quinta-feira, setembro 23, 2021
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Alunos suspeitos de violência sexual serão punidos, diz diretor da USP

Pamela Feitosa Silva sofreu uma tentativa de estupro em 2013 e também prestou depoimento na CPI

No O Tempo

O diretor da Faculdade de Medicina da USP, José Otávio Costa Auler Junior, disse nesta quinta-feira (15) em depoimento durante CPI na Assembleia Legislativa que os alunos envolvidos em casos de violência sexual serão punidos pela universidade.

As punições, segundo o diretor, foram recomendadas por sindicância, mas ainda serão referendadas por colegiado especial em conjunto com a procuradoria da USP. Ele assegurou, porém, ser “improvável que as punições não sejam aprovadas”.

As punições se referem ao caso de Pamela Feitosa Silva, que sofreu uma tentativa de estupro em 2013 e também prestou depoimento na CPI. Outros casos ainda estão sob investigação.

“Quem não gosta de gente não pode ser médico”, disse Auler. É a primeira vez que o diretor depõe em audiência pública da assembleia.

Ele também fez propostas em relação a mudanças curriculares no curso de medicina e ainda estabeleceu como prioridade a melhoria dos mecanismos de denúncia de abusos na instituição.

“Tudo passa por uma mudança institucional, de uma cultura de mais de 100 anos”, disse. “É difícil, mas faremos. Eu vou me empenhar profundamente num projeto de mudança.”

“A instituição precisa de mudanças culturais que estão alinhadas a uma maior respeitabilidade de direitos humanos.” José Auler disse também que possui uma agenda mensal com todos os alunos em que atende várias demandas dos coletivos em favor dos direitos humanos da universidade.
Na CPI, ele reconheceu ainda a gravidade dos casos, citou a criação de um centro de direitos humanos, uma ouvidoria especial para lidar com as denúncias, além de um núcleo de acolhimento para as vítimas.

“Nós reconhecemos e somos solidários às vítimas e nossa prioridade é melhorar os canais de denúncia e aprimorar os mecanismos de acolhimento e apoio psicológico”, disse.
“Gradativamente também iremos mudar o currículo da universidade para que haja mais disciplinas relacionadas a direitos humanos.”

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