segunda-feira, outubro 19, 2020

    Tag: #BlackLivesMatter

    Arquivo Pessoal

    Utopia para meninos negros

    São Gonçalo (RJ), João Pedro Matos Pinto, 14. João brincava com seus primos no jardim. Com que brincava João Pedro? Imaginemos algo que lhe dê alegria. Ali está João Pedro, brincando de videogame com seus primos. João Pedro corre para lá e para cá no jardim de sua casa. João Pedro se deita na grama e ri. João Pedro ri. João Pedro se pergunta quando voltará pra escola. João Pedro quer mesmo é saber o que teremos hoje para jantar. João Pedro vive. Quero imaginar que os 72 tiros contra casa de João Pedro não o definem. Quero imaginar que os meninos negros mortos têm nome, sonhos e viviam. Vinte e quatro adolescentes foram baleados na Grande Rio; desses, 11 morreram, de acordo com o levantamento de abril do laboratório de dados de violência Fogo Cruzado. Em abril deste ano, aumentaram em 58% os óbitos em operações policiais no RJ ...

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    (Foto: Geledés)

    ‘Gritamos que só tinha criança, e tacaram duas granadas e deram muitos tiros’, diz testemunha da morte de João Pedro

    “A gente foi, deitou no chão, levantou a mão. Matheus começou a gritar que só tinha criança... Aí, eles tacaram duas granadas assim na porta da sala, que quem tava mais perto da porta era eu e João. Aí, eles deram muitos tiros nas janelas." Esse é o relato de um dos adolescentes que estavam na casa onde o menino João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, foi morto. João foi baleado na segunda-feira (18), durante uma operação da Polícia Federal com apoio da Polícia Civil no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. O amigo de João ainda acrescentou: "Assim, a gente saiu correndo pro quarto. Daí os policiais entraram, mandaram a gente deitar no chão e todo mundo calar a boca. As polícias deram tiro no Matheus enquanto ele levava João no carro pro helicóptero pegar ele." O corpo do menino foi enterrado na ...

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    O adolescente João Pedro, morto após ser baleado em ação policial Foto: Reprodução/ redes sociais

    João Pedro: Após horas tentando achar garoto baleado em ação policial no Salgueiro, em São Gonçalo, família localiza corpo em IML

    Filho de uma professora de um colégio particular em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, e de um comerciante da Praia da Luz, bairro naquele mesmo município, o adolescente João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, foi atingido por um tiro de fuzil na barriga na tarde desta segunda-feira, durante uma operação policial no Complexo do Salgueiro. Ele foi levado do local por um helicóptero, mas a família não foi avisada para onde. Foram horas de agonia até que, na manhã desta terça-feira, o corpo de João Pedro foi localizado no Instituto Médico-Legal (IML) de São Gonçalo por parentes. Nesta terça-feira, agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) realizam uma nova operação no Salgueiro. Segundo parentes do menino, ele estava dentro de casa, na ilha de Itaoca, jogando sinuca com primos e colegas, perto da piscina, quando policiais invadiram a casa atirando. Ele teria sido deixado no local pelos ...

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    Imagem retirada do site Pragmatismo Político

    Pai e filho executam jovem negro porque ele praticava exercícios no bairro

    Dois homens brancos, Gregory McMichael e Travis McMichael, pai e filho, mataram um jovem negro de 25 anos a tiros porque o “confundiram com um ladrão”. As informações são da CNN. O crime aconteceu no dia 23 de fevereiro na cidade de Brunswick, na Geórgia (EUA), mas só agora as circunstâncias do assassinato foram esclarecidas. O jovem Ahmaud Arbery estava praticando corrida pelas ruas do bairro de classe-média ‘Satilla Shores’ quando foi parado pela dupla. Pai e filho estariam procurando um homem que supostamente teria participado de um assalto. Uma testemunha filmou o assassinato de Arbery e as imagens surgiram nas redes sociais na última terça-feira (5/5). Wanda Jones, mãe da vítima, diz que o vídeo não deixa dúvidas do que aconteceu. “Meu filho estava praticando sua corrida diária e foi caçado como um animal”. As imagens mostram Arbery se aproximando de uma caminhonete, quando é abordado pelos dois homens brancos – ...

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    Geledés

    Criança morre após ser atingida por bala perdida dentro de casa em Salvador

    Conforme Cicom, vítima tinha 11 anos e morreu após ser atingida por bala perdida, dentro de casa. PM disse que ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. No G1 Geledés Uma criança de 11 anos morreu após ser atingida por uma bala perdida dentro de casa, em Sussuarana, bairro de Salvador, na noite de domingo (15). As informações foram confirmadas pela Polícia Militar e também pelo Centro Centro Integrado de Comunicação (Cicom) da Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA). Segundo a PM, guarnições da Companhia de Patrulhamento Tático Móvel (Patamo) foram até a Rua Santíssima Trindade, após chamados, quando constataram a criança baleada, por volta das 23h. A vítima foi identificada como Dominique Oliveira da Silva. De acordo com o Cicom, a situação aconteceu durante uma troca de tiros do bairro. A família de Dominique, por sua vez, pontou que na hora do tiroteio, ...

