terça-feira, janeiro 19, 2021

Tag: racismo estrutural

Gilmar Bittencourt Santos Silva - Arquivo Pessoal

Quilombos podem ajudar a mudar o racismo estrutural?

No final deste ano após tantas perdas, inclusive entre as populações negras no Brasil (por Racismo, Bala ou Covid -19), a Câmara dos Deputados numa articulação, raspada a facão (Emicida), das esquerdas com o movimento negro, colocou em votação e fez aprovar naquela casa o projeto de decreto legislativo 817/2015 a Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância pretende ser instrumento de combate ao racismo estrutural. Ante as falas contra o texto e por conta do meu engajamento e pesquisa, logo imaginei que o texto poderia trazer algo que pudesse mudar as condições de vida no campo, em particular ao falar sobre reparações. Não é o caso. Bastam dois cliques no site da Câmara Federal. O citado projeto aprovado na casa baixa e seguindo ao Senado Federal nada trata de temas mais tensos, quero vê-lo aprovado, mas ele em nada agrega as disputas para a melhorar ...

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ilustrações Amanda Favali (@favali_)

Se os privilegiados estão cansados, imagine os negros

   Não venho armado de verdades decisivas.                                             − Frantz Fanon   No ano passado, a discussão racial ocupou grande parte dos meios de comunicação e provocou debates em diferentes espaços da sociedade. Ainda que esse movimento tenha acontecido, tardiamente, existem razões para que o tema continue repercutindo. O racismo estrutural ainda impõe obstáculos à sobrevivência dos negros, e não encontra políticas de Estado que o enfrente radicalmente; as consequências são devastadoras, produzindo um elenco de cidadanias mutiladas na vida da população negra (SANTOS, 1996/1997). Por exemplo: o preterimento nas seleções para as melhores oportunidades de emprego, exceto em atividades que ofertam baixa remuneração e maior exploração humana; estabelecimento de moradias em locais com alta vulnerabilidade social; principais vítimas de encarceramentos e assassinatos nas abordagens policiais. Milton Santos, doutor em ...

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Diego Reis, CEO do Banco Afro | Divulgação/Imagem retirada do site o Globo

Banco Afro atinge 30 mil clientes com salto após declaração de sócia do Nubank

O Banco Afro, fintech de impacto social voltada para o público negro, cresceu de mil para 30 mil o número de contas cadastradas em apenas quatro meses. O principal impulso veio da insatisfação de consumidores com declaração de sócia do Nubank. Em outubro, Cristina Junqueira, cofundadora da maior fintech brasileira, afirmou que tem dificuldades em contratar negros para posições de liderança por falta dos requisitos técnicos, acrescentando que o banco digital “não pode nivelar por baixo”. Cristina se desculpou pela declaração, que foi classificada de racista por movimentos sociais, mas o Nubank foi alvo de campanhas de boicote.  Com sede em Brasília, o Banco Afro surgiu em 2018 a partir do Grupo Afro Empreendedor, um coletivo de empresas, com o objetivo de ampliar a bancarização das classes C, D e E e fortalecer o chamado “black money”. A fintech oferece conta digital, crédito, microcrédito e meios de pagamento. A fintech, comandada ...

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crédito: Gomez/Correio Braziliense

Um grito de desabafo

Naquela manhã de dezembro, a aluna de 52 anos, negra, nordestina, esposa, mãe e trabalhadora braçal, estava em total euforia, radiante, alegre e feliz, pois faltava muito pouco para a realização de um grande sonho. Um sonho que muitas pessoas pobres e negras têm, mas que poucas ainda alcançam. Chegou o dia da apresentação do trabalho de conclusão do curso (TCC) de direito, a graduação que aquela mulher negra sonhou por toda a sua vida. Por ser órfã de pai e mãe desde os seis anos, não teve oportunidade de estudar quando jovem. Ela foi a décima de 11 irmãos, criada aos trancos e barrancos por uma tia, irmã de sua mãe. A tal tia tinha quatro filhos naturais e era desquitada do marido quando a irmã morreu e, por isso, resolveu ficar com as crianças, um total de oito sobrinhos mais quatro filhos. Eram 12 jovens e crianças para ...

