terça-feira, setembro 21, 2021
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As mulheres que cultivam mandioca no Suriname para vendê-la nos Países Baixos

Tania Liew-A-Soe é a presidenta e fundadora da cooperativa agrícola Wi! Uma Fu Sranan (WUFS), que em português significa: Nós! As Mulheres do Suriname. Uma cooperativa que nasceu nas remotas comunidades da região de Brokopondo, no interior deste país caribenho que até a década de setenta era uma colônia holandesa. Lá, quase toda a população é de mulheres e crianças. Há muitos poucos homens. O emprego é escasso e eles saem para caçar durante semanas ou meses ou, no pior caso, migram a trabalhar nas zonas costeiras ou nas minas de ouro. Elas ficam para cuidar da família e da terra.

Em Brokopondo, a população é majoritariamente descendente dos quilombolas, africanos escravizados historicamente excluídos. A mandioca foi um alimento básico e muito especial que ajudava a subsistir às comunidades. Esse tubérculo presente na América Latina e o Caribe possui múltiplas formas de cozinha. “As mulheres conhecem bem como cultivar e produzir mandioca, por isso são as verdadeiras protagonistas da cadeia de valor. Graças a sua perseverança e determinação, em 2014 elas conseguiram colocar seus primeiros produtos à venda”, explica Lieuw-A-Soe por videoconferência.

O trabalho das mulheres da mandioca atraiu o interesse do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). “Elas formaram uma cooperativa e nós vimos a oportunidade de fortalecer a sua capacidade empreendedora. Chamou a nossa atenção que tinham uma visão e ambição de crescer, melhorar a produção em termos de qualidade e quantidade e envolver-se mais nas cadeias globais de valor”, explica por videochamada Michael Hennesey, especialista da Divisão de Competitividade, Tecnologia e Inovação do BID. Assim, focados no mercado e na comercialização, já não só cultivam mandioca para subsistir, mas a transformam, desenvolvendo inovadores produtos à base desse tubérculo, como pão pronto para o forno, panqueca de mandioca sem glúten ou seu famoso mingau para bebês e idosos. “No BID, cremos que é importante identificar e apoiar projetos com potencial de crescimento que melhorem vidas, e a mandioca era um produto tradicional ao qual se podia agregar valor.”

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