Solimar Carneiro, por Cidinha da Silva

As organizações políticas são representadas pelas lideranças, aquelas pessoas que desenham o rosto externo do coletivo, que elevam a voz e defendem propostas e propósitos na cena pública. É delas que se fala mais, a elas destinam-se o reconhecimento, os tributos, as celebrações.

Do lado de dentro há pessoas obreiras, operárias, que executam tarefas definidas pelas cabeças-líderes e, aliadas às lideranças internas,  proporcionam estrutura para que  a máquina funcione.

Solimar Carneiro, fundadora e ex-presidenta de Geledés, desempenhava o papel de organização e sustentação nos bastidores, fora dos holofotes. Não gostava de aparecer, de viajar; trabalhava, pensava, formulava, organizava, trabalhava mais, colocava as coisas e pessoas em movimento, sempre cuidadosa, carinhosa, atenta aos aspectos humanos que às vezes escapam à política.

Quem viu a organização nascer e acompanhou seu trabalho ao longo das duas primeiras décadas, sabe que o projeto Geledés – Instituto da Mulher Negra vingou e é vitorioso porque contou com a dedicação integral de Solimar Carneiro e o suporte incondicional desta a Sueli Carneiro. Exu e Ogum, irmãos inseparáveis, cumprindo a tarefa de dinamizar o mundo, forjar as ferramentas de plantio e arar a terra.

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