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Coletivo de artistas pintam frase #Busque Racismo Estrutural, para estimular as pessoas a entender como o racismo está presente na sociedade e as formas de combatê-lo — Foto: Reprodução/TV Globo

Frase ‘#Busque Racismo Estrutural’ é pintada na Avenida Faria Lima no Dia Internacional dos Direitos Humanos

O movimento antirracista pintou a frase “#Busque Racismo Estrutural“ na Avenida Faria Lima, na Zona Sul de São Paulo, no Dia Internacional dos Direitos Humanos, comemorado neste 10 de dezembro. A inscrição foi feita pelo mesmo grupo que escreveu “Vidas Pretas Importam” na Avenida Paulista, no mês passado. Cerca de 60 artistas e produtores culturais se reuniram entre a noite de quinta-feira (9) e madrugada desta sexta (10) para pintar a rua. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) sinalizou o local, mas o motorista de ônibus avançou sobre parte da pintura e borrou o asfalto. A ideia do coletivo é ajudar a entender o que é racismo estrutural e fazer com que as pessoas busquem o tema na internet. A Avenida Faria Lima foi escolhida por ser sede de importantes empresas. Essa foi a quarta frase que o coletivo cultural independente pintou na cidade para dar visibilidade e combater ...

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E é também símbolo de uma mudança que está em curso a fim de que os brancos não sejam os únicos em posições de decisão, de acordo com a pesquisadora Cida Bento. Confira histórias de superação de pretos e pardos que fazem a diferença em suas áreas de atuação - (crédito: Reprodução/Correio Braziliense)

Negros bem-sucedidos incomodam racistas e são prova de mudança social

Uma vez que um racismo histórico, estrutural e estruturante permeia todos os espaços da sociedade brasileira, são de grande proporção os obstáculos que a população preta e parda enfrenta para chegar a posições de destaque. A superação desse nível de barreira acontece a partir de um elevado esforço. É preciso muito vigor para dar conta dos desafios existentes no mercado de trabalho em geral e, também, dos desafios impostos pelo racismo no Brasil, último país ocidental a abolir a escravidão. Mesmo quando integram a mesma classe social ou quando tiveram acesso à educação de mesmo nível, negros e brancos são confrontados com dificuldades diferentes. Não faltam pretos e pardos que conseguiram êxito nos mais diversos nichos e são exemplos de superação. A mudança está em curso para que cada vez haja mais casos assim. No entanto, essa alteração gera, muitas vezes, polêmica e falta de aceitação. Isso porque o negro ...

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Manifestantes carregam cartazes com os nomes de jovens mortos por ações policiais, durante o Ato Vidas Negras Importam, em Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

Violência racial: de cada 10 pessoas mortas pela polícia, oito são negras. Entidades cobram resposta do Estado

Ações para conter a violência racial e por parte da polícia e barrar a escalada de assassinatos de negros em todo o país foram cobradas com veemência em audiência pública realizada pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC/MPF) nesta quinta-feira (3). Representantes de organizações de defesa dos direitos humanos, do movimento negro e especialistas em segurança pública reivindicaram também medidas urgentes e efetivas do Ministério Público Federal no enfrentamento à violência de abordagens desnecessárias, violentas – especialmente de jovens – que geralmente terminam em assassinato e impunidade. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as mortes decorrentes de intervenções policiais têm aumentado. Em 2018, das 6.175 ocorrências, 75,4% eram pessoas negras. Em 2019, o número de ocorrências subiu para 6.357 e o percentual saltou para 79,1%. O número é mais de dez vezes maior que o de policiais mortos, evidenciando o uso excessivo de força policial. Além ...

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(Foto: LEO MOTTA /ARQUIVO FOLHA)

Cor da Pele

As pessoas tendem a elogiar os negros dizendo: Nossa, mas você é um negro lindo! Que negrinha mais linda! Que mulata bonita! Nunca ouvi ninguém falar: Que branco lindo! Que brancona mais bonita! Esse seu filhinho branco é mesmo muito fofinho. Sim, negro é um maravilhoso adjetivo e temos muito orgulho disso. Mas não há a mínima necessidade desse preconceito travestido de benevolência. Homens e mulheres são bonitos, inteligentes, cativantes e etc... Mas sempre tem aquele jeito de segregar não é? Seu negro lindo! Mulata linda! Parece que somos lembrados o tempo todo de que somos negros. Será que alguém pensa que os negros tem problema de memória?  “A gente não nasce negro, a gente se torna negro.” Lélia Gonzalez. Você precisa da sociedade te chamando de negro o tempo todo para se sentir negro? Você se percebe negro? Quando foi que você se percebeu negro pela primeira vez? Quando ...

