terça-feira, julho 14, 2020

    Tag: Sueli Carneiro

    Foto: Marcus Steinmayer

    Viveremos por Sueli Carneiro

    A mulher que cuida das crianças pede ao menino de cinco anos que explique o que acontece. Ele diz: ‘A polícia entrou aqui, mandou todas as crianças encostarem na parede desse jeito e falou que levaria todos nós para a Febem se a gente não contasse onde estavam escondidas armas e drogas’. O garoto se juntou à menininha, mãos na parede. Mais sete crianças repetiram o ato. (Folha de S.Paulo, 21/5/06) .A reportagem da qual retirei essa epígrafe estende-se na descrição das incursões policiais na favela dos Pilões (zona sul de São Paulo). Numa das visitas, três mortos: jovens com menos de 30 anos, todos trabalhadores, um deles epiléptico. O patrão de dois deles custeou os funerais e ofertou aos corpos urnas de madeira nobre talvez num gesto simbólico de resgate da dignidade daqueles jovens e expressão da consciência da injustiça cometida. É apenas um dos casos das dezenas que ...

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    A carta da Princesa por Sueli Carneiro

    A televisão, em 30 de abril, divulgou o conteúdo de uma carta da princesa Isabel datada de 11 de agosto de 1889 endereçada ao visconde de Santa Victória. Nela se revelam os seus esforços e de seu pai, o imperador D. Pedro II, para prover condições dignas de sobrevivência e inserção da população ex-escrava na sociedade brasileira. O texto da princesa defende a indenização aos ex-escravos, a constituição de um fundo para a compra e doação de terras que lhes permitissem sobreviver e se inserir socialmente pela exploração agrária e pecuniária sustentada. Mas há coisas que só podem ocorrer no Brasil. A revelação de um documento histórico cujo conteúdo é de grande importância para milhões de brasileiros descendentes de escravos reduziu-se, na matéria produzida pela TV, a mera reatualização dos nossos antigos manuais didáticos que eram prenhes na reiteração do caráter benevolente da princesa por decretar a Abolição. Mais que ...

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    O medo da Raça, por Sueli Carneiro

    Fonte: Jornal Correio Braziliense - Coluna Opinião É emblemático o empenho com que alguns intelectuais se manifestam na arena pública para alertar a sociedade sobre os perigos da raça como suporte de políticas públicas de promoção da igualdade racial. Mais curioso ainda é o fato de serem alguns desses intelectuais especialistas em negros. Negros que, enquanto objeto de estudo, alavancaram sólidas carreiras acadêmicas e adquiriram no plano das idéias absoluta realidade científica realizando o sonho de Sílvio Romero, para quem "o negro não é só uma máquina econômica; ele é, antes de tudo, e malgrado sua ignorância, um objeto de ciência. (...) Apressem-se os especialistas, visto que os pobres moçambiques, benguelas, monjolos, congos, cabindas, caçangas... vão morrendo. (...) Apressem-se, senão terão de perdê-lo de todo". Porém, o negro real sobrevivente desse vaticínio, ao se tornar alvo de políticas públicas específicas, representa para os especialistas uma ameaça ao "estatuto jurídico republicano" ...

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    Cartão Vermelho, por Sueli Carneiro

    por Sueli Carneiro Fonte: Jornal Correio Braziliense - Coluna Opinião Foto: Marcus Steinmayer Um novo caso de racismo repercute na mídia brasileira envolvendo um juiz de futebol negro e um coronel da Polícia Militar de São Paulo. Relatado em matéria intitulada "O cartão vermelho que despertou o juiz negro", de Dorrit Harazim, no jornal O Estado de S. Paulo de 5/2/06, tomamos conhecimento de que, durante uma partida de futebol ocorrida no dia 4 de dezembro de 2005, no clube dos Oficiais da PM de São Paulo, o coronel Antônio Chiari recebe o cartão amarelo do juiz José de Andrade Neto. Ensandecido, o coronel reage à punição agredindo racialmente o juiz: "Você tinha de ser dessa cor de merda para fazer isso! ", grita, passando os dedos pela pele do braço. "Preto! Macaco! Olha a sua pele, cor de merda!", é o que diz o coronel ...

