terça-feira, setembro 21, 2021
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Peças que compõem trajetória de 20 anos do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos são lidas por grupos teatrais

Algumas peças, que marcaram o percurso do Núcleo Bartolomeu, serão lidas por companhias que acompanharam de alguma forma o grupo nessa trajetória….: Bartolomeu, Que Será Que Nele Deu? (Grupo Clariô de Teatro); Acordei Que Sonhava (Cia. Antropofágica); Urgência Nas Ruas (Cia. São Jorge de Variedades); Frátria Amada Brasil – Pequeno Compêndio De Lendas Urbanas (Brava Cia.); Orfeu – Uma Hip-Hópera Brasileira (Cia. do Latão) e Antígona Recortada (Cia. Livre)

Entre julho e agosto acontece mais uma etapa das comemorações pelos 20 anos de criação do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos. O grupo, que há duas décadas desenvolve uma pesquisa continuada sobre a linguagem teatro hip-hop, terá seis de seus espetáculos lidos por seis companhias de teatro de São Paulo.

As apresentações serão transmitidas no Youtube do grupo Núcleo Bartolomeu (https://www.youtube.com/user/nucleobartolomeu), às sextas-feiras, às 20h, entre 9 de julho e 13 de agosto.

Os grupos convidados são: Clariô de Teatro, Cia. Antropofágica, Cia. São Jorge de Variedades), Brava Cia., Cia. do Latão) e Cia. Livre recriaram, com suas próprias linguagens e a partir de suas perspectivas cênicas, leituras dramáticas para os espetáculos: Bartolomeu, Que Será Que Nele Deu?, Acordei Que Sonhava, Urgência Nas Ruas, Frátria Amada Brasil – Pequeno Compêndio De Lendas Urbanas, Orfeu – Uma Hip-Hópera Brasileira e Antígona Recortada.

Essas duas décadas de intenso trabalho do Núcleo Bartolomeu originaram não só uma cartografia que criou linguagem e consolidou a trajetória do grupo, mas também reflexões e um importante olhar para o futuro na formação de novos imaginários.

Além dessas atividades vão acontecer muitas outras atrações, entre elas apresentações do espetáculo “Terror E Miséria No Terceiro Milênio – Improvisando Utopias”; ZAP! Slam; estreia do espetáculo “Cabaré Hip-hop – As irmãs do Blues”; lançamento de livro com as 14 peças encenadas pelo Núcleo; e uma Festa-rito.

Aliados

Samplear, na linguagem do hip-hop, é se apropriar de um trecho de uma obra e utilizá-la para compor algo novo. O Núcleo Bartolomeu se aproveita dessa ideia para ter sua obra lida por um outro olhar, como uma forma de observar de fora a própria criação e ter um painel sobre a criação dramatúrgica do grupo.

Assim como aconteceu nas rodas de conversa realizadas entre março e abril deste ano, a ideia é trazer aliados que compartilham dos mesmos ideais, ampliando o caráter de diálogo com a comunidade.

Nesta atividade, chamada de “Nós por outres”, as peças foram escolhidas por se tratarem de espetáculos emblemáticos, que movimentaram o curso da pesquisa do Núcleo e que desenvolveram as principais matrizes do teatro hip-hop. A partir daí, foram convidados grupos com os quais o Núcleo se relacionou ao longo das duas décadas e que dialogam de alguma forma com a linguagem.

 

Serviço

Nós por outres

(releituras dramáticas)


Núcleo Bartolomeu de Depoimentos 20 anos

Programação completa em: https://linktr.ee/nucleobartolomeu

de 9 de julho a 13 de agosto de 2021

sextas-feiras, 20h

grátis

Transmissão: Facebook (https://www.facebook.com/nucleobartolomeu) e Youtube do grupo Núcleo Bartolomeu (https://www.youtube.com/user/nucleobartolomeu)


Programação:

09/07, 20h – Bartolomeu, Que Será que Nele Deu? | Grupo Clariô de Teatro

16/07, 20h – Urgência nas Ruas | Cia São Jorge de Variedades

23/07, 20h – Acordei que Sonhava | Cia Antropofágica

30/07, 20h – Frátria Amada Brasil – Um compêndio de Lendas Urbanas | Brava Cia

06/08, 20h – Orfeu – Uma Hip-Hópera Brasileira | Cia do Latão

13/08, 20h – Antígona Recortada – Cantos que contam sobre Pousos-Pássaros | Cia Livre

 

Grupos aliados

GRUPO CLARIÔ DE TEATRO

É um coletivo que busca através da cena, da troca e do debate defender a arte produzida PELA periferia, NA periferia e PARA a periferia. É um grupo marcado pela teimosia, que desde 2005 segue refletindo o teatro nas bordas da segunda maior metrópole da América Latina. Suas produções buscam traduzir as inquietações políticas e artísticas do coletivo que, sendo em sua maioria negro e oriundo de periferias, propõe um caminho de pesquisa que contribua com o debate sobre as presenças desses corpos na cena e as demandas dessa realidade social, construindo não só narrativas, mas uma estética própria, típica da “quebrada”.