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Divulgação

Anistia Internacional lança a campanha “Toda Friday é Black” para enfrentamento permanente do racismo estrutural e das violações dos direitos humanos no Brasil

- Campanha convida organizações e público em geral para reflexão e ação na luta antirracista, propondo que todas as sextas-feiras sejam dedicadas ao debate do tema A Anistia Internacional Brasil lança nesta sexta-feira, 27 de novembro – data de realização do evento varejista “Black Friday” no Brasil, a campanha “Toda Friday é Black”, para engajar pessoas comuns em ações de superação do racismo e seus desdobramentos e para garantir os direitos universais da população negra brasileira. É a maior iniciativa da organização na pauta antirracista até o momento, desde a campanha Jovem Negro Vivo, de 2014. Uma petição será aberta para pressionar as autoridades brasileiras a criarem o Comitê de Acompanhamento e Monitoramento das Diretrizes Nacionais sobre Empresas e Direitos Humanos, que está na legislação desde 2018, mas nunca foi colocado em prática. Se este Comitê estivesse atuante, muita coisa poderia ter sido diferente e muita tragédia poderia ter sido ...

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O racismo sofrido pela população negra contribui para a objetificação e o aumento da vulnerabilidade dos corpos de meninas negras até os dias de hoje Foto: Arte de Ana Luiza Costa

Infância: precisamos falar sobre a objetificação dos corpos de meninas negras

De acordo com a plataforma “Violência contra a mulher em dados”, entre 2011 e 2017, mais de 45% dos casos de abusos sexual registrados no Brasil foram de meninas negras de 0 até 9 anos. No mesmo período, quando analisamos os números referentes às meninas brancas, este percentual cai mais de 7%. O racismo estrutural e a vulnerabilidade social e econômica ajudam a explicar esses dados, mas é preciso discutir também a hipersexualização dos corpos de mulheres negras, inclusive na infância. Deise Benedito, especialista em Relações Étnico-raciais e mestre em Direito e Criminologia pela Universidade de Brasília (UnB), afirma que o racismo sofrido pela população negra contribui para a objetificação e o aumento da vulnerabilidade desses corpos até os dias de hoje. — Esse processo é influenciado pelo racismo, a discriminação e pela permanente "coisificação" de meninas negras consideradas como mais fáceis, maliciosas e transgressoras, além de serem expostas de ...

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Foto de discussão na Câmara dos Deputados, em que se vê maioria de homens brancos, e poucas mulheres ou negros (Imagem: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

Em eleição de maioria negra, partidos investem mais nos homens brancos

A 25 dias do primeiro turno das eleições, cerca de 450 milhões de reais já foram repassados a candidatas e candidatos de todo o Brasil. O valor refere-se à soma do Fundo Especial de Financiamento de Campanhas (FEFC) e do Fundo Partidário. Desse montante, 62,9% foram destinados para brancos, sendo que apenas 47,9% do total de candidatos declararam-se brancos. Em 2020, pela primeira vez nas eleições brasileiras, o número de candidatos autodeclarados negros é maior que o de brancos, correspondendo a 49,9% do total. Porém, a soma dos recursos repassados aos candidatos pretos e pardos é 35,7%, ainda distante de ser proporcional. Mesmo que neste ano tenhamos decisão inédita do Supremo Tribunal Federal (STF) que pede correspondência exata entre a proporção de candidatos por raça e a distribuição dos recursos, até o momento isso não se confirmou. Cabe, no entanto, observar que resta pouco mais de 20 dias para os ...

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Reprodução Roda Viva/TV Cultura Fonte: undefined - iG @ https://economia.ig.com.br/2020-10-19/nubank-roda-viva.html

Fundadora do Nubank diz que é difícil contratar negros e que empresa não pode “nivelar por baixo”

Em entrevista ao programa Roda Viva, na segunda-feira (19), a cofundadora do Nubank, Cristina Junqueira, afirmou que tem dificuldade de encontrar candidatos negros adequados para as exigências das vagas na empresa. Ela disse ainda que investe em programas de formação gratuitos, mas que não pode “nivelar por baixo”. Na entrevista, Junqueira admite que o Nubank possui um problema de representatividade racial, mas afirma que sua equipe trabalha para contornar a situação. “Já faz algum tempo que a gente procura para várias posições, inclusive uma vice-presidente de marketing para trabalhar comigo. Estou há bastante tempo procurando e é difícil. Recrutar Nubank sempre foi difícil”, afirma. A jornalista Angelica Mari, da Forbes Brasil, então questiona se esse “alto grau de exigência” não pode ser uma barreira para minorias. A executiva então responde: “Não dá para também nivelarmos por baixo. Por isso que queremos fazer investimento em formação. Criamos um programa gratuito, que ...