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    Erraram, por Sueli Carneiro

    onte: Jornal Correio Braziliense - Coluna Opinião Em um dos primeiros pronunciamentos, o presidente Lula disse que ele e o seu partido não tinham o direito de errar. Estava certo. Ele se referia, sem dúvida, aos preconceitos e expectativas negativas que sempre o cercaram em função de sua origem social. Não pude deixar de associar essa idéia a outras semelhantes e correntes entre os negros e as mulheres. Negros têm internalizada a visão de que precisam fazer tudo melhor do que os brancos para terem a chance de serem considerados ou tratados como iguais; as mulheres sabem que devem ter desempenho superior ao dos homens, e deficientes precisam realizar atos que beiram ao de super-heróis como os do cego Jatobá da novela América. É injusto, mas real. A profecia auto-realizadora nos persegue a todos que não somos seres hegemônicos. E essa foi a advertência fundamental da qual se esqueceu o ...

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    Respeito

    Fonte: Jornal Correio Braziliense - Coluna Opinião A cor da pele já impede de achar trabalho, a roupa que você usa, o nome", relata um branco de origem argelina, o casaco salpicado de tinta. "Não tenho trabalho, respeito, não tenho nada. Os jovens revoltados na França prometem continuar "queimando tudo até serem respeitados". Descartam motivações religiosas para os seus atos. O tripé em que eles se apóiam são: pobreza, discriminação racial e ausência de projeto para a vida. As manifestações que se espalharam pela França ecoam em outros países europeus, demonstrando potencialidade para se alastrarem, como um rastilho de pólvora no continente europeu e outros. A descrença no diálogo, no cumprimento das promessas pelos políticos fazem emergir as novas modalidades de enfrentamento. Um deles afirma: "Vou continuar queimando tudo. Tudo o que for do Estado, do governo ou de empresas vai ser queimado". Outro confirma: "Se algum dia nos organizarmos, ...

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    Em Legítima Defesa, por Sueli Carneiro

    Marcharemos em 16 de novembro próximo sobre Brasília em ato de indignação e protesto convocado pelo Movimento Negro Brasileiro. Por que o faremos? Por Sueli Carneiro, do Jornal Correio Braziliense - Coluna Opinião Muitas são as razões que advêm de uma realidade inaceitável contra a qual a militância negra vem historicamente lutando e frente à qual as respostas do Estado permanecem insuficientes, exigindo permanente esforço de compreensão. Assim, contrato racial, biopoder e epistemicídio, por exemplo, são conceitos que se prestam como contribuição ao entendimento da perversidade do racismo.São marcos conceituais que balizaram a tese de doutorado que defendemos junto à USP em agosto passado sob o título "A construção do outro" como não-ser como fundamento do ser. Nela procuramos demonstrar a existência no Brasil de um contrato racial que sela um acordo de exclusão e/ou subalternização dos negros, no qual o epistemicídio cumpre função estratégica em conexão com a tecnologia do ...

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    Silêncio, por Sueli Carneiro

    O ciclo de conferências "O silêncio dos Intelectuais", que está ocorrendo em algumas capitais do país, não poderia realizar-se em momento mais oportuno, trazendo luzes para a compreensão de contradições da atividade intelectual, em especial na esfera pública. Intelectuais de partidos, formadores de consciência ou ideólogos oferecem a justificativa teórica e conceitual para os não ditos intelectuais, a ausência de crítica ou deslocamentos de foco sobre a natureza da crise política. A filosofia contribui no debate para nos esclarecer por meio de Marilena Chauí que o PT "caiu em uma armadilha tucana de que os petistas não se deram conta". A conclusão é que os petistas são ingênuos, presas fáceis das armadilhas preparadas pelos outros. A infantilização de agentes políticos opera nesse caso como absolvição para suposto desvio cometido. A filósofa vai além em sua reflexão e nos ensina acerca do sentido do silêncio dos intelectuais em conjunturas conturbadas. Segundo ...

