Movimentos pedem canais seguros para denunciar violência policial em São Paulo

Ouvidoria com poder de investigação seria caminho institucional. Casos de ameaças depois de denúncias na Corregedoria foram informados ao secretário Fernando Grella durante reunião com ativistas

Grupos da sociedade afirmam que denunciantes de violência policial são ameaçados logo após a delação

Uma comissão de representantes do Periferia Ativa e do Comitê Contra o Genocídio, grupos que atuam contra a violência policial, exigiram hoje (20), durante reunião com o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, a abertura de vias seguras de denúncia. Segundo os ativistas, a delação feita aos chefes dos batalhões perde o sigilo e se transforma em ameaça feita pelos denunciados contra os autores da informação.

Além da perícia ineficiente, o medo de falar é um dos principais entraves para o avanço das investigações envolvendo policiais. “A pessoa vai na Corregedoria e faz uma denúncia. Quando chega em casa tem uma viatura esperando ela lá para ameaçar. O que nós propomos é que essa informação seja realmente segura”, afirmou Gilson Garcia, da coordenação do Periferia Ativa, após a reunião com o secretário, que não conversou com a imprensa.

Os movimentos afirmam ter dezenas de informações passadas por familiares ou testemunhas de crimes que se sentem acuadas em dar depoimentos formais.

Segundo os ativistas, o corregedor da Polícia Militar se dispôs a ouvir todos os casos levados pelo grupo e garantiu total segurança. No entanto, os movimentos reivindicam um caminho institucional que possa ser acessado pela população em geral.

Esse caminho seria a Ouvidoria das Polícias, que nos últimos anos, conforme avaliam, passou por um desmonte. O cargo de ouvidor é escolhido a partir de uma lista tríplice formada por representantes da sociedade civil. No ano passado, a relação apresentada foi recusada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Com isso, o ouvidor Luiz Gonzaga Dantas atua de forma interina. “Uma solução permanente passaria por atribuições de poder maiores para o órgão, porque ela é um órgão autônomo. A Corregedoria é um órgão interno da Polícia Militar. A Ouvidoria é da sociedade civil. Só que ela não tem poder investigativo próprio e está esvaziada politicamente”, afirma Guilherme Boulos, do Periferia Ativa.

Os ativistas também reivindicaram a retomada dos trabalhos da Comissão Especial da Redução da Letalidade da Secretaria de Segurança Pública. O órgão estaria desativado há pelo menos três anos, prejudicando a possibilidade de reverter as altas taxas de violência da polícia. Segundo a assessoria da SSP, o grupo será reativado, mas ainda assim outras ações foram tomadas para reduzir o nível de crimes cometidos por policiais. Apenas este ano, 40 agentes envolvidos em homicídio foram presos.

“Nossa proposta é que os casos não sejam investigados de forma pontual. Toda a sociedade não vai ter esse contato direto com o Corregedor e, se a polícia continuar tendo essas maçãs podres, que são os grupos de extermínio, não vão ter meios para denunciar”, afirma Caroline Borges, do Comitê Contra o Genocídio.

 

 

VIOLÊNCIA RACIAL: Uma leitura sobre os dados de homicídios no Brasil

Cobertura da onda de violência em São Paulo evidencia preconceitos da mídia

Manifesto de repúdio à violência da política de segurança em São Paulo

São Paulo reage à violência policial

Violência cresce sem combate à corrupção policial em São Paulo

 

Fonte: Rede Brasil Atual

+ sobre o tema

Estudo mostra o impacto do fator racial materno no desenvolvimento infantil

O ganho de peso e o crescimento dos filhos está diretamente relacionado ao fator etnorracial...

Documentário aborda o apagamento da negritude de Chiquinha Gonzaga

A trajetória de Chiquinha Gonzaga (1847-1935) é analisada sob...

Brasil tem mais de um milhão de casos de dengue este ano

Desde o início do ano, o Brasil registrou 1.017.278...

Representatividade negra importa

Frederick Douglass, W.E.B Du Bois, Rosa Parks, Toni Morrison, Audre Lorde,...

para lembrar

O caso Marielle Franco e a reação da ONU

Marielle Franco, vereadora eleita na cidade do Rio de...

Anistia Internacional grava vídeo comovente com parentes de Marielle Franco. Veja aqui

Por ocasião dos quatro meses do assassinato de Marielle...

Governo federal oferece proteção à Mônica Benício, viúva de Marielle Franco

O Ministério dos Direitos Humanos vai incluir a arquiteta...
spot_imgspot_img

Um guia para entender o Holocausto e por que ele é lembrado em 27 de janeiro

O Holocausto foi um período da história na época da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando milhões de judeus foram assassinados por serem quem eram. Os assassinatos foram...

Caso Marielle: mandante da morte de vereadora teria foro privilegiado; entenda

O acordo de delação premiada do ex-policial militar Ronnie Lessa, acusado de ser o autor dos disparos contra a vereadora Marielle Franco (PSOL), não ocorreu do dia...

Pacto em torno do Império da Lei

Uma policial militar assiste, absolutamente passiva, a um homem armado (depois identificado como investigador) perseguir e ameaçar um jovem negro na saída de uma...
-+=