quinta-feira, outubro 22, 2020

    Tag: racismo estrutural

    Foto de discussão na Câmara dos Deputados, em que se vê maioria de homens brancos, e poucas mulheres ou negros (Imagem: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

    Em eleição de maioria negra, partidos investem mais nos homens brancos

    A 25 dias do primeiro turno das eleições, cerca de 450 milhões de reais já foram repassados a candidatas e candidatos de todo o Brasil. O valor refere-se à soma do Fundo Especial de Financiamento de Campanhas (FEFC) e do Fundo Partidário. Desse montante, 62,9% foram destinados para brancos, sendo que apenas 47,9% do total de candidatos declararam-se brancos. Em 2020, pela primeira vez nas eleições brasileiras, o número de candidatos autodeclarados negros é maior que o de brancos, correspondendo a 49,9% do total. Porém, a soma dos recursos repassados aos candidatos pretos e pardos é 35,7%, ainda distante de ser proporcional. Mesmo que neste ano tenhamos decisão inédita do Supremo Tribunal Federal (STF) que pede correspondência exata entre a proporção de candidatos por raça e a distribuição dos recursos, até o momento isso não se confirmou. Cabe, no entanto, observar que resta pouco mais de 20 dias para os ...

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    Reprodução Roda Viva/TV Cultura Fonte: undefined - iG @ https://economia.ig.com.br/2020-10-19/nubank-roda-viva.html

    Fundadora do Nubank diz que é difícil contratar negros e que empresa não pode “nivelar por baixo”

    Em entrevista ao programa Roda Viva, na segunda-feira (19), a cofundadora do Nubank, Cristina Junqueira, afirmou que tem dificuldade de encontrar candidatos negros adequados para as exigências das vagas na empresa. Ela disse ainda que investe em programas de formação gratuitos, mas que não pode “nivelar por baixo”. Na entrevista, Junqueira admite que o Nubank possui um problema de representatividade racial, mas afirma que sua equipe trabalha para contornar a situação. “Já faz algum tempo que a gente procura para várias posições, inclusive uma vice-presidente de marketing para trabalhar comigo. Estou há bastante tempo procurando e é difícil. Recrutar Nubank sempre foi difícil”, afirma. A jornalista Angelica Mari, da Forbes Brasil, então questiona se esse “alto grau de exigência” não pode ser uma barreira para minorias. A executiva então responde: “Não dá para também nivelarmos por baixo. Por isso que queremos fazer investimento em formação. Criamos um programa gratuito, que ...

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    Manifestação contra o racismo na porta do Fórum de Niterói, no Centro. Foto: Gabriel de Paiva 28-09-2020 / Agência O Globo

    Luta contra o racismo avança devagar na América Latina

    Uma mexicana que, mesmo com certidão de nascimento e título de eleitora, não conseguia renovar o passaporte porque, por ser negra, teve a nacionalidade contestada. A porto-riquenha que, ao conhecer a futura sogra, branca, foi chamada de “negra suja”. A argentina apontada como a “negra da cidade”, ou o brasileiro negro que é sempre revistado pela polícia. Todos latino-americanos atingidos pelo preconceito. Neste 12 de outubro, em que os países da América Espanhola já celebraram a chegada de Colombo e hoje comemoram o Dia da Raça, o Grupo de Diários América (GDA) — aliança de 11 jornais da América Latina da qual O GLOBO faz parte — mostra como o combate ao racismo caminha de forma diversa no subcontinente. Enquanto na Costa Rica o racismo ainda é, legalmente, apenas uma contravenção, países como Uruguai, Venezuela e México debatem o reconhecimento da discriminação e o Chile, o aumento da inclusão. No ...

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    Em Brasília, Grito dos Excluídos faz ato contra preconceito, por trabalho e moradia Imagem: Akemi Nitahara/Agência Brasil

    Racismo estrutural interfere no crescimento econômico de um país?

    O escritório de patentes e marcas registradas dos Estados Unidos responde a esta pergunta com um enfático sim. A ênfase vai até ao ponto de propor um conjunto de disposições legislativas para corrigir a sub-representação das minorias (e também das mulheres) nas invenções e nos registros de patentes. Mas, por que razão é do Ministério do Comércio da maior potência do mundo que vem um projeto de lei para acabar com a discriminação de raça e gênero no registro de patentes? A luta contra o racismo é, hoje, sobretudo nos países de tradição escravista e mais ainda depois do assassinato de George Floyd, nos EUA, o epicentro da conquista da cidadania e dos direitos humanos. Por que então trazê-la igualmente para a estratégia do próprio crescimento econômico? O raciocínio é simples: no mundo contemporâneo, é das inovações científica e tecnológica que depende o crescimento econômico. Por mais importante que seja o papel das ...

