terça-feira, janeiro 26, 2021

Tag: artigos e reflexões

Quero que minha filha reconheça e ame seu cabelo como ele é

Minha filha de quatro anos, Maya, tem aula de natação toda semana. Certa vez, depois da aula, soltei o rabo-de-cavalo para secar melhor o cabelo dela. Decidi deixá-lo solto, e ela me perguntou, nervosa: "Mamãe, o que você está fazendo? Está prendendo meu cabelo de novo?" Respondi: "Não, vamos deixar o cabelo solto e mostrar esses cachos lindos". Por Christine Michel Carter, do HuffPost Brasil Ela fez bico imediatamente. Ficou de cara amarrada o tempo todo, como se estivesse com vergonha. Fiquei de coração partido. Mais tarde, sem que pedissem, ela se desculpou por visitar a avó "sem arrumar o cabelo". Quando penso na vergonha que Maya sentiu naquele dia, penso na jornalista Stephanie Hinds e sua conexão com o cabelo liso - de cabelo liso, ambas se sentem bonitas e seguras. Não me entenda mal, Maya acha que princesas da Disney de cabelos encaracolados, como Merida, são corajosas. Mas ela ama ...

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Joyce Fonseca

Pilares e silhuetas do texto negro de Conceição Evaristo

Autor desta resenha, Allan da Rosa é escritor e angoleiro. Integrante do movimento de Literatura Periférica de SP, cursa o doutorado na Faculdade de Educação da USP. Autor de Da Cabula, Zagaia e Pedagoginga, Autonomia e Mocambagem, entre outros títulos. Em outubro lança Reza de Mãe, livro de contos pela Editora Nós. Por Allan da Rosa, do Suplemento Pernambuco Quantas linhas de Conceição Evaristo seguem nos alumiando a sina, o fundamento e a boniteza de revelar segredos mas não matar mistérios? Quanto de vagareza intensa há na sua prosa sutil e elegante que caminha, baila e salta sem alardear os saltos de seus sapatos? Quanto há de traquejo e de gritos cultivados no silêncio das negras anciãs que traz às suas páginas? Quanto haverá de percepção do tempo, do chão e das lutas que canetas pálidas há tempos chamam de fantástico, sem compreenderem que nosso imaginário, por suas matrizes africanas e pelos venenos ...

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Foto: Gabriel Brito/Correio da Cidadania

O que as urnas revelam sobre o racismo nosso de cada dia

No Brasil todo mundo já namorou uma negra. Chamou um negro de genro. Adora ouvir as histórias do porteiro (que é negro). Considera a diarista (também negra) uma pessoa da família. Se emociona quando vê aquele gari (negro) que gosta de sambar, ser aplaudido pelos gringos. Tamanha harmonia é a consumação plena da principal regra da nossa democracia racial. Ou seja, a população negra sempre será tratada bem, desde que saiba qual é o seu lugar e dele não queira sair. Curioso como o gari continua sendo gari mesmo depois de tantos anos aparecendo na televisão. Foto: Gabriel Brito/Correio da Cidadania Por *Jorge Américo e **Douglas Belchior, no Negro Belchior  Se não falha a memória, o ex-jogador de futebol Pelé foi o primeiro ministro de Estado negro do período chamado de redemocratização do Brasil. Sua nomeação para a pasta de Esportes se deu no ano de ...

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Decisão do STJ que considera injúria racial imprescritível é correta

Recentemente, no AREsp 686.965/DF, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que a injúria racial deve ser considerada imprescritível, o que tem gerado diversas críticas por parte da doutrina. Por Álvaro Ricardo de Souza Cruz e Paulo Roberto Iotti Vecchiatti Do Conjur O fundamento foi o de que “a questão da imprescritibilidade do delito de injúria racial foi reconhecida ao entendimento de que esse crime, por também traduzir preconceito de cor, atitude que conspira no sentido da segregação, veio a somar-se àqueles outros, definidos na Lei 7.716/89, cujo rol não é taxativo”, forte na lição de Celso Lafer, para quem “a base do crime da prática do racismo são os preconceitos e sua propagação, que discriminam grupos e pessoas (...) Promove a desigualdade, a intolerância em relação ao 'outro', e pode levar à segregação”. Guilherme Nucci defendeu a decisão, explicando que não se trata de “interpretação extensiva” (embora relate que a jurisprudência ...

