sábado, novembro 26, 2022
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Vítimas de racismo relatam o preconceito que dói na pele (e coração)

Ivan levou batida de policias militares e Elizabeth foi seguida por segurança de supermercado. O que eles têm em comum? São negros

no Gazeta Online

Foto: Sullivan Silva

A Polícia Militar caçava um homem acusado de assaltar uma loja no bairro Laranjeiras, na Serra, quando viram Ivan sentado na calçada em frente a uma escola. Logo imaginaram que ali estaria o suspeito do roubo. Mas o que indicou essa suspeita dos policiais? O armador Ivan dos Santos Costa, de 46 anos, é negro e ele acredita que a cor da sua pele motivou a abordagem da polícia.

Ivan diz que sentou para descansar após almoço em uma praça próximo a uma escola. No local algumas crianças brincavam, e, em poucos minutos que estava ali, dois policiais apareceram, cada um em uma moto. Revistaram sua bolsa, fizeram revista e nada encontraram.

A situação aconteceu há dois anos, e até hoje Ivan não sabe se o verdadeiro assaltante era realmente negro como ele e se os policiais abordariam todos os negros que estavam na rua naquela hora ou, se o bandido era uma pessoa branca, se todas as pessoas brancas também seriam abordadas no ambiente público.

PRECONCEITO VELADO

Foto: Sullivan Silva

O preconceito velado também aconteceu com a jovem Elizabeth Santana Santos, de 19 anos. Infelizmente ela compartilha diversas situações que percebeu atitudes de terceiros por ser negra. Em uma loja foi confundida com a vendedora e chegou a ser seguida por um segurança ao entrar no supermercado.

“Bate aquele sentimento de tristeza. Você consegue compreender que aquilo só está acontecendo porque existe todo um racismo estrutural. Se eu fosse uma pessoa não preta talvez isso não acontecesse. Sou chamada de várias coisas por ser quem eu sou”, desabafa a jovem.

Ela não se cala, e acredita que de diálogo a denúncia de casos de racismo e injúria racial são os melhores caminhos para mudança de mentalidade. “Será que o resultado mais fácil é combater a intolerância com a intolerância? Talvez o melhor caminho não seja esse. É preciso parar para dialogar e tomar as medidas cabíveis”, diz Elizabeth.

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