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    Wikimedia Commons

    Racismo humilha e mata

    Joilson de Jesus era um menino franzino, aparentava bem menos do que seus 15 anos, e morava numa favela na periferia paulistana com a mãe e três irmãos menores. As faxinas da mãe rendiam menos que um salário mínimo e cabia a seu primogênito ajudar, vendendo santinhos em torno da Sé. Num péssimo dia de dezembro de 1983, ainda sem ter conseguido um tostão, o garoto é envolvido em uma correria e, por um desses "erros" fatais, é perseguido como autor do furto de uma correntinha. Joilson não foi um "erro" – tinha a pele escura, "só podia ser o ladrão". Um senhor branco de terno o derruba e passa a pular em cima de suas costas raquíticas até matá-lo. A autópsia revela insuficiência respiratória aguda, luxação traumática da coluna vertical por "provável" compressão do pescoço. Revela, também, que Joílson estava sem comer há três dias. E a tal correntinha, ...

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    Imagem: Getty Images

    Ausência de negros entre economistas afeta formulação de políticas públicas

    “Referências de economistas negros/negras no Brasil?”, perguntou no Twitter o advogado Thiago Amparo. Com mais de 46 mil seguidores, o professor da FGV Direito e colunista da Folha recebeu apenas 14 respostas. O episódio é sintomático de uma realidade das ciências econômicas brasileiras: a baixa presença de pessoas negras numa área que ocupa a linha de frente na elaboração de políticas públicas no país. A fim de chamar atenção para a questão, foi criada em junho a REPP (Rede de Economistas Pretas e Pretos), que pretende ampliar o espaço desses especialistas no debate público de questões econômicas. O grupo reúne atualmente cerca de 30 economistas e estudantes de economia negros. Trata-se de uma rede de apoio mútuo e também de discussão para intervenção no debate público O problema da falta de representatividade de negros na economia, enquanto área do conhecimento, começa nos cursos de graduação. Levantamento feito pela Folha a ...

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    Homem negro preso por "resistência" no início do século 20. Do livro "Prisioneiros", de Arne Svenson

    Onda negra, medo branco: a Justiça brasileira ainda usa a eugenia para condenar pretos

    O caso de racismo originado na sentença da juíza Inês Marchalek Zarpelon, da 1ª vara criminal da Comarca da Região metropolitana de Curitiba, que condenou Natan Vieira da Paz, homem negro de 48 anos, a 14 anos e 2 meses de prisão, é um caso clássico de ação formulada a partir do imaginário constituído sobre determinado sujeito ou comunidade por códigos raciais que sequestram a humanidade e cidadania alheia, única e exclusivamente por não pertencer à raça sociológica da elite dominante. No caso brasileiro, a raça branca. Ao registrar a sentença em longo arquivo com mais de uma centena de páginas, a excelentíssima registrou e reafirmou o seguinte: “Sobre sua conduta social nada se sabe. Seguramente integrante do grupo criminoso, EM RAZÃO DA SUA RAÇA, agia de forma extremamente discreta os delitos e o seu comportamento, juntamente com os demais, causavam o desassossego e a desesperança da população, pelo que ...

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    Jamiel Law/NyTimes

    Para além da cor da pele: O racismo estrutural e a violência policial

    Em setembro de 2019, Agatha Félix, uma menina de oito anos de idade, voltava para casa com a mãe quando foi baleada. O tiro que matou Agatha foi disparado por policiais que desconfiaram que dois ocupantes de uma moto que passava eram criminosos. O incidente aconteceu no Complexo de Favelas do Alemão, na cidade do Rio de Janeiro, onde Agatha morava. Em maio de 2020, em plena pandemia, um adolescente de 14 anos foi baleado dentro de casa, na região metropolitana do Rio de Janeiro, pela polícia. Foram disparados 72 tiros dentro da residência. Nesses casos, a alegação invariavelmente é a guerra às drogas. No Rio de Janeiro, em 2019, seis casos de crianças mortas pela polícia, no trajeto de ida ou dentro de escolas, dentro ou em frente a suas casas tornaram-se manchete nacional e deixaram a todos comovidos. Os casos acima não são incomuns. Mas o que perpetua ...

