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Novas e velhas polêmicas acerca do ponto G feminino

Há muito disse me disse; só 1/3 das mulheres o conhece

Por FÁTIMA OLIVEIRA

Nos meios científicos aportaram novas polêmicas sobre o ponto G feminino, descrito pela primeira vez em 1950 pelo médico alemão Ernst Grafenberg no artigo “A função da uretra no orgasmo feminino”: “Há uma zona erógena na parede anterior da vagina no trajeto da uretra, formada por um tecido erétil – semelhante ao corpo esponjoso do pênis, cujas dimensões aumentam durante a excitação sexual -, capaz de proporcionar um grande prazer ao ser estimulada, fazendo com que as mulheres alcancem o orgasmo mais facilmente” (“Jornal Internacional de Sexologia”).

O ponto G nunca foi consenso, porém conceitualmente se estabeleceu não como um “órgão”, mas como uma área rugosa no interior do canal vaginal, a três centímetros da entrada da vagina, embaixo do púbis; ou seja, na parede anterior da vagina.

É uma zona erógena de alta sensibilidade: uma concentração de terminações nervosas, glândulas e vasos sanguíneos que, quando estimulada, produz excitações indizíveis e orgasmos daqueles de ver estrelas. Há muito disse me disse sobre o ponto G. Para alguns, só 33% das mulheres o possuem. Para o ginecologista francês Sylvain Mimoun, “é possível que todas as mulheres tenham ponto G, mas apenas 1/3 delas o conhece”. Entre pessoas leigas, duvidar quem há de? A mulher que não descobriu o seu, cala. A troco de que sair dizendo que é uma sem-ponto G?

O ginecologista e sexólogo italiano Emmanuele Jannini publicou na “New Scientist” (2008) dados de pesquisa pioneira e única com 18 mulheres, em que identificou o ponto G por ultrassonografia. Em nove mulheres que relataram orgasmos vaginais, havia nítido espessamento do tecido uretrovaginal.

Em 4 de janeiro de 2010, os noticiários bradaram: “Ponto G ‘não existe’, dizem cientistas britânicos”, com base numa pesquisa do King’s College, de Londres, disponível em “The Journal of Sexual Medicine”, com dados de 1.804 mulheres, de 23 a 83 anos, gêmeas univitelinas e fraternas, cuja conclusão é mais cautelosa que as manchetes: “O ponto G pode não existir”.

Andrea Burri, coordenadora da pesquisa, disse: “Chega a ser irresponsável afirmar a existência de uma entidade que nunca foi comprovada”. Tim Spector, coautor do estudo, disse mais: “Esse é de longe o maior estudo já realizado sobre o assunto e mostra, de forma conclusiva, que a ideia do ponto G é subjetiva”. A sexóloga Beverley Whipple destaca falhas metodológicas: o questionário não foi aplicado a lésbicas e nem a bissexuais para analisar os efeitos de diferentes práticas sexuais e que “o maior problema com essas conclusões é que gêmeas, normalmente, não têm o mesmo parceiro sexual”.

Numa conferência em Paris, em 29 de janeiro último, a pesquisa britânica foi taxada de abordagem totalitária da sexualidade feminina. Pierre Foldès, cirurgião e coautor de uma técnica para reparar danos de excisões do clitóris, declarou que a pesquisa se baseou na ideia equivocada de que todos os pontos G seriam similares e que “o estudo mostra falta de respeito em relação ao que as mulheres dizem. As conclusões são completamente erradas, pois se baseiam somente em observações de ordem genética. Há variabilidades na sexualidade feminina”.

Sylvain Mimoun, organizador da conferência em Paris, é categórico: “Se uma paciente perguntar onde está seu ponto G, eu mostro. Qualquer que seja a maneira como chamamos essa zona sensível, G, M ou B, podemos estar certos de sua existência, fica a uma distância de cerca de três centímetros da entrada da vagina”.

Fonte: O Tempo

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