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Manifestação contra o racismo na porta do Fórum de Niterói, no Centro. Foto: Gabriel de Paiva 28-09-2020 / Agência O Globo

Luta contra o racismo avança devagar na América Latina

Uma mexicana que, mesmo com certidão de nascimento e título de eleitora, não conseguia renovar o passaporte porque, por ser negra, teve a nacionalidade contestada. A porto-riquenha que, ao conhecer a futura sogra, branca, foi chamada de “negra suja”. A argentina apontada como a “negra da cidade”, ou o brasileiro negro que é sempre revistado pela polícia. Todos latino-americanos atingidos pelo preconceito. Neste 12 de outubro, em que os países da América Espanhola já celebraram a chegada de Colombo e hoje comemoram o Dia da Raça, o Grupo de Diários América (GDA) — aliança de 11 jornais da América Latina da qual O GLOBO faz parte — mostra como o combate ao racismo caminha de forma diversa no subcontinente. Enquanto na Costa Rica o racismo ainda é, legalmente, apenas uma contravenção, países como Uruguai, Venezuela e México debatem o reconhecimento da discriminação e o Chile, o aumento da inclusão. No ...

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Em Brasília, Grito dos Excluídos faz ato contra preconceito, por trabalho e moradia Imagem: Akemi Nitahara/Agência Brasil

Racismo estrutural interfere no crescimento econômico de um país?

O escritório de patentes e marcas registradas dos Estados Unidos responde a esta pergunta com um enfático sim. A ênfase vai até ao ponto de propor um conjunto de disposições legislativas para corrigir a sub-representação das minorias (e também das mulheres) nas invenções e nos registros de patentes. Mas, por que razão é do Ministério do Comércio da maior potência do mundo que vem um projeto de lei para acabar com a discriminação de raça e gênero no registro de patentes? A luta contra o racismo é, hoje, sobretudo nos países de tradição escravista e mais ainda depois do assassinato de George Floyd, nos EUA, o epicentro da conquista da cidadania e dos direitos humanos. Por que então trazê-la igualmente para a estratégia do próprio crescimento econômico? O raciocínio é simples: no mundo contemporâneo, é das inovações científica e tecnológica que depende o crescimento econômico. Por mais importante que seja o papel das ...

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Wikimedia Commons

Racismo humilha e mata

Joilson de Jesus era um menino franzino, aparentava bem menos do que seus 15 anos, e morava numa favela na periferia paulistana com a mãe e três irmãos menores. As faxinas da mãe rendiam menos que um salário mínimo e cabia a seu primogênito ajudar, vendendo santinhos em torno da Sé. Num péssimo dia de dezembro de 1983, ainda sem ter conseguido um tostão, o garoto é envolvido em uma correria e, por um desses "erros" fatais, é perseguido como autor do furto de uma correntinha. Joilson não foi um "erro" – tinha a pele escura, "só podia ser o ladrão". Um senhor branco de terno o derruba e passa a pular em cima de suas costas raquíticas até matá-lo. A autópsia revela insuficiência respiratória aguda, luxação traumática da coluna vertical por "provável" compressão do pescoço. Revela, também, que Joílson estava sem comer há três dias. E a tal correntinha, ...

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Imagem: Getty Images

Ausência de negros entre economistas afeta formulação de políticas públicas

“Referências de economistas negros/negras no Brasil?”, perguntou no Twitter o advogado Thiago Amparo. Com mais de 46 mil seguidores, o professor da FGV Direito e colunista da Folha recebeu apenas 14 respostas. O episódio é sintomático de uma realidade das ciências econômicas brasileiras: a baixa presença de pessoas negras numa área que ocupa a linha de frente na elaboração de políticas públicas no país. A fim de chamar atenção para a questão, foi criada em junho a REPP (Rede de Economistas Pretas e Pretos), que pretende ampliar o espaço desses especialistas no debate público de questões econômicas. O grupo reúne atualmente cerca de 30 economistas e estudantes de economia negros. Trata-se de uma rede de apoio mútuo e também de discussão para intervenção no debate público O problema da falta de representatividade de negros na economia, enquanto área do conhecimento, começa nos cursos de graduação. Levantamento feito pela Folha a ...