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    Pela busca do Imponderável, por Sueli Carneiro

    Fonte: Jornal Correio Braziliense - Coluna Opinião   Para Michel Foucault, depois do século 19 assiste-se a processo de esclerose dos grandes partidos políticos. Eles teriam deixado de se constituir espaços de criação política para reduzir-se em estratégias mais ou menos toscas de tomada ou permanência no poder. Ocorre, conforme ele, uma forma de "confisco da política". Diante do amesquinhamento da atividade político-partidária, restaria para a sociedade a resistência, expressando-se ela na capacidade de preservar os valores emancipatórios por ela produzidos sobretudo nas décadas de 60 e 70 do século 20 nos quais se encontravam implícita a possibilidade de recriar a existência para além dos programas partidários e sua normalização da atividade política e a conseqüente produção de sujeitos políticos viciados e subjugados aos imperativos do poder. A perda da capacidade de criação política, os limites impostos pelas grandes agremiações partidárias à renovação das idéias e práticas no campo político ...

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    Que país é esse?

    Os novos dados sobre pobreza divulgados pelo IPEA falam em aumento do desemprego e da violência e em queda da renda. Estimam em 53,9 milhões o número de pobres, dos quais 44% são negros e 20,5% são brancos. Isso corresponde a aproximadamente 24 milhões de negros e 11 milhões de brancos. Desse contingente de pobres, 22 milhões encontra-se em condições de indigência. Suspeito que entre os 11 milhões de brancos pobres, encontram-se muitos como Ronaldo, o Fenômeno, que até se iniciar no futebol também era branco, segundo ele, e pobre, conforme sua história de vida. Se o número de negros pobres é mais do que o dobro do de brancos pobres, isso significa que ser branco implica em 50% de chances a menos de ser pobre ou indigente no Brasil? Os números indicam que sim, e isso quase equivale a um seguro de vida. Outra informação que sobressai dos dados ...

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    Abdias Nascimento, por Sueli Carneiro

    "Sempre que penso em Abdias Nascimento o sentimento que me toma é de gratidão aos nossos deuses por sua longa vida e extraordinária história fonte de inspiração de todas as nossas lutas e emblema de nossa força e dignidade. A história política e a reflexão de Abdias Nascimento se inserem no patrimônio político-cultural pan-africanista, repleto de contribuições para a compreensão e superação dos fatores que vêm historicamente subjugando os povos africanos e sua diáspora. Abdias Nascimento é a grande expressão brasileira dessa tradição, que inclui líderes e pensadores da estatura de Marcus Garvey, Aimé Cesaire, Franz Fannon, Cheikh Anta Diop, Léopold Sedar Senghor, Patrice Lumumba, Kwame Nkruman, Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Steve Biko, Angela Davis, Martin Luther King, Malcom X, entre muitos outros. A atualidade e a justeza das análises e das posições defendidas por Abdias Nascimento ao longo de sua vida se manifestam contemporaneamente entre outros exemplo, nos resultados da III Conferência Mundial ...

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    Não matem nossos jovens, por Sueli Carneiro

    Fonte: Jornal Correio Braziliense - Coluna Opinião Há poucos meses divulgou-se estudo, realizado pela Uniemp (Fórum Permanente Universidade-Empresa), fundação ligada à Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em parceria com a Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo, que pela primeira vez estabeleceu relações entre aumento da criminalidade (em especial de roubos) e o desemprego. A preocupação dos pesquisadores foi identificar que modalidade de crime é afetada pelo desemprego e que tipo de desemprego afeta a criminalidade. A pesquisa buscou desvelar a relação entre aumento de criminalidade e estagnação econômica, desemprego e queda de renda; o nível de violência dos delitos versus o desespero econômico de quem os pratica. E concluiu que, em algumas das modalidades de crimes estudadas, como no caso de ataques a carros, o percentual de correspondência com o desemprego atinge 85%. Outros estudos apontam as ligações entre o desemprego de jovens e de pessoas de ...

