segunda-feira, novembro 28, 2022
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Estudantes acusam ex-diretora da Unifesp de racismo

Sete alunos foram convocados para depor na Polícia Federal, após ter ocorrido uma pichação que denunciava atitudes racistas na instituição

Do Sinpro Campinas

Um grupo de alunos do Campus de Santos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) protestou em frente à sede da Polícia Federal na cidade, nestaquarta-feira (12). O protesto é contra a convocação de sete estudantes acusados de “depredação do patrimônio público, desacato a autoridade, injúria e difamação”, em um processo movido pela ex-diretora do campus, Regina Célia Spaladari. Os depoimentos estão sendo tomados nesta semana.

O caso aconteceu após alunos picharem nos muros do campus frases acusando a reitoria de racismo. Damisio Ajamu, estudante de Serviço Social, disse que a pichação foi só a última etapa de uma série de protestos que estavam sendo censurados pela reitoria do campus.

“Desde 2013 estamos tendo problemas com atitudes racistas da direção e não obtivemos nenhuma resposta. No início do ano passado uma estudante negra foi pintada de branco por um aluno que disse que ‘somente assim’ ela poderia estudar ali porque ‘a universidade era branca’”, contou.

O estudante afirmou ainda que o início do problema foi quando, durante a II Semana de Consciência Negra organizada pelos alunos, em novembro do ano passado, a então diretora do campus Regina Célia Spaladari, acompanhada por dois seguranças, expulsou algumas crianças e adolescentes moradores da comunidade, que estavam em uma das atividades abertas ao público no campus.

“Depois, duas alunas negras que estavam utilizando o laboratório tiveram que mostrar seus RGs [à diretora], quando isso não foi pedido para nenhuma das outras pessoas que estavam no mesmo local”, explicou. Após isso, segundo Ajamu, os alunos começaram a colar cartazes contra o racismo na Unifesp, os quais foram retirados pela direção por duas vezes, e isso culminou com a pichação no campus.

Ao mesmo tempo em que se abriu uma sindicância interna para a investigação desses acontecimentos, a diretora Regina Célia abriu também o processo na Polícia Federal.

Damísio diz que nenhum dos autuados estavam no momento da pichação e lamenta que a discussão sobre o racismo continua marginalizada pela instituição.

“A pichação da porta está tendo muito mais espaço do que os atos de racismo que estavam sem resposta pela universidade. Precisamos debater o racismo na instituição e saber qual o papel que ela quer ter na sociedade”, finalizou Ajamu.

O outro lado

Em nota, a Unifesp declarou que, dentro do âmbito institucional, promoveu “vários momentos de discussão coletiva sobre todo o fato, culminando com a realização de uma Congregação Extraordinária, na qual as diferentes posições e entendimentos puderam ser expressos”.

Além disso, a nota aponta que o processo na Polícia Federal “não foi uma ação institucional, mas sim uma atitude tomada pela diretora utilizando de seu direito como cidadã”.

A ex-diretora Regina Célia, em entrevista ao Estado de S. Paulo, negou ter cometido atos racistas. Após cumprir o tempo de mandato, ela foi substituída do cargo.

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