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    Cantora Laís Raquel, 22 anos, sofreu o preconceito por meio de conversa em rede social (Reprodução/Instagram @laisraquelon)

    Racismo: noiva pede que cantora alise cabelo para “ficar melhor nas fotos”

    Uma cantora de Brasília viveu um episódio de racismo ao ser contatada por uma possível cliente. Por meio do Instagram, uma mulher disse que estava organizando a festa de casamento e tinha se interessado pelo trabalho de Lais Raquel. No entanto, estabeleceu uma condição para que o contrato fosse fechado: a cantora teria que alisar o cabelo. Lais Raquel tem 22 anos e canta desde os 7 anos. Atualmente, trabalha em uma escola com musicalização infantil e também canta em eventos, como casamentos, há três anos. A possível contratante pediu uma foto de Laís em algum casamento e, ao receber a imagem, perguntou: “Você costuma cantar com o cabelo assim mesmo?” Prontamente a cantora respondeu que sim. Foi quando recebeu a proposta: “Se você for cantar no meu casamento, poderia alisar o cabelo? Eu amei sua voz e queria muito que cantasse, mas só esse detalhe para ficar melhor nas ...

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    Foto: Gabriel Inácio do Santos

    O uso da palavra ‘genocídio’ no combate ao racismo estrutural

    Este texto foi escrito a quatro mãos. Duas negras, duas brancas. Escolha que se deu para que possamos praticar um dos nossos principais argumentos: de que o racismo, assim como a luta antirracista, não deve mobilizar apenas negros e negras, mas também brancos e brancas. Representatividade é fundamental, mas não é o suficiente. Se entendemos o racismo como um fenômeno estrutural, nos parece coerente remexer a própria estrutura na hora de escrever e pensar sobre ele. Então, vamos aos fatos. O fato de que pessoas negras são vítimas de um genocídio constante não deveria nem ser discutido. O debate, aliás, só revela a resistência que uma sociedade moldada pela discriminação contra corpos de negros tem de se assumir racista. Como não chamar de genocídio uma sucessão de violências que sempre estouram no seio de famílias pretas? Não há refresco. Nem em tempos de pandemia e de uma suposta onda de ...

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    Reprodução/Facebook

    “O racismo faz parte da lógica capitalista, mas a humanidade está sentindo sua inviabilidade”

    A discussão sobre o racismo parece ter dado um salto de qualidade em todo o planeta, que para além da pandemia do coronavírus lida com o aprofundamento de diversas crises. No centro de tais discussões, aparece o capitalismo e seu modelo societário, ainda que boa parte da mídia de massa e das classes políticas globais tentem dissimular. Mas é neste contexto de crítica socioeconômica que surgiu a Coalizão Negra por Direitos, articulação criada por mais de 150 movimentos sociais e comunitários. E sobre isso o Correio publica entrevista com Maria José Menezes, bióloga e ativista da Coalizão. “O racismo, enquanto projeto de Estado, está em debate em todo o mundo. A brutalidade policial contra o povo negro não é mais vista como algo natural pelas sociedades modernas. O racismo faz parte da lógica capitalista, mas a humanidade está sentindo que é inviável sobrevivermos diante de tamanhas desigualdades e as organizações ...

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    Abayomi - Juristas Negras (Foto: Luana Cruz)

    Juristas negras e a luta por espaços no mundo do Direito

    Se os desafios de uma mulher para ocupar espaços de poder e saber já são enormes no Brasil, para uma mulher negra, eles se impõem com uma dimensão ainda maior. E, quando o recorte é o universo do sistema judiciário, o quadro de exclusão se apresenta de forma mais evidente. Para contribuir com a visibilidade que o mês de junho propõe para as mulheres negras - 25 de julho marca o Dia da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha - cabe observar como o racismo estrutural no ambiente do Direito ainda atinge essas mulheres, ouvir e amplificar suas vozes. A primeira barreira para essas mulheres não poderia ser outra: a escolaridade. A taxa de analfabetismo das mulheres negras (14%) representa mais do que o dobro das brancas (5,8%), segundo o IBGE. Como acontece com a população negra, elas têm maior dificuldade de acessar universidades e, consequentemente, os espaços de conhecimento e o ...

