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5 trabalhos tradicionalmente masculinos nos quais as mulheres foram pioneiras

Hoje as mulheres representam quase a metade da força de trabalho dos Estados Unidos e este número cresce a cada dia. Mas apesar delas alcançarem novos níveis de sucesso no trabalho, alguns campos permanecem fortemente dominados pelos homens.

Por , do Brasil Post

Muitas dessas ocupações são vistas como um estereótipo de trabalho “masculino”; entretanto, alguns desses trabalhos, típicos do clube de cavalheiros que vemos hoje em dia tiveram antes influência feminina.

Estas cinco ocupações têm, na verdade, longas e, muitas vezes, esquecidas histórias de mulheres pioneiras que ajudaram nos seus primeiros dias:

1. O primeiro programador já visto era na verdade uma programadora

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Nos dias de hoje o mundo da tecnologia é notoriamente dominado pelos homens, já que as mulheres ocupam menos de 25% dos trabalhos nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática nos Estados Unidos.

No entanto, os senhores do Vale do Silício devem muito à fundadora da computação científica do século 19: Ada Byron, Condessa de Lovelace, ou “Ada Lovelace”.

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Lovelace colaborou com Charles Babbage, o chamado “Pai dos Computadores”, ao escrever o primeiro código algoritmo de programação do mundo. Mas Byron não foi a única precursora da ciência da computação. Durante a Segunda Guerra Mundial, seis mulheres matemáticas, que apelidaram os apelidadas de “computadores humanos”, programaram um dos primeiros computadores totalmente eletrônicos do mundo.

As mulheres continuaram se destacando na programação de computadores ao longo dos anos 40 e 50, mas o seu número diminuiu quando a indústria adotou uma série de técnicas de recrutamento que favoreciam os homens no final dos anos 60.

2. Durante a maior parte da história da humanidade, as mulheres fabricavam cerveja, uma tarefa depois considerada viril

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Hoje, as mulheres representam menos de 1% dos empregos na fabricação de cerveja. Mas a evidência de hieróglifos egípcios antigos sugere que as mulheres eram originalmente responsáveis pela produção da cerveja, o que era considerada uma tarefa doméstica feminina durante séculos.

Em toda a Europa na Idade Média, as mulheres eram mestres na fabricação de cerveja e muita eram chamadas “alewife” ou “brewsters” e usavam seus talentos para ganhar dinheiro. Com a industrialização do século 17, a fabricação de cerveja se tornou um negócio de grande escala e os postos de trabalho nas fábricas foram dados aos homens.

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3. De 1916 a 1923, as mulheres americanas detinham a liderança no mundo da produção de filmes, muito mais do que em qualquer outra indústria dos Estados Unidos

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Durante décadas, as mulheres têm estado em completa desvantagem em quase todos os aspectos da indústria cinematográfica. No entanto, nos primeiros dias do cinema mudo, fazer filmes era uma área mais amigável às mulheres.

De fato, centenas de mulheres trabalhavam como roteiristas, diretoras, produtoras e editoras no início do século 20 e muitas destas histórias foram apenas recentemente descobertas pela professora de Harvard Jane Gaines.

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Gaines estabeleceu que entre 1916 a 1923 as mulheres realmente detinham mais poder na indústria cinematográfica do que em qualquer outra indústria dos Estados Unidos. (Infelizmente, 90% dos filmes americanos feitos antes de 1929 não foram devidamente preservados e grande parte deste trabalho não pode ser apreciado hoje.)

Na verdade, em 1923, existiam mais mulheres proprietárias dos estúdios independentes do que homens, um fenômeno que a Playboy apelidou de “her own company epidemic” (ou “a epidemia da sua própria empresa”, em tradução livre). E, à medida que a indústria foi se tornando centralizada, algumas poderosas empresas, cujos proprietários eram homens, foram tomando conta e empurrando as mulheres para fora dos postos de trabalho disponíveis.

Enquanto isso, vários autores de importantes livros sobre o início da história do cinema ignoravam os filmes e conquistas das mulheres, e muitas dessas influentes mulheres foram se tornando quase esquecidas.

4. As mulheres foram as bateristas originais

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Hoje, os instrumentos de percussão são tipicamente vistos como “masculinos” – associados a bandas militares ou às indisciplinadas estrelas do rock. No entanto, artefatos e pinturas antigas revelam que originalmente as mulheres eram bateristas.

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Hoje, os instrumentos de percussão são tipicamente vistos como “masculinos” – associados a bandas militares ou às indisciplinadas estrelas do rock. No entanto, artefatos e pinturas antigas revelam que originalmente as mulheres eram bateristas.

De acordo com Layne Redmond, autor de When The Drummers Were Women (Quando As Bateristas Eram Mulheres, em tradução livre), a primeira baterista conhecida na história foi Lipushiau, uma sacerdotisa da Mesopotâmia.

Os tambores tinham conotações de nascimento e fertilidade e eram sagrados para as mulheres. As mulheres tocavam tambores durante rituais religiosos por cerca de 3.000 anos na história da humanidade.

Tudo isso mudou quando a igreja cristã proibiu as mulheres de cantarem ou tocarem instrumentos. As apresentações de música pública tornaram-se cada vez mais uma coisa só de homens.

5. Enquanto o campo da medicina excluía as mulheres médicas por centenas de anos, as mulheres foram algumas das curandeiras mais proeminentes do início da humanidade

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Muitas mulheres foram médicas especializadas altamente respeitadas no antigo Egito e na Grécia. Ao longo da história do começo da Europa, as freiras frequentemente trabalhavam como curandeiras, e algumas, como Hildegarda de Bingen, escreviam influentes registros das curas e tratamentos usados, muitas vezes nos campos médicos da ginecologia e dos partos.

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Então, no final da Idade Média, a Igreja decretou que todos os médicos tivessem uma educação universitária. Na época, as mulheres eram proibidas de frequentar a universidade, e, portanto, não poderiam exercer a medicina legalmente. Aquelas que praticavam a medicina eram frequentemente acusadas de bruxaria.

Depois disso, o estabelecimento médico muitas vezes ignorou as contribuições de mulheres ou atribuiu suas conquistas aos homens. Por exemplo, os historiadores supuseram erradamente que Trotula, renomada acadêmica de medicina do século 11 e autora de um clássico livro sobre medicina, era homem – simplesmente porque eles não podiam acreditar que uma mulher pudesse escrever um livro médico tão influente.

Mesmo enfrentando barreiras sociais e educacionais para entrar no campo da medicina, as mulheres continuaram a curar aqueles que não podiam pagar os médicos. Nas últimas décadas, as mulheres fizeram um incrível progresso no campo da medicina, embora o sexismo ainda perdure.

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