O Racismo no futebol e a coragem de Evra

por Fernando Graziani

No final do ano passado a Federação Inglesa de Futebol anunciou depois de quase dois meses de investigações a suspensão por oito jogos do atacante Luis Suárez, do Liverpool. A acusação foi de racismo e partiu de Patrice Evra, francês que atua no Manchester United, logo depois de partida do dia 15 de outubro de 2011. Evra afirmou ter sido xingado com teor racista pelo menos por dez vezes durante o jogo pelo uruguaio.

A punição é absolutamente exemplar e ocorre poucos dias depois do presidente da Fifa, Joseph Blatter, ter afirmado de forma patética que o racismo não existe no futebol. De acordo com o dirigente, que precisou pedir desculpas posteriormente diante da repercussão negativa que tiveram suas palavras, eventuais ofensas dentro de campo podem ser resolvidas com um simples aperto de mão após o apito final do árbitro.

Além de exemplar, a suspensão de Suárez é emblemática. O futebol e suas relações no mundo todo são reflexos naturais de uma sociedade sabidamente cheia de preconceitos (em todas as suas variações possíveis) e hipocrisia. Convivemos com o racismo diariamente e quando punições são atribuídas com apuração e provas é necessário dar o devido valor e reconhecer méritos. Claro que estamos falando de esporte, de disputa e de necessidade de ser superior em um jogo, mas jamais ofensas deste nível devem fazer parte de táticas vitoriosas ou solucionadas apenas com um aperto de mão.

No meio de tantos fatos lamentáveis no episódio (de acordo com o relatório da Federação Inglesa citado pelo jornal Marca, da Espanha, Suárez disse, entre outras coisas: “Te pego porque é negro” e “Não falo com negros”), vale destacar dois exemplos. O primeiro é do jogador Evra, extremamente corajoso e digno ao relatar para o mundo ter sofrido uma ofensa cruel. O segundo é o da Federação Inglesa, com sua conduta severa.

Os investigadores elaboraram um relatório de 115 páginas sobre o episódio, documento que está sendo chamado de devastador porque tanto serviu como base do julgamento da comissão regulamentária inglesa, como agora coloca em risco até a possibilidade do Liverpool recorrer da punição ao seu jogador.

 

Fonte: O Povo

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