terça-feira, setembro 21, 2021
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Quatro páginas do Facebook para conhecer mulheres incríveis

Sinto desapontar quem chegou aqui achando que receberia dicas de cantadas ou links para páginas do Facebook de gosto duvidoso. Esta semana, voltou a bombar na minha timeline a página “Moça, você é maneira”. Existe já há tempos: a página está no ar desde fevereiro de 2013, com o objetivo (já diz a descrição) de “celebrar as mulheres em todas as suas formas, escolhas e feitos.” Quase diariamente são publicadas pequenas biografias de mulheres ilustres do passado ou do presente, que se destacaram em sua área de atuação. São mulheres cientistas (como a biofísica Rosalind Franklin), atrizes (Hedy Lamarr), atletas (Marta), cantoras (Elza Soares), primatologistas (Jane Goodall).  Até a Palmirinha, a culinarista mais querida do Brasil, está lá. E com muito mérito.

Por RAFAEL CISCATI

A página veio em boa hora: há poucas semanas, o Facebook divulgou um relatório de diversidade da empresa. Segundo seus dados, meros 31% do seu quadro global de funcionários são mulheres. Número semelhante se repete no Google (30%) e no Yahoo (37%), que divulgaram seus dados recentemente. A diversidade – de gênero, étnica e de experiências – dentro das empresas faz bem para os negócios, mas ainda é assunto delicado no mundo da tecnologia. Diante de números assim, é bacana lembrar que mulheres, em diferentes épocas, conquistaram espaços em carreiras tão distintas, em campos muitas vezes dominados por homens. Suas histórias servem de inspiração. E justamente inspirado pelo “Moça, você é maneira”, decidi reunir outras três páginas no Facebook para ficar de olho, com informações sobre mulheres que se esforçam para criar um mundo mais diverso e livre – para elas e para os homens.

1 – Moça, você é maneira.

A página que inspirou a lista está no ar desde o ano passado e foi curtida mais de 16 mil vezes. Em sua publicação mais recente, conta um pouco da história de Rosalind Franklin, a biofísica britânica que começou a carreira em uma época em que os trabalhos das mulheres no campo não eram reconhecidos. Vale conferir.

2 – Stealthy Freedom

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A situação das mulheres no Irã e mais complexa do que pode parecer à primeira vista. Historicamente, a sociedade iraniana se orgulha de suas mulheres fortes – o passado persa ainda ecoa no imaginário do país, lembrando tempos em que as mulheres gozavam de autoridade nas decisões nacionais.  Ainda hoje, as mulheres são maioria no ensino universitário e as iranianas podem dirigir e praticar esportes, coisas proibidas em outros países do Golfo Pérsico . Mesmo assim, pesam sobre elas diversas restrições. A mais conhecida é a da obrigatoriedade do uso do hijab, o véu, em público.

Na página My Stealthy Freedom (algo como Minha liberdade furtiva, em tradução livre) a jornalista iraniana baseada em Londres Masih Alinejad aborda a questão. Diariamente, a página recebe fotos de mulheres iranianas posando, em lugares públicos, sem o hijab. Sempre às escondidas. O ato parece simples, mas constitui uma contravenção – em casos recentes, mulheres iranianas foram parar na cadeia por aparecer sem véu em vídeos do youtube.

No mundo islâmico, é importante lembrar, os sentimentos em relação ao véu são distintos. Ele não necessariamente representa uma restrição imposta às mulheres. Para as iranianas do My Stealthy Freedom, no entanto, é um símbolo da liberdade de que não podem desfrutar – a não ser às escondidas.

3- A Beautiful Body Project

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A fotógrafa americana Jade Beall entrou em depressão depois de seu filho nascer. Não que ela não gostasse da criança. O menino era lindo e saudável. Jade esperara por ele e o amava. Mas não estava feliz. Quando se olhava no espelho, Jade não reconhecia o próprio corpo. Ela engordara e sobravam marcas, resultados da gestação. Pra se recuperar, decidiu fazer aquilo em que encontrava mais prazer: fotografar. Jade trancou-se no estúdio e tirou uma foto nua. Publicou-a na internet crua, sem retoques. A intenção era compreender que aquele era seu corpo – o corpo de uma mulher normal, de uma mãe que acabara de dar à luz – e que ela era linda assim, sem retoques. A foto de Jade encorajou mulheres em todo o mundo a fazer o mesmo. Ao longo dos meses seguintes, diversas mães posaram para as lentes de Jade ou lhe enviaram suas fotos, mostrando a beleza dos corpos maternos. Com o material, Jade deu início ao Beautiful Body Project, um projeto fotográfico destinado a encontrar a beleza real: aquela que incluiu marcas e cicatrizes, aquela que se permite contar histórias deixadas na pele. Quem quiser pode acompanhá-lo pelo Facebook.

4- Lady’s Comics

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Na semana passada, a Marvel Comics – a editora Americana que publica as histórias do X-Men, dos Vigadores e de mais uma centena de heróis – decidiu que um novo personagem deveria ocupar o posto de Thor, o rei do trovão. O Mjölnir será empunhado por uma mulher. Trata-se de uma mudança importante em um dos personagens mais antigos da casa.

Visto pela indústria como um universo voltado para leitores homens e jovens, o mundo dos quadrinhos se notabilizou pela falta de diversidade entre seus heróis. Apesar da variedade dos poderes, por baixo da máscara, a maioria se parece: são homens, brancos e heterossexuais. A Marvel dá mostras de querer forçar uma mudança estratégica: além da Thor, anunciou que o novo Capitão América será um homem negro. São todas mudanças muito benvindas: é importante que diferentes grupos sejam representados nas ficções. E é importante que autores com origens e experiências diferentes encontrem espaço nessa indústria. É mais ou menos essa a discussão da  Lady’s Comics, página no Facebook do blog de mesmo nome. Ali, fala-se sobre as “mulheres que estão presentes (ou já se foram) no universo da banda desenhada”. Ótimo para conhecer o trabalho de artistas brasileiras.

Essas quatro páginas fazem parte de um universo de milhares. Sentiu falta de algo que vale a recomendação? Deixe a dica nos comentários.

 

 

Fonte: Época

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