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    Ideologia Tortuosa, por Sueli Carneiro

    O mito de a desigualdade racial ser produto das diferenças educacionais também está em xeque No artigo “Tortuosos Caminhos” publicado na revista Caros Amigos de junho último, César Benjamin, a propósito de questionar a adoção de cotas para negros, reproduz a fórmula clássica do modus pensante e operandi nos marcos de nossa democracia racial: o Brasil é um país mestiço, portanto é impossível determinar quem é negro e quem é branco. E, ainda que isso fosse possível, raça é um conceito falacioso já desmascarado pela ciência contemporânea e, por fim, “constituir uma identidade baseada na raça é especialmente reacionário”, conclui Benjamin. Portanto, políticas afirmativas/cotas para negros seriam um anacronismo em nossa sociedade. São argumentos de fácil aceitação pelo que reiteram das ideologias presentes no senso comum em que o elogio à mestiçagem e a crítica ao conceito de raça vem se prestando historicamente, não para fundamentar a construção de uma ...

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    De novo a raça, por Sueli Carneiro

    Fonte: Jornal Correio Braziliense- Coluna Opinião Os novos resultados obtidos pelas pesquisas sobre as origens genéticas da população brasileira realizadas pelo grupo de cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), liderados por Flávia Parra e Sérgio Danilo Pena, repõem o debate sobre o conceito de raça. Como divulgado pela imprensa, as conclusões seriam assim resumidas, “Nem todo negro no Brasil é geneticamente um afrodescendente, nem todo afro-brasileiro é necessariamente um negro”. Disso decorre, de acordo com os pesquisadores, que raça é somente um conceito social, o que as ciências sociais há muito tempo vem demonstrando. E, como não poderia deixar de ser, a primeira conseqüência que é extraída,do resultado desse estudo, é de natureza política. Diz Sérgio Danilo Pena, a propósito da infeliz observação do presidente eleito em debate durante a campanha sobre a utilização de critérios científicos para a determinação dos grupos raciais de modo a viabilizar a ...

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    Fábulas, por Sueli Carneiro

    Fonte: Jornal Correio Braziliense - Coluna Opinião Era uma vez um reino grande e próspero em que o povo vivia livre e feliz. Tal era a sua abundância e poder que provocava inveja incontida nos povos vizinhos, sentimento que, em parcelas desses povos, foi se transformando em ódio e desejo de destruição daquele paraíso que não conseguiam alcançar. E começaram a maquinar formas de atingir aquele reino até que enfim, prontos, desencadearam sobre ele atos de infame violência. Aquele povo acostumado á segurança e ao bem estar ao ser atingido daquela forma inesperada quedou perplexo diante do horror e da destruição. Sentiram-se pela primeira vez fragilizados, frente a inimigos sem rosto e sem causa conhecida, generosamente acolhidos em seu território, embora vindos de terras e culturas distantes. Convocou-se a assembléia. Grande parte da multidão exigia vingança. O rei consulta o oráculo porque sente crescer em si mesmo o desejo de ...

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    Obama para todos os gostos

    A onda de mudanças políticas que parecia fenômeno latino-americano atinge as eleições presidenciais dos EUA. Em cada lugar ela se manifesta de diferentes maneiras guardando respeito às características culturais e políticas de cada país ou região, mas elas têm em comum os ventos de mudança. Nada mais emblemático do que a polarização das candidaturas do senador negro Barack Obama e a senadora Hillary Clinton pela indicação do Partido Democrata para a sucessão do presidente George Bush na Casa Branca. Gênero e raça são temas importantes na sociedade norte-americana porque representam um desafio para a realização da igualdade. E a possibilidade de um homem negro ou uma mulher branca se tornarem presidente dos EUA renovam a confiança na vitalidade da democracia americana, na sua capacidade de se renovar e se reinventar. Os que simbolizam grupos historicamente excluídos ou discriminados são chamados a ofertar originalidade, renovação, mudança e esperança na (des)ordem do ...