CIA. ANTROPOFÁGICA

A Antropofágica é um grupo de teatro de São Paulo criado em 2002 que tem a antropofagia como princípio motivador de seu processo socioartístico. Com cerca de trinta integrantes, o grupo realiza pesquisas, peças, processos formativos e festivais em espaços culturais, escolas públicas e ruas. Contemplada diversas vezes por editais públicos como o Fomento ao Teatro, as atividades da Antropofágica caminham sempre junto à luta por políticas públicas culturais. Dentre suas realizações constam mais de trinta trabalhos artísticos, as Oficinas de Teatro e Música, o Núcleo Py de formação teatral, a Revista Bucho Ruminante, a manutenção do Espaço Pyndorama na região central e do Território Cultural Okaracy no extremo oeste. Em sua trajetória destaca-se a opção por procedimentos, autoras e textos ligados à tradição das formas híbridas na busca de uma teatralidade brasileira contemporânea, na tensão entre as esferas do teatro político, da indústria cultural e das vanguardas estéticas.

CIA. SÃO JORGE DE VARIEDADES

A Cia. São Jorge de Variedades foi criada em 1998 na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, estabelecendo uma investigação da lapidação da cena bruta através de procedimentos simples e artesanais, apoiando-se esteticamente em múltiplas referências, mas principalmente nas manifestações da cultura popular brasileira. Na busca de discutir a ética da contemporaneidade em sua diversidade e seus paradoxos, o grupo tem construído sua linguagem a partir da pesquisa e da ocupação de espaços alternativos e da rua. Na relação permeável com o público, com a música e o canto ao vivo como elementos narrativos e nas apropriações dramatúrgicas por atores-criadores, o grupo tem feito a sua arte. Seu núcleo atualmente é formado por Alexandre Krug, Georgette Fadel, Marcelo Reis, Patrícia Gifford, Paula Klein e Rogério Tarifa e projeta uma ocupação artística no bairro de Perus, em conjunto com a Comunidade Cultural Quilombaque.

BRAVA CIA.

O Grupo surgiu em 1998 e, de lá pra cá, mantém uma ação ininterrupta no extremo sul da cidade alicerçada pelo envolvimento nas lutas socioculturais da região e da cidade, na facilitação do acesso e garantia ao direito à arte e à cultura por meio de ações regulares como apresentações de espetáculos, cursos livres, debates, organização de mostras e encontros, orientação de novos grupos da região, publicações, compartilhamento dos meios de produção e forte vínculo territorial e comunitário que influenciou e influência não só o fazer teatral, mas o porquê deste fazer. Ao longo desses 22 anos de história, a Brava Companhia percorreu mais de 300 bairros da periferia da cidade, principalmente bairros da zona sul paulistana e mantém há 13 anos uma sede “Espaço Brava Companhia”, hoje localizada na região do Campo Limpo.

CIA. DO LATÃO

Grupo teatral criado em São Paulo, em 1997, cujo núcleo é formado por Sérgio de Carvalho, Helena Albergaria e Ney Piacentini. Desenvolve pesquisas sobre teatro épico, sobretudo com base na obra do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, com o objetivo de criar uma dramaturgia própria, voltada para a representação dos problemas da sociedade brasileira. Questionando os modos de trabalho dominantes na produção teatral, a Companhia do Latão investe numa experiência coletiva de criação artística. Sua prática passa pela desconstrução da hierarquia entre os membros do grupo e pela busca de uma forma igualitária de trabalho na sala de ensaios, ponto de partida para a politização do teatro.

CIA. LIVRE

A Cia. Livre trabalha coletivamente desde 2000, desenvolvendo uma práxis teatral cujo cerne reside na criação de processos de estudo, pesquisa e criação abertos ao público e com a participação ativa dos espectadores durante a investigação. Outra característica fundamental de sua prática teatral é a parceria com outros grupos de teatro e coletivos de dança, na pesquisa de linguagem cênica e na criação de processos colaborativos e de espetáculos. Em 2017 a Cia. Livre inaugura a nova CASA LIVRE, na Rua Conselheiro Brotero, 191, onde está localizada até hoje.É com esses grupos aliados e suas histórias que iremos dialogar nestas releituras. Ao longo da nossa trajetória construímos um repertório de espetáculos, que nasceram de longas pesquisas teóricas e práticas, e que sedimentaram cada qual um aspecto relevante da linguagem.

