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Ana Maria Gonçalves, autora de “Um Defeito de Cor” vai lançar novo romance pela Editora Record
Créditos da foto: Leo Pinheiro

Ana Maria Gonçalves, autora de “Um Defeito de Cor” vai lançar novo romance pela Editora Record

Ana Maria Gonçalves, depois de anos sem publicar, revela que tem inéditos e que vai publicar o romance “Quem É Josenildo?”

Por Euler de França Belém, do Jornal Opção
Foto: Leo Pinheiro

Ana Maria Gonçalves publicou um dos mais caudalosos romances brasileiros, “Um Defeito de Cor” (Record, 952 páginas), em 2006. Millôr Fernandes, ao sugerir que se tratava do “livro mais importante da literatura brasileira” no “século 20”, contribuiu para promovê-lo.

No caso, a promoção é justa, pois Ana Maria Gonçalves, de 47 anos, escreveu um livro notável. O romanção é estória, como apreciava escrever Guimarães Rosa, e é história. É um retrato da história do país — sem a pretensão de competir com o trabalho dos historiadores — pelo prisma da invenção literária.

Se a escritora Toni Morrison lesse a obra, a promoveria, nos Estados Unidos, tal a vitalidade tanto da história em si quanto da forma que a autora encontrou para narrá-la.

Na revista “Cult”, a jornalista e escritora Bianca Santana assim o sintetiza: “O livro conta a história de Kehinde, capturada no Daomé, Benin, aos 8 anos de idade, trazida ao Brasil onde foi batizada Luiza; sua jornada de escravidão e liberdade vivida na Bahia, Maranhão, Rio de Janeiro, Santos, São Paulo, o retorno à África, a tentativa de voltar ao Brasil. Oitenta e nove anos de uma mulher negra do século 19, em sua complexidade, amores, amigos, filhos, política, trabalho, inteligência, estratégia, resiliência”. Isto e mais: é literatura refinada sobre a grossura-grosseria da escravidão.

O livraço ganhou o Prêmio Casa de las Américas, em 2007, e, apesar das quase mil páginas, vendeu 16 mil exemplares.

De repente, Ana Maria Gonçalves “desapareceu”. Morou oito anos nos Estados Unidos, escreveu muito mas nada publicou. Na entrevista à “Cult”, a autora sugere que reencontrou-se, se é que esteve perdida algum dia: “A literatura não é uma área que implica evolução. Tanto que você pode escrever um bom livro e depois outro que é nada e depois voltar a escrever outro bom. Pensar que muitos escritores hoje consagrados às vezes têm como melhoras as primeiras obras”.

“Um Defeito de Cor”, uma obra-prima, não terá obras-irmãs. O próximo livro de Ana Maria Gonçalves, “Quem É Josenildo?” (Editora Record), será um misto de romance policial e ficção científica. “É a história de um garoto de mais ou menos 13 anos, negro. Único garoto negro da classe dele, de um colégio tradicional de São Paulo. A história se passa em 2064, na comemoração de 30 anos de que São Paulo se separou do Brasil. Um dia esse garoto desaparece e deixa um bilhete que pode ser interpretado como se tivesse fugido de casa, sido sequestrado ou se matado. Três linhas de investigação, uma feita pelos pais, outra pela polícia e outra pelos amigos. Trabalho com a memória. (…) O país [São Paulo] é governado por uma memória coletiva. É implantado um chip na mente de todo mundo, e a cada memória nova se apaga uma memória antiga”.

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