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    O presidente do STF, Dias Toffoli (Foto: Nelson Jr./SCO/STF)

    “O racismo estrutural está disseminado na sociedade brasileira”, diz Toffoli

    O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, disse hoje (7) que o racismo estrutural está disseminado na sociedade brasileira. Toffoli participou da abertura do seminário Questões Raciais e o Poder Judiciário, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que também é presidio por ele. Durante discurso de abertura, Toffoli citou pesquisas que mostram que os níveis de vulnerabilidade social da população negra são maiores, incluindo a desigualdade no mercado de trabalho e no próprio Judiciário. “O racismo estrutural está disseminado na sociedade brasileira. Muitas vezes não existe uma vontade deliberada de discriminar, mas se fazem presentes mecanismos que dificultam a participação da pessoa negra no espaço de poder”, afirmou. Segundo o ministro. uma pesquisa realizada em 2018 pelo CNJ mostrou que apenas 18% dos juízes se declararam negros ou pardos. Do total de juízas existentes, apenas 6% se declararam negras. ‘É preciso corrigir esse cenário, promovendo ...

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    Marcha das mulheres negras contra o racismo, em Brasília.MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA

    Negro continuará sendo oprimido enquanto o Brasil não se assumir racista, dizem especialistas

    Estudiosos da desigualdade racial afirmam que, para que a luta contra a discriminação da população negra produza resultados consistentes, há um passo decisivo que nós, brasileiros, ainda não demos: assumir que somos, sim, racistas — seja como indivíduos, seja como sociedade. De acordo com o filósofo e jurista Silvio Almeida, presidente do Instituto Luiz Gama (ONG que atua pela igualdade racial) e professor da Universidade Mackenzie e da Fundação Getulio Vargas, quando se admite a existência do racismo, cria-se automaticamente a obrigação moral de agir contra ele: — A negação é essencial para a continuidade do racismo. Ele só consegue funcionar e se reproduzir sem embaraço quando é negado, naturalizado, incorporado ao nosso cotidiano como algo normal. Não sendo o racismo reconhecido, é como se o problema não existisse e nenhuma mudança fosse necessária. A tomada de consciência, portanto, é um ponto de partida fundamental. Como exemplo da negação, o ...

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    Jamiel Law/NyTimes

    Racismo estrutural no Brasil

    No Brasil, desde o dia 25 de maio do corrente ano, nunca havíamos assistido tanto as grandes emissoras de televisão se reportarem com tanta frequência ao racismo, quanto temos presenciando desde então.  O que será que as emissoras de televisão querem dizer aos telespectadores/as com tantas reportagens sobre o racismo? Não existe racismo no Brasil? O racismo no Brasil estava silenciado? O debate sobre o racismo está pautado na sociedade brasileira? O racismo está na agenda da grande imprensa? A sociedade brasileira resolveu admitir a existência do racismo e enfrentá-lo, ou tudo não passa de um jogo de cena?  Em meio ao bombardeio das reportagens, à primeira vista, a impressão que o/a telespectador/a tem é a de que não existe racismo no Brasil e os primeiros casos surgiram recentemente. Para os/as desavisados/as, desinteressados/as e desinformados/as no assunto, racismo não é coisa de negros/as, é coisa de brasileiros/as; se trata de ...

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    Montagem de Tropa de Elite (Foto: Reprodução) e Segundo Sol (Foto: /Instagram/João Cotta/Divulgação/Imagem retirada do site Rolling Stone)

    Como violência policial e racismo são normatizados pela produção audiovisual brasileira

    O adolescente João Pedro morreu há um mês, no dia 18 de maio de 2020. Vítima de uma ação das polícias civil e federal, o estudante negro foi baleado dentro de casa no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, Região Metropolitana do RJ. Parentes acharam o corpo 17 horas depois, no IML(Instituto Médico-Legal) de Tribobó. O caso é apenas mais um que representa a violência policial e o racismo sistêmico no Brasil. Apesar de declarações relacionadas à morte do adolescente, as mobilizações nacionais se intensificaram com a morte de George Floyd, homem negro assassinado por policiais brancos nos Estados Unidos. Alguns questionamentos feitos nas redes sociais remetem ao porquê de brasileiros se mobilizaram fortemente apenas após o caso George Floyd - e um dos motivos pode ser a forma que produções audiovisuais a e própria imprensa brasileira acabam, muitas vezes, normatizando a violência e o racismo. “Isso mostra muito sobre ...

