Escrever-me

Minha irmã Cláudia comentou que ando escrevendo com frequência sobre a morte. Tá demais, disse. Ela tem razão, a morte entrou firme nas minhas pautas. Sei o motivo: acúmulo de perdas importantes, a última delas, a do meu cachorro, Chico. Ademais por acreditar que falamos pouco sobre o fim, por conta do medo e do pudor. Mas a Cláudia é minha leitora assídua, daí prometi refletir sobre o está demais.

Por Fernanda Pompeu, do Yahoo

Em encontros presenciais e digitais, amigas e amigos leitores, às vezes, me sugerem temas para vestir minhas crônicas. Em geral, bons assuntos. O amor entre mulheres, o casamento da síndica com o porteiro, a derrocada do bom senso dos brasileiros, o passamento da bezerra, entre listas de outros. Quando eu tentava ser romancista (tentei por duas vezes), algumas pessoas me diziam: Puxa, minha vida dá um romance. Agora que sou cronista – escriba de textos curtos, de rés-do-chão – encho malas e mochilas com sugestões.

Mas o fato é que não rola. A ideia generosamente ofertada pode ser original, brilhante até. Porém não funciona. Para que um tema vista uma crônica, ele precisa ter o número do meu manequim. Mais claro, a história necessita escrever-se antes em mim. Passar por dentro da cabeça, do coração, das tripas. Apesar de ser arriscado generalizar, tenho alguma certeza de que os escritores sempre escrevem sobre os seus temas.

Também tenho pouca dúvida que os temas escolhem a escritora e nunca o inverso. Outro dia, passeando pelo domingo no bairro da Liberdade, esse lugarzinho de Sampa que se pensa oriental, parei e comi o oniguri – bolinho de arroz japonês. Enquanto degustava pensei fazer uma crônica sobre o doce mil-folhas que eu saboreava, mais de quarenta anos atrás, numa padaria na rua Joaquim Távora, em Niterói.

Veja como são as coisas: o mil-folhas, não o oniguri, está internalizado no meu subsolo. Bem como o subsolo da carioca Central do Brasil, onde meu avô postiço e judeu tinha uma sapataria. Sempre lembro do vô Júlio quando transito pela paulistana Estação da Luz. Preciso escrever uma crônica sobre a vida na Sapataria Carneiro.

Imagem: Régine Ferrandis

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