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Cerca de dois homossexuais são mortos na Paraíba por mês

Dados foram divulgados nesta terça-feira (18) pelo grupo MEL da capital

Paraíba ocupa o segundo lugar no ranking nacional com 19 crimes do tipo.

 

Cerca de dois homossexuais são assassinados por mês na Paraíba. É o que mostra o levantamento divulgado nesta terça-feira (18) pelo ONG Movimento do Espírito Lilás (MEL). Em dez meses, 18 pessoas foram mortas no estado. O presidente do MEL, Renan Palmeira, informou que o número pode ser muito maior porque os dados são referentes a apenas oito dos 223 municípios da Paraíba.

O caso mais recente aconteceu no último domingo (16) no município de Patos, no Sertão da Paraíba. O travesti José de Arimatéia da Silva, de 27 anos, foi morto a tiros por trás da estação ferroviária da cidade. Até às 21h desta terça-feira os suspeitos do crime não haviam sido capturados.

De acordo com o levantamento do Grupo Gay da Bahia (GGB), organização que contabiliza e estuda os crimes homofóbicos em todo o Brasil, a Paraíba está em segundo lugar no ranking nacional de crimes cometidos com motivação homofóbica. O estado de Pernambuco ocupa o primeiro lugar com 19 crimes. A Bahia e São Paulo dividem a terceira posição, cada um com 17 homicídios.

“O caso mais grave é o da Paraíba. Qual é a população desse estado? É muito inferior ao estado de Pernambuco. Em números relativos os crime cometidos na Paraíba ultrapassam os registrados em Pernambuco”, disse Mott. De acordo com os dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população da Paraíba conta com 3.753.633 habitantes. Já Pernambuco tem 8.541.250, pouco mais do dobro da população da Paraíba.

Levantamento na Paraíba

O presidente do MEL, Renan Palmeira, explicou que no período de dois meses, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Paraíba (OAB-PB) e do MEL visitaram oito municípios paraibanos para juntos realizarem um levantamento dos crimes contra homossexuais. Foram visitadas as delegacias de Santa Rita, Sousa, Patos, Bananeiras, Campina Grande, Queimadas, Cabedelo e João Pessoa.

“Não existe um levantamento oficial. Nós viajamos com recursos próprios para realizar a primeira parte do levantamento”, disse Renan Palmeira. O G1 divulgou em agosto uma tabela com 12 crimes. Entre eles estava caso do heterossexual Marx Nunes, de 25 anos, que morreu quando tentava defender um homossexual que estava sendo agredido na Praia do Jacaré, na Grande João Pessoa.

Com o novo levantamento, o grupo constatou mais dois crimes registrados antes de agosto em João Pessoa. A travesti conhecida por Geruza foi morta em 1º de fevereiro. Já em março uma lésbica foi encontrada morta na casa de duas amigas. Em agosto, o travesti Alexandro Lourenço Gonçalves foi assassinado a tiros no Bairro São José, na capital.

Em Bananeiras, no Brejo da Paraíba, o homossexual Djair Pereira Cime, de 53 anos, morreu após ser espancado dentro da própria casa. O rosto da vítima ficou desfigurado. O crime aconteceu em 12 de junho. Em Santa Rita, na Grande João Pessoa, o homossexual Eliézer Gama dos Santos, de 35 anos, foi morto a tiros e, de acordo com o relatório da polícia, teve a cabeça esmagada por uma pedra. O crime aconteceu em 17 de setembro. Os suspeitos dos crimes seguem foragidos.

O delegado Marcelo Falcone, que trabalhou cerca de dois anos na Delegacia Especializada em Crimes Homofóbicos em João Pessoa, explicou que os crimes contra os homossexuais são mais bárbaros. “Os assassinos querem punir as pessoas pela orientação sexual. É possível observar requinte de crueldade”, disse o delegado.

A previsão de Renan Palmeira é que ainda este ano os representantes do MEL e da OAB-PB visitem os municípios do Alto Sertão paraibano. Renan acredita que a Paraíba vai fechar o ano com mais de 20 assassinatos por homofobia. “Infelizmente a realidade é que este ano o número de mortes por homofobia é muito maior que os outros anos. Este é um ano vermelho”, lamentou. Em 2010, o GGB contabilizou 260 homicídios no país, sendo 11 deles na Paraíba.

Agressão

Além dos homicídios, a comissão também coletou dados referentes às agressões físicas sofridas por homossexuais, mas Renan informou que teve dificuldades para obter os dados. “As delegacias, principalmente as do interior do estado, não estão preparadas para ouvir as queixas dos homossexuais. Eles acabam, muitas vezes, sendo ridicularizados e para não passar por nenhum constrangimento deixam de prestar queixa”, disse.

Na Paraíba existe uma Delegacia Especializada em Combate a Homofobia e um Centro de Referência LGBT. Eles funcionam em João Pessoa e por isso o MEL reivindica a implantação de mais unidades em outras cidades do estado. “Nós também queremos abrigos. Isto porque muitos homossexuais são expulsos de casa e acabam se prostituindo”, disse.

Conscientização

O presidente do MEL acredita que a solução para o fim da homofóbia é através da conscientização da população por meio de políticas públicas. “O deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) está querendo apresentar a situação da Paraíba na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal e que sejam dadas as devidas explicações para os números”, segundo Renan devem ser convidados o presidente da Comissão Homoafetiva da OAB, José Neto, a secretária da Mulher e da Diversidade Humana, Iraê Lucena, e o secretário de Segurança e da Defesa Social, Cláudio Lima.

No dia 6 de novembro será realizada a 10ª Parada Pela Diversidade Sexual em João Pessoa. “Nós estamos preparando uma panfletagem para esclarecer à população porque é preciso combater a homofobia todos os dias”, finalizou Renan Palmeira.

 

 

Fonte: G1

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