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Homem negro preso por "resistência" no início do século 20. Do livro "Prisioneiros", de Arne Svenson

Onda negra, medo branco: a Justiça brasileira ainda usa a eugenia para condenar pretos

O caso de racismo originado na sentença da juíza Inês Marchalek Zarpelon, da 1ª vara criminal da Comarca da Região metropolitana de Curitiba, que condenou Natan Vieira da Paz, homem negro de 48 anos, a 14 anos e 2 meses de prisão, é um caso clássico de ação formulada a partir do imaginário constituído sobre determinado sujeito ou comunidade por códigos raciais que sequestram a humanidade e cidadania alheia, única e exclusivamente por não pertencer à raça sociológica da elite dominante. No caso brasileiro, a raça branca. Ao registrar a sentença em longo arquivo com mais de uma centena de páginas, a excelentíssima registrou e reafirmou o seguinte: “Sobre sua conduta social nada se sabe. Seguramente integrante do grupo criminoso, EM RAZÃO DA SUA RAÇA, agia de forma extremamente discreta os delitos e o seu comportamento, juntamente com os demais, causavam o desassossego e a desesperança da população, pelo que ...

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Jamiel Law/NyTimes

Para além da cor da pele: O racismo estrutural e a violência policial

Em setembro de 2019, Agatha Félix, uma menina de oito anos de idade, voltava para casa com a mãe quando foi baleada. O tiro que matou Agatha foi disparado por policiais que desconfiaram que dois ocupantes de uma moto que passava eram criminosos. O incidente aconteceu no Complexo de Favelas do Alemão, na cidade do Rio de Janeiro, onde Agatha morava. Em maio de 2020, em plena pandemia, um adolescente de 14 anos foi baleado dentro de casa, na região metropolitana do Rio de Janeiro, pela polícia. Foram disparados 72 tiros dentro da residência. Nesses casos, a alegação invariavelmente é a guerra às drogas. No Rio de Janeiro, em 2019, seis casos de crianças mortas pela polícia, no trajeto de ida ou dentro de escolas, dentro ou em frente a suas casas tornaram-se manchete nacional e deixaram a todos comovidos. Os casos acima não são incomuns. Mas o que perpetua ...

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Cantora Laís Raquel, 22 anos, sofreu o preconceito por meio de conversa em rede social (Reprodução/Instagram @laisraquelon)

Racismo: noiva pede que cantora alise cabelo para “ficar melhor nas fotos”

Uma cantora de Brasília viveu um episódio de racismo ao ser contatada por uma possível cliente. Por meio do Instagram, uma mulher disse que estava organizando a festa de casamento e tinha se interessado pelo trabalho de Lais Raquel. No entanto, estabeleceu uma condição para que o contrato fosse fechado: a cantora teria que alisar o cabelo. Lais Raquel tem 22 anos e canta desde os 7 anos. Atualmente, trabalha em uma escola com musicalização infantil e também canta em eventos, como casamentos, há três anos. A possível contratante pediu uma foto de Laís em algum casamento e, ao receber a imagem, perguntou: “Você costuma cantar com o cabelo assim mesmo?” Prontamente a cantora respondeu que sim. Foi quando recebeu a proposta: “Se você for cantar no meu casamento, poderia alisar o cabelo? Eu amei sua voz e queria muito que cantasse, mas só esse detalhe para ficar melhor nas ...

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Foto: Gabriel Inácio do Santos

O uso da palavra ‘genocídio’ no combate ao racismo estrutural

Este texto foi escrito a quatro mãos. Duas negras, duas brancas. Escolha que se deu para que possamos praticar um dos nossos principais argumentos: de que o racismo, assim como a luta antirracista, não deve mobilizar apenas negros e negras, mas também brancos e brancas. Representatividade é fundamental, mas não é o suficiente. Se entendemos o racismo como um fenômeno estrutural, nos parece coerente remexer a própria estrutura na hora de escrever e pensar sobre ele. Então, vamos aos fatos. O fato de que pessoas negras são vítimas de um genocídio constante não deveria nem ser discutido. O debate, aliás, só revela a resistência que uma sociedade moldada pela discriminação contra corpos de negros tem de se assumir racista. Como não chamar de genocídio uma sucessão de violências que sempre estouram no seio de famílias pretas? Não há refresco. Nem em tempos de pandemia e de uma suposta onda de ...

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