Violoncelista da Orquestra da Grota volta a ser preso e polícia não consegue explicar o motivo

A triste história de Luiz Carlos Justino, 26 anos, detido injustamente em 2020, ganhou o país

Sabe o violoncelista Luiz Carlos Justino, 26 anos, negro, da Orquestra da Grota, de Niterói, que foi preso injustamente – e absolvido pelos juiz Gabriel Stagi Hossman por total falta de provas – em setembro de 2020? Pois bem. Ontem, em Charitas, PMs levaram novamente o músico preso, após jogo de futebol dele com outros meninos da orquestra. Ao chegar na 79ª DP, ele ficou incomunicável e sem direito a telefonema. Depois de horas, ele foi liberado. O que policiais alegaram é que o nome dele continua no sistema.

A história de Justino, que já tocou ao lado do maestro João Carlos Martins até no programa do Luciano Huck, ganhou o país. O músico, em 2020, ficou quatro dias preso, após ser abordado por um policial no Centro de Niterói. É que, segundo os policiais, havia contra ele um mandato de prisão por um suposto assalto a mão armada. A prova? Uma fotografia que constava no livro da 79ª DP. No mesmo horário e dia, fotos e vídeos comprovaram que Justino tocava numa padaria na região oceânica de Niterói. Justino é defendido pelo advogado

Ele foi solto por um habeas corpus dado pelo juiz André Nicolitt, que, na época, demonstrou perplexidade com o caso: “Por que um jovem negro, violoncelista, que nunca teve passagem pela polícia, inspiraria desconfiança para constar em um álbum?”, disse o magistrado.

Desde que saiu da prisão, Justino, pai de uma menina de 5 anos, faz terapia para superar o trauma. Ele também diz que tem dificuldade para se concentrar:

“Eu me pego pensando nos dias em que fiquei preso, trancado num lugar imundo. Havia um detento que gemia de dor a noite toda. O que eu vivi não sai da minha cabeça”, disse Justino.

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