa, Fábio Alexandre Summa, afirmou ontem que não iria se manifestar sobre o caso. Sua cliente foi encaminhada à cadeia feminina de Viradouro.

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