Quase metade dos nordestinos com mais de 50 anos é analfabeto

Educação foi abandonada na região durante décadas, dizem especialistas


Quase a metade das pessoas com 50 anos ou mais no Nordeste é analfabeta, segundo dados da Pnad 2009 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) divulgados na última quarta-feira (8). A taxa de analfabetismo deste grupo na região ficou em 40,1% – o índice mais alto do país. Segundo o levantamento, o Brasil possui 41,1 milhões de pessoas com mais de 50 anos. Dessas, 10,2 milhões estão na região Nordeste – e 4,08 milhões são analfabetas.

A média brasileira de analfabetos nesta faixa etária é de 21% (17 milhões de indivíduos) – ou seja, uma em cada cinco pessoas com mais de 50 anos não sabe ler ou escrever. No total, o Brasil tem 14,1 milhões de pessoas acima dos 15 anos que precisam ser alfabetizadas, número igual a 9,7% da população nesta faixa etária.

Uma série de fatores históricos colocou o Nordeste nesta situação. A primeira lembrada pelos especialistas ouvidos pelo R7 é a ausência de políticas públicas em educação durante décadas nesta região.

Outros pontos citados são: longas distâncias entre escola e comunidade, principalmente na zona rural; dificuldade dos trabalhadores em conciliar o trabalho com os estudos; e falta de profissionais qualificados para ensinar jovens e adultos.

Alguns Estados, como Pernambuco e Bahia, fizeram investimentos pesados nesta área nos últimos anos e conseguiram resultados significativos. Até 2007, o governo pernambucano alfabetizava, em média, 30 mil jovens e adultos anualmente – incluindo aí todos os maiores de 15 anos. Em 2009, foram 120 mil pessoas, o que equivale a quase 10% da população total de Recife.

Para Vera Capucho, coordenadora do programa de alfabetização de jovens e adultos de Pernambuco, o avanço se deu pela aproximação das políticas federal e estadual, “que agora agem unidas para o atendimento à população”.

Elenir Alves, coordenadora do Todos pela Alfabetização, programa do governo da Bahia, diz que em 2006 cerca de 42,8% das pessoas com 50 anos ou mais eram analfabetas no Estado. Hoje, afirma ela, são 37,3% – queda de três pontos percentuais, “sendo que é preciso levar em conta o envelhecimento da população”.

– No total, havia 2,4 milhões de pessoas em 2006 nessa faixa etária. Em 2009, são 2,8 milhões. O índice de analfabetismo tenderia a aumentar porque há mais gente no grupo. No entanto, conseguimos uma redução significativa.

Peculiaridades

O analfabetismo na área rural da Bahia chega a 57%, conta Elenir. Para atender a esse público, o governo já treinou 43 mil alfabetizadores. O novo modelo de ensino atingiu quase 200 mil pessoas até agora. A maioria, adultos que trabalhavam no campo.

– Qualquer programa dessa dimensão precisa respeitar as diversidades locais. O programa tem que estar antenado com as várias “Bahias”.

O plantio do cravo, por exemplo, é uma das peculiaridades do sistema educacional do Estado. Na época de plantar e colher, os trabalhadores ficam no campo.

– Não adianta dizer que as aulas vão de janeiro a setembro, porque o pessoal precisa trabalhar. Se o calendário é muito engessado, você tem abandono escolar.

Fonte: R7

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