Jovem é agredido na orla em Santos (SP) por ser gay: “Até quando vão nos matar?”

Estudante estava na praia quando um grupo de seis homens o espancaram, “foram chutes no estomago e na cabeça, socos na cara e muita crueldade e covardia”

Do Portal Fórum

Foto: Reprodução/Facebook

O estudante de publicidade Lucas Acacio estava na praia de Santos, litoral de São Paulo, na última sexta-feira (6), quando foi vítima de uma agressão homofóbica. Lucas saiu do mar e foi pedir um isqueiro para uns rapazes que estavam na orla. “Lembro de um grupo de pessoas mexendo comigo, me zoando pelos meus trejeitos e voz. Depois lembro de levantar do chão, pegar minhas coisas e gritar pra minha amiga correr dali se não eu iria morrer”, escreveu o jovem em um relato nas redes sociais, que viralizou. Até o momento do fechamento desta nota, já eram quase 12 mil compartilhamentos e 30 mil reações.

Lucas contou ao Uol que quando pediu o isqueiro os homens foram hostis. “Eu falei para a minha amiga o que tinha acontecido, ela não gostou e foi reclamar com eles. Eles chegaram a bater nela e eu fui defendê-la. Disseram para ela ‘seu namoradinho vai apanhar para parar de ser veado’ e começaram a me bater.”

Em seu desabafo, o estudante diz que “o grupo de homens aumentava e a única pessoa que se propôs a nos ajudar foi um morador de rua, que chorando, pediu para entrarmos em qualquer ônibus”. Leia a seguir.

No que você está pensando,
Lucas ?

Estou pensando quantas vezes mais eu vou apanhar ou sofrer qualquer tipo de agressão por uma escolha que não fiz. Antes do ultimo jogo do Brasil lembro de um grupo de pessoas mexendo comigo, me zoando pelos meus trejeitos e voz. Depois lembro de levantar do chão, pegar minhas coisas e gritar pra minha amiga correr dali se não eu iria morrer. O grupo de homens aumentava e a única pessoa que se propôs a nos ajudar foi um morador de rua, que chorando, pediu para entrarmos em qualquer ônibus ali na orla em Santos e descer em qualquer lugar bem lá na frente.
Tenho dores em todo o meu corpo, sinto dificuldades nas mais simples atividades. Não aconteceu o pior, só restaram hematomas e dores musculares para tratar e como fiquei inconsciente não me lembro de nada enquanto estava sendo espancado, mas foram chutes no estomago e na cabeça, socos na cara e muita crueldade e covardia de 6 homens.

Não ia postar nada, nem falei isso pra ninguém na intenção de apenas esquecer tudo e aproveitar o resto das férias, mas acabei vendo um vídeo onde um pastor diz expulsar um espirito homossexual da casa de uma mãe fiel e enquanto todos na time line estavam rindo da situação, comecei a chorar. Chorar desesperadamente por saber que essa mãe acredita que seu filho tem um espirito ruim que o torna homossexual. A religião nos demoniza de uma forma bizarra e eu fico perplexo. Perplexo também por saber que hoje temos informações postas em nossas mãos e as pessoas ignoram tudo parar seguir dogmas que matam pessoas e deixam a sociedade doente. Esse é o objetivo de seu Deus ? 

Não foi a primeira agressão que sofri esse ano, quem dirá na vida, mas até quando ? Até quando vão nos matar por sermos do jeito que somos ? Até quando vão ignorar o problema ?
Em 2017, 445 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais foram mortos em crimes motivados por homofobia, o número representa uma vítima a cada 19 horas (fonte GGB). 
Você ai que diz que respeita mas não aceita, que apoia Bolsonaro e seu discurso, que assovia pra mulher na rua, que usa “viado” como xingamento pejorativo, que segue Silas Malafaia, vocês QUE NÃO PARAM UM SEGUNDO PRA OUVIR E SER EMPÁTICO E USAR A INTERNET PRA PESQUISAR UM ASSUNTO SÉRIO ANTES DE VIR COM UM DISCURSO SEM BASE e vocês que não moveram a bunda da cadeira pra ajudar um jovem sendo espancado por 6 caras enquanto sua amiga não podia fazer nada. TODOS VOCÊS são culpados por todas essas mortes e por cada cicatriz que ficará no meu corpo.

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