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Senadora chama atenção para surto de intolerância

O recrudescimento da violência, racismo, xenofobia e homofobia levou a senadora Marta Suplicy (PT-SP) a subir à tribuna do Senado e manifestar a sua indignação e preocupação. Marta chamou atenção para o crescimento da violência verbal e física e de natureza homofóbica contra a comunidade GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transexuais). Ela pediu respeito ao direito de divergir.

“Se hoje nós somos um País que tem uma certa tranquilidade, ela está assim ameaçada. E é bom que pensemos nisso, porque, na hora em que vemos na França o que está ocorrendo, nós temos que pensar que, aqui, nós não estamos tão distantes disso. Estão sendo trucidados, achincalhados e desrespeitados cidadãos que, muitas vezes, são visto como cidadãos de segunda categoria, que é toda a comunidade GLBT”, afirmou.

O aumento de manifestações de intolerância contra a comunidade LGBT não é a única preocupação da senadora. Ela lembrou da audiência pública realizada no Senado, quando parte da plateia convidada extrapolou os limites da educação ao manifestar-se contra a descriminalização do aborto. Na ocasião, a senadora Lídice da Matta (PSB-BA) e palestrantes foram hostilizadas por representantes de grupos religiosos.

Para ela, ter entendimento diferente é direito de todos os cidadãos. “Esta Casa é um parlatório, onde se expressam opiniões divergentes. E não uma Casa onde temos que ter pessoas gritando, xingando, porque simplesmente têm opinião divergente de quem está falando. A dignidade humana, o respeito a uma opinião diferente, isso é direito de todo cidadão, sem ser achincalhado”, disse a senadora ao apelar para o respeito à diversidade de opinião.

Em seu discurso, Marta Suplicy referiu-se em especial a episódios ocorridos nos últimos dias, na França, onde uma escola judaica e três militares de origem africana foram atacadas e sete pessoas foram mortas a tiros. Em plena campanha para a eleição presidencial, aquele país tem experimentado uma radicalização das posições, inclusive com restrições a imigrantes.

“É isso que eu temo que possa ocorrer no nosso Brasil”, alertou Marta, encerrando sua fala com a leitura de um poema de Eduardo Alves da Costa: “Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim, e não dizemos nada; na segunda noite já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada; até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta, e já não podemos dizer nada”.

Fonte: Vermelho

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