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Dani Costa Russo/Divulgação

“Meu psicólogo disse que racismo não existe”

Depoimentos de pacientes revelam que muitos psicólogos não sabem lidar com questões raciais no consultório. A maior carência é uma formação que aborde o problema do racismo no Brasil Por Jarid Arraes no Revista Fórum Imagem: Reprodução / Igualdade Racial no SUS é pra valer Marília Lopes, mulher negra e professora universitária de 38 anos, procurou uma psicóloga porque sofria com depressão há muitos anos. Sentia que precisava de ajuda e que seu trabalho estava sendo severamente prejudicado. Na primeira sessão de psicoterapia, sentiu a necessidade de falar sobre as diversas situações em que sofreu racismo, contando de sua infância trabalhando como empregada doméstica e babá sob o pretexto de que estava “brincando com a filha da patroa”, até casos mais recentes, em que fora seguida dentro de lojas onde fazia compras. Ao final, a psicóloga – que era branca – afirmou que Lopes precisaria mudar o ...

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Foto: Marta Azevedo

Moços, superem

por: Flávia Oliveira Cinco gerações se passaram desde a abolição e o Brasil ainda tem jovens racistas. Eles se mostram nos estádios e nas redes sociais Foto: Marta Azevedo Nada mais triste para quem cruzou a fronteira da maturidade do que mirar, na outra margem, jovens com ideias atrasadas. Aconteceu esta semana, um par de vezes. O casal Maria das Dores e Leandro, de Muriaé (MG), foi alvo de comentários racistas numa rede social, dias depois de a moça, negra, postar foto com o namorado, branco. A última quinta-feira já se despedia, quando o goleiro Aranha, do Santos, foi xingado de macaco por torcedores do Grêmio, num estádio em Porto Alegre. Nas imagens do canal ESPN é visível a pouca idade dos racistas; uma foi identificada na mesma noite. No episódio das Gerais, a polícia conseguiu identificar os agressores. Moram em São Paulo, têm de 15 ...

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Foto: Margarida Neide/ A Tarde

Zulu Araújo – O galã do preconceito

Foto: Margarida Neide/ A Tarde Primeiro domingo de setembro, ano 2011, século XXI, após jogo do Flamengo, que perdeu mais uma. Família em volta da televisão, no ar, o indefectível Domingão do Faustão, com seu quadro Dança dos Famosos. E eis que o ator global Rodrigo Lombardi, jurado do programa, sai com esta pérola: "Tem um cara que eu sou muito fã desde criancinha, e acho que foi ele que me fez ser artista, juntamente com meu pai. Era um cara que na sua época era negro, caolho, um metro e cinquenta de altura, chamado Sammy Davis Junior, que, quando entrava no palco, saía com dois metros de altura, loiro de olhos azuis". Fiquei paralisado, não acreditava no que estava vendo e ouvindo. Mas, era verdade sim. No horário nobre de domingo, o preconceito contra os negros manifestava-se de forma explícita, sem rodeios. Depois recomposto, comentei ...

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Foto: Tânia Rêgo/ABr

Eu sou neguinho

O meu amigo Caetano, que no debate público é um provocador tão genial quanto na arte, também é, sem dúvidas, um atento observador da realidade racial brasileira desde jovem, quando Dona Canô gritava "meu filho corra, venha ver na TV aquele preto de que você tanto gosta!". Ou quando se irritou ao ver jovens de esquerda chamando Clementina de Jesus de macaca no Teatro Paramount, em 1968. Ou quando não deixou o país esquecer que o Haiti é também aqui. Mas agora, depois de tão bela história, depois de ter produzido poemas tão poderosos e belos sobre a negritude baiana, ele parece acreditar que o país acompanhou a sua cabeça e seu desejo de viver em uma democracia pós-racial. Foto: Tânia Rêgo/ABr " Não é possível ignorar as cotas como um movimento natural e necessário, apesar das imperfeições no processo " O Brasil pós-racial é uma ...

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