Tartarugas Ninja – Caos Mutante: das margens da sociedade para o mundo

Enviado por / FontePor Rosimeire Cruz

Artigo produzido por Redação de Geledés

O novo filme das Tartarugas Ninja, que traz a personagem April O’Neil, representada por uma mulher negra e jornalista é o que se pode chamar de evolução nos meios e mensagem. Personagens jovens, trilha sonora e linguagem que representam a diversidade que se espera nesta nova era tecnológica e de constante mudanças. 

Reflexivo e também divertido o filme com roteiro de Brendan O’Brien, e dirigido por Jeff Rowe, traz passagens dos desafios existentes na vida dos irmãos tartarugas: Leonardo, Raphael, Michelangelo e Donatello, que ainda sem sobrenome não se conformam em não ter acesso ao mundo dos humanos, e junto com a jornalista April se aventuram para combater os Mutantes, que foram criados das “melecas” assim como eles. 

O pai – Mestre Splinter, temeroso e protetor, tudo o que quer é manter seus filhos tartarugas seguros, mesmo que para isso eles tenham que ficar longe da escola, que é o grande desejo dos meninos. A reflexão sobre a importância da educação, escolas inclusivas e acolhedoras é o ponto alto deste filme, que mostra o quanto a insegurança e exclusão prejudicam a formação escolar e profissional.

Há também os Mutantes “monstros” que vivem a margem da sociedade e que reagem por insegurança e medo do extermínio. (Como não pensar em jovens negros e periféricos que são marginalizados pela sociedade e meios de comunicação antes mesmo de entenderem seu lugar no mundo). Os Mutantes crescem acreditando que os humanos são seus inimigos e querem extermina-los.

O filme prende a atenção e entrega com maestria do inicio ao fim, a representatividade tão aguardada nos tempos atuais, em que tanto se discute raça e inclusão. Palavras como “mimimi” e “maneiro” soam de maneira natural, uma linguagem original que representa os heróis reais da nossa sociedade que mesmo desacreditados, sem acesso e oportunidades se desdobram e fazem acontecer. 

A jornalista April O’Neil, mostra que para além da noticia é preciso eliminar estereótipos para alcançar a verdade dos fatos. Mesmo insegura ela segue acreditando e batalhando o que acredita ser seu lugar, não como âncora, pois como a maioria de nós, não se enxergar neste lugar é o mais comum. 

A falta de representatividade nos meios de comunicação e o padrão estabelecido em determinadas profissões majoritariamente branca, como é o caso do jornalismo, promove insegurança e grandes obstáculos para os profissionais negros, pois para além dos desafios da profissão encontra-se também barreiras de aceitação e lugar de pertencimento, gerando bloqueios psicológicos e falta de acesso. 

Segundo a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), no Brasil são 77,60% de jornalistas brancos que ocupam 61,8% dos cargos de gerência e apenas 20,10% de jornalistas negros que ocupam 60,2% de cargos operacionais. A disparidade é evidente e deixa clara a desigualdade, social, econômica e racial na profissão em uma sociedade majoritariamente negra, mais de 56% (pretos e pardos segundo amostra e classificação do IBGE).

Tartarugas Ninja – Caos Mutante é um marco no áudio e visual, e pode se dizer também que é o futuro do cinema e da representação da diversidade. Sob a perspectiva da informação, combate a Fake News e acesso a educação, mostra a importância de olhar para os “monstros” criados pela sociedade e oportunizar equidade para que o acesso seja possível e o extermínio do preconceito seja real e efetivo. 

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