 

Sobre os espetáculos re-lidos

Bartolomeu, Que Será Que Nele Deu? foi o início de tudo. Espetáculo marco zero, onde também as primeiras contradições a partir da contracena de linguagens propostas na época como ponto de partida da investigação teatral (teatro épico x cultura hip-hop) se fizeram pungentes, nos empurrando para o próximo passo, ir para as ruas, beber na sua urgência, gerando uma pesquisa de um ano e meio: Urgência Nas Ruas (projeto contemplado na primeira edição da Lei de Fomento no ano de 2003) concomitantemente à elaboração do espetáculo Acordei Que Sonhava, livre inspiração em “A Vida É Sonho”, do dramaturgo espanhol Calderón de la Barca, e que foram os primeiros passos em direção a um entrelaçamento dos elementos que antes se confrontavam e onde o conceito de teatro hip-hop surge como prática e como nomenclatura. Em meio a essa pesquisa, passos foram dados para a odisseia Frátria Amada Brasil – Pequeno Compêndio De Lendas Urbanas, em que cada ator/atriz assumia a sua própria trajetória nas mãos e como um “Odisseu/Zé Ninguém” realizava a sua deriva, formando a cada cena um caleidoscópio do que “naquele momento” se configurava como um Brasil, ainda que cheio de contradições latentes e uma história mal passada a limpo. Atravessadas essas águas, estreou Orfeu – Uma Hip-Hópera Brasileira, obra que mergulhou nas questões latentes sobre negritude e racismo estrutural, ainda que de uma forma um pouco menos acirrada do que hoje presenciamos. Diante das novas visões dos debates raciais, a pesquisa deste espetáculo passaria por uma profunda revisão. Depois dessas pesquisas grandiosas (no mergulho e na realização), sentimos a necessidade de fazer um espetáculo de porte menor, onde os elementos da linguagem dessem conta da dramaturgia cênica de forma radical e pudéssemos ver a linguagem configurando e dando corpo à narrativa. Assim nasceu Antígona Recortada – Contos Que Cantam Sobre Pousos Pássaros, espetáculo que recebeu o Prêmio Governador do Estado na categoria Teatro.
 

O Núcleo Bartolomeu de Depoimentos

O Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, formado por Claudia Schapira, Eugênio Lima, Luaa Gabanini e Roberta Estrela D’Alva, nasceu no ano de 2000 e tem como pesquisa de linguagem o diálogo entre a cultura hip-hop, com a contundência da autorrepresentação como discurso artístico, e o teatro épico e seus recursos: o caráter narrativo, apoiado por uma dramaturgia que se configura depoimento do processo histórico; como instrumento que elucida uma concepção do mundo, e coloca o ator-narrador em face de si mesmo como objeto de pesquisa; como homem mutável; em processo, fruto do raciocínio, da reflexão.

Em 2000, estreou Bartolomeu, O Que Será que Nele Deu, o primeiro espetáculo do Núcleo, dirigido por Georgette Fadel e inspirado no romance de Herman Melville “Bartleby, O Escriturário”. Acordei Que Sonhava, uma livre adaptação de “A Vida É Sonho”, de Calderón de la Barca, foi o segundo espetáculo da companhia, estreado em 2002, dirigido por Claudia Schapira.

Entre os anos de 2002 e 2003, o Núcleo desenvolveu o projeto Urgência nas Ruas – obras-manifesto, intervenções pelas ruas de São Paulo. Esse projeto foi o primeiro a ser contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

Em 2006 estreia Frátria Amada Brasil – Pequeno Compêndio de Lendas Urbanas, espetáculo inspirado na Odisseia de Homero.

Em 2008 o projeto 5 x 4 – Particularidades Coletivas, gerou cinco espetáculos: Encontros Notáveis, 3×3 – Três DJs em busca do vinil perdido, Manifesto de Passagem – 12 Passos em Direção à Luz, Vai te Catar! e Cindi Hip-Hop – Pequena Ópera Rap.

Em 2009, o Núcleo iniciou o projeto Pajelança de Kuarup no Congá, que depois de quase três anos de intensa pesquisa resulta no espetáculo Orfeu Mestiço, uma Hip-Hópera Brasileira.

Em 2013, estreou Antígona Recortada e em 2014, BadeRna, último espetáculo realizado na sede do grupo, que foi demolida pela Ink Incorporadora e todos seus associados.

Em 2015, no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, realizou a Ocupação Arena Urbana – De onde viemos, para onde voltamos, que contou com a temporada de três obras inéditas: Memórias Impressas, Olhos Serrados e 1, 2, 3 – Quando acaba começa tudo outra vez, marcando a incursão do grupo no universo do teatro infantil.

Em maio de 2016, estreou Cassandra – Na calada da voz, uma performance teatral, trazendo à luz a violência infringida através dos tempos ao discurso feminino.

Além dos espetáculos, o Núcleo criou vários projetos, em 2008, ZAP! Zona Autônoma da Palavra, o primeiro poetry slam (campeonato de poesia) brasileiro, que deu origem ao SLAM SP e ao SLAM BR e, em 2009, DCC – Dramaturgia Concisa e Contemporânea, um espaço dedicado à criação e debate sobre produção de textos cênicos curtos e inéditos.

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