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    FOTO: MAURO PIMENTEL / AFP

    Manifesto político para um Judiciário contra o racismo estrutural

    Nós, brancos e brancas, somos os responsáveis pelas violências que culminaram com as mortes de João Pedro – no Brasil – e de George Floyd – nos EUA – e esses homicídios guardam intensa relação com todo o passado escravocrata dos dois países. Escravização de corpos negros produzida por nós, brancos e brancas. Violência estatal produzida por nós, brancos e brancas, que ocupamos a quase totalidade dos cargos de poder nas instituições públicas. Racismo estrutural produzido por nós que estamos à frente de todas instituições de saber e de poder, aqui ou lá. Racismo sistêmico, cotidiano, que mantêm segregados negros/as e nos concede, por isso mesmo, os privilégios materiais e imateriais decorrentes do simples fato de termos menos melanina no corpo. Não tenhamos memória seletiva! EUA e Brasil abrigam as maiores populações negras fora do continente africano e essa migração forçada foi causada por nós. Nossas terras foram e são ...

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    Sandra Caselato Foto: Leo Martins / Agência O Globo

    Ninguém se acha racista

    Esta semana está difícil escrever. Me sinto exausta, desanimada e por vezes desesperada com tantos acontecimentos que evidenciam o racismo estrutural e sistêmico da nossa sociedade. A morte de um homem negro, George Floyd, por um policial branco nos Estados Unidos. Violência policial nas favelas e a morte de João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos. Dos 30 mil jovens vítimas de homicídios por ano no Brasil, 77% são negros. Protestos contra o racismo nas ruas ao redor do mundo, apesar dos perigos de contaminação pelo coronavírus. A trágica morte do filho negro de uma empregada doméstica, Miguel (5 anos) ao cair do 9°andar enquanto estava aos cuidados da patroa branca. Com tudo isso, muitas pessoas têm aderido ao "ativismo online" apoiando nas redes sociais a luta antirracista. Valorizo muito essa conscientização e movimentação. Porém, tudo isso não significa muito se a reflexão não se voltar também para dentro de ...

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    Edifício Pier Maurício de Nassau em Recife, de onde o menino Miguel caiu do 9º andar (Reprodução / TV Globo)

    Miguel e a pedagogia do racismo 

    Longe da mãe, Miguel, ainda pequeno, não sabe que não pode se expressar naquele espaço. Não sabe que não há direitos ali. Que ele é uma extensão do corpo de sua mãe e também pertence, a sua maneira infantil, ao mundo do trabalho. A insistência de Miguel em ir atrás da mãe, que levava o cachorro da patroa para passear, feriu a etiqueta daquelas relações. Ele não sabe se portar. Não aprendeu o lugar de negro. E nem terá tempo. Miguel cometeu uma infração: atrapalhou a manicure da patroa. Perturbou a distinção tácita entre quem fala e quem deve calar. Mas a criança não desiste de sua voz. Não sabe exatamente com quem está falando. Não aprendeu o seu lugar. Ele é pequeno. Sarí Corte Real abandonou o menino no elevador de um prédio de mais de 30 andares. As imagens das câmeras do edifício parecem acentuar ainda mais as ...

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    Foto: Adobe Stock

    Preta de alma embranquecida

    Ando pesquisando sobre a negritude e a resistência é a máxima possível, estou à dias lendo artigos, vendo vídeos, trabalhos, teses, dissertações, recolhendo material, mas à medida em que vou lendo vou me confrontando com a Europa que habita em mim. Quarentena, em casa, lugar onde eu sou eu. As discussões com minha mãe aumentaram, confrontos com quem sou para o outro, o mais próximo de mim possível. Como em um espelho a minha mãe me confronta sobre convivência, o quanto que não sei viver com o outro, o quanto que em um mesmo espaço quero ser eu somente. No mesmo momento em que leio sobre filosofia africana, onde relata que o eu só existe a partir do outro, viver em comunhão, no sócio de fato, escuto de cientistas pretas falando sobre a individualidade trazida da Europa para a nossa sociedade. Em uma tentativa de reconexão comigo, com África me ...

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