Atriz Heslaine Vieira trança o cabelo e alerta sobre a alopecia de tração

A atriz Heslaine Vieira, que está no ar como a Ellen na reprise de “Malhação – Viva a Diferença”, na Globo, e gravando um spin-off das protagonistas da trama para o Globoplay, mudou o cabelo e agora está usando tranças. Na primeira foto com o penteado novo divulgada em seu Instagram, ela contou que fez o procedimento com a especialista Day Santos, que usou uma técnica “indolor, camuflada e maravilhosa”, segundo a atriz. Na noite da última quarta, 16, Heslaine fez alguns Stories com a dermatologista Julia Rocha, especialista em laser e doenças do cabelo, alertando para os cuidados necessários para quem adota as tranças. O principal deles tem a ver com a alopecia de tração.

Para Universa, a dermatologista explica: “A alopecia de tração é uma forma de queda de cabelo consequente ao hábito de tensionar prolongadamente ou de maneira repetitiva os fios. Acomete de maneira mais frequente as mulheres negras em função do uso ininterrupto de penteados apertados, como as tranças, e adornos, como os turbantes, que são símbolos de uma conexão importante com a ancestralidade e relacionam-se fortemente ao processo de empoderamento de muitas meninas e mulheres”.

Julia reforça que o problema, apesar de ser mais comum entre as negras, não acontece só com elas. Qualquer mulher que usa rabos de cavalo apertados e extensões capilares (o mega hair) também estão sujeitas ao quadro. “As bailarinas e aeromoças podem ser diagnosticadas com alopecia de tração por conta do uso regular dos coques”, exemplifica. “Alisadores capilares também deixam os cabelos com maior fragilidade e com maior risco de desenvolver o quadro”, completa a médica.

A alopecia normalmente acontece na região temporal, quando é notada a presença de fios mais curtos, em menor quantidade e até mesmo falhas ou a ausência do crescimento na região. A dermatologista dá o aviso: “Muitas pessoas naturalizam o que consideramos sinais de alerta. A percepção de desconforto, dor de cabeça, presença de ‘bolinhas com pus’, descamação e vermelhidão são alguns dos sinais de que a tração está em excesso. São as fases iniciais da alopecia e é exatamente nesse estágio que é fundamental ter um diagnóstico correto, a fim de que a paciente receba as devidas orientações e que o dano seja reversível, não evoluindo para uma alopecia cicatricial”.

Na fase mais tardia do problema, que ocorre quando os hábitos não são modificados e o processo inflamatório não é cessado adequadamente, os cabelos deixam de crescer na área em questão e a alopecia torna-se irreversível.

Cuidados necessários

Quem coloca tranças precisa respeitar um tempo de intervalo, isto é, precisa intercalar entre o penteado e o cabelo natural. Mas a dermatologista diz que não existe nenhum estudo científico robusto até o momento que evidencie segurança no tempo apropriado para permanecer com as tranças no cabelo, assim como quanto tempo depois de retirar é possível colocar novamente sem que ocorra danos. “Quanto mais frágil e menor a densidade dos fios, assim como mais tensão houver no penteado, maior será a probabilidade do desenvolvimento da alopecia de tração. O tipo de extensão, o tipo de cabelo e a condição prévia do couro cabeludo da paciente são fatores determinantes”, pontua.

Por isso, é importante estabelecer um diálogo com a sua dermatologista para que algumas instruções do uso do cabelo de maneira menos tracionada sejam fornecidas. A profissional vai acompanhar o processo e identificar caso algum problema esteja surgindo. Nas fases iniciais, quando há presença de pus, vermelhidão e descamação, algumas medicações podem ser feitas para diminuir a inflamação. Mas, no caso de uma paciente numa fase mais avançada do quadro, são poucas as possibilidades terapêuticas que de fato levem ao crescimento de cabelo na área.

Cabelo e autoconhecimento

A atriz Heslaine Vieira disse para Universa que, a partir do momento que decidiu fazer transição capilar e esse processo de autoconhecimento foi aflorando, ela começou a buscar formas diferentes de se conectar com as possibilidades do crespo. “O nosso cabelo é nossa identidade e a autoestima também está ligada a se reconhecer”, declarou.

A dermatologista Julia Rocha, com quem ela já se consulta há bastante tempo, ajudou na decisão das tranças. “Ela já havia conversado comigo sobre o perigo da alopecia de tração justamente porque sabe do meu amor por mudanças”, conta a atriz. “Tudo pode, se bem orientado e observado, e essa foi a maior lição que tirei das nossas conversas. É incrível usar o cabelo de formas e jeitos diferentes, mas é claro que existem alguns cuidados a serem tomados”, ressalta.

Heslaine define as tranças como um símbolo de resistência: “Sempre que mudo, minha autoestima acompanha a mudança. Nossas ancestrais usavam o cabelo trançado para além de estilo, estética ou cultura. As tranças nagô eram usadas para identificar tribos, origem, religião, posição social… É uma conexão com as minhas raízes”.

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