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    Racistas? Não, por Sueli Carneiro

    O vice-presidente José Alencar afirmou em comentário à frase da ministra Matilde Ribeiro que "o racismo realmente não existe" no país. Como não somos racistas, devemos entender que o incêndio criminoso praticado em moradias de estudantes africanos na UnB "não se coaduna com o espírito aberto, tolerante e acolhedor do povo brasileiro", conforme recomenda nota do Ministério das Relações Exteriores sobre o caso. Portanto, além de não sermos racistas, somos também cordiais e acolhedores e é, em conformidade com esse "espírito", que, como informa o site Globo.com de 23/3/07, a prefeitura de Apucarana, no Paraná, "adotou uma solução radical para acabar com os moradores de rua: recolheu os mendigos e mandou-os embora do município. A administração municipal diz que a medida é uma resposta à reclamação de cidadãos incomodados: "A gente está tomando essa medida mais enérgica para poder acabar com isso", justificou a assistente social Edilaine Lima. A foto ...

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    Liberdade de agressão, por Sueli Carneiro

    A garantia da circulação da pluralidade de opiniões é um dos fundamentos da democracia. Dois casos exemplares ocorreram recentemente na mídia impressa em que formadores de opinião defenderam posições, no mínimo polêmicas, sem que os atingidos por elas tivessem o mesmo espaço para refutar. O primeiro é o caso do artigo "Cultura de bacilos" de Bárbara Gancia (Folha de São Paulo de 16/03) no qual a colunista critica a decisão do ministro Gilberto Gil de apoiar grupos comunitários envolvidos com o movimento hip hop como forma de promover, segundo o ministro, "novas formas de expressão da latente criatividade dos pobres do país." Por Sueli Carneiro, Jornal Correio Braziliense - Coluna Opinião A proposta do ministro não é inédita, consiste apenas em elevar ao nível de política pública federal experiências exitosas que vem sendo desenvolvidas por bandas de rap, grafiteiros e dançarinos do movimento hip hop em parceria com organizações da sociedade ...

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    Biopoder por Sueli Carneiro

    A descriminalização do aborto, uma bandeira histórica do movimento feminista nacional, encontrou nova e perversa tradução de política pública na voz do governador do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. O governador defende a legalização do aborto como forma de prevenção e contenção da violência, por considerar que a fertilidade das mulheres das favelas cariocas as tornam "fábrica de produzir marginais". Uma reivindicação histórica dos movimentos de mulheres de efetivação dos direitos reprodutivos das mulheres e de reconhecimento do aborto como questão de saúde pública sobre a qual o Estado não pode se omitir é pervertida em proposta de política pública eivada de ideologia eugenista destinada à interrupção do nascimento de seres humanos considerados como potenciais marginais. No lugar do respeito ao direito das mulheres de decidir sobre a própria concepção, coloca-se como diferença radical de perspectiva a indução ao aborto, pelo Estado, como "linha auxiliar" no combate à ...

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    Velhas teses, novas estratégias

    A constatação óbvia é repetida em certos veículos de comunicação como se a genética brasileira tivesse realizado um feito semelhante ao da descoberta da pólvora. Quando foi que raça existiu, a não ser como instrumento de exploração dos povos não-brancos que teve no racismo científico sua legitimação como doutrina teórica? Seria bizarro, não fossem as repercussões desse falso debate. Por Sueli Carneiro, do Jornal Correio Braziliense - Coluna Opinião Com a ajuda da ciência derretem-se as negritudes biológicas para decretar não a morte da raça sociológica e sim das políticas de eliminação das desigualdades sociais fundadas na rejeição à raça ou à cor dos indivíduos. É o resultado político que parece ser buscado com a investigação da ascendência genética dos negros. Veja-se o caso dos gêmeos Alex e Alan, submetidos a perversa, e constrangedora exposição, sendo usados por meio da generalização de seu caso particular e peculiar para atacar a política ...

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