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    Mauro Pimentel/Folhapress

    Soares, sobre o recorde de mortes da PM do Rio: “Estatizamos homicídios”

    O porteiro Claudio Henrique de Oliveira foi morto por policiais militares na quinta-feira 12, durante operação na favela do Vidigal, no Rio de Janeiro. Amigos e parentes do rapaz denunciam que, ao contrário do que alegam as autoridades, ele não era traficante e não estava armado. Na ação, quatro pessoas foram mortas. Por Chico Alve, da UOL  Luiz Eduardo Soares (Foto: Mauro Pimentel/Folhapress) Testemunhas dizem que os PMs chegaram atirando, sem qualquer preocupação de evitar atingir inocentes. Além dos parentes de Oliveira, a família do carregador Marcos Guimarães da Silva, também morto na mesma ofensiva, garante que ele não tinha envolvimento com o crime. Os mortos no Vidigal se somam à impressionante relação de vítimas que nos últimos meses perderam a vida durante ações da polícia fluminense. Essa estatística chegou ao topo em 2019, com 1.686 mortes. A tática de enfrentamento determinada pelo governador Wilson Witzel, ...

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    Geledés

    ‘Não desejo a dor que estou sentindo para ninguém’, diz irmã de Anna Carolina, menina morta por bala perdida no sofá de casa

    Ana Beatriz Pontes, estudante de serviço social, de 21 anos, não sabe como lidar com a morte da irmã, a menina Anna Carolina, de 8 anos, atingida por uma bala perdida na cabeça enquanto assistia televisão com a família na sala de casa, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. O tiro que acertou a garotinha, nesta quinta-feira, entrou pelo telhado de amianto, passou pelo forro de PVC, cruzou uma porta e ainda resvalou na parede antes de matar Anna. Por Cecília Vasconcelos, do Extra Geledés Além de enfrentar a própria dor, a universitária tem buscado dar suporte à mãe, Ana Claudia Souza, após a tragédia. Em uma rede social, Ana Beatriz disse ainda não acreditar no que aconteceu. "Eu não estou conseguindo acreditar e não sei de onde tirar forças para segurar a minha mãe", escreveu a jovem. Ana completa dizendo que não deseja à ninguém ...

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    Carlos Eduardo dos Santos Nascimento, 20, desaparecido após abordagem feita por policiais militares em Jundiaí (SP) Imagem: Arquivo pessoal

    Entidades e ouvidoria cobram governo por desaparecido após ação da PM

    Carlos Eduardo dos Santos Nascimento, 20, foi visto pela última vez por volta das 17h de 27 de dezembro de 2019, quando foi colocado por policiais dentro de uma viatura da PM (Polícia Militar), no bairro Jardim São Camilo, em Jundiaí, interior de São Paulo. Desde então, está desaparecido. Por Luís Adorno, do UOL Carlos Eduardo dos Santos Nascimento, 20, desaparecido após abordagem feita por policiais militares em Jundiaí (SP)(Imagem: Arquivo pessoal/Retirada do site UOL) Nascimento foi a um bar, na rua Benedito Basílio Souza Filho, confraternizar com quatro amigos brancos. Os cinco foram abordados pela PM, segundo as testemunhas. Nascimento, o único negro entre eles, foi o único colocado dentro da viatura. O ouvidor da polícia de São Paulo, advogados, ativistas de direitos humanos e oficiais da própria PM cobram do governo de São Paulo esclarecimentos sobre o paradeiro de Carlos Eduardo, 11 dias depois ...

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    Jogador está emprestado no clube russo - GettyImages

    Jóia do Vasco fala de genocídio negro e pede posicionamento de colegas: ‘Não posso me alienar’

    Em entrevista ao El País, o jogador do Vasco Lucas Santos, 20 anos, mostrou preocupação com o que chama de “genocídio negro” que vem ocorrendo no Brasil. Criado na favela Para-Pedro, no bairro de Irajá, Rio de Janeiro, Lucas frequentava a barbearia em que o mototaxista Kelvin Cavalcante foi morto em outubro, durante uma operação policial. No Hypeness O jogador Lucas Santos está emprestado ao CSKA da Rússia (Foto: Getty Images) Ao jornal, o jogador diz ter se sentido revoltado pela morte do jovem e ressalta o aumento nos índices de pessoas negras e pobres que são vítimas da violência. Na época, Lucas chegou a se manifestar nas redes sociais contra o que chamou de espírito genocida do governador Wilson Witzel.   Ver essa foto no Instagram   Parabéns por seus 121, meu amigão! Eu te amo @vascodagama ❤️❤️ Uma publicação compartilhada por Lucas Santos 🌍 ...

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    Maria Carolina Trevisan (Foto: André Neves Sampaio)

    Jovens se divertindo foram trucidados, afirma ex-ministro da Justiça

    Em reunião extraordinária nesta segunda-feira, integrantes da Comissão Arns — coletivo que atua em situações em que há graves violações de direitos humanos — decidiram acompanhar de perto a investigação sobre a atuação da Polícia Militar em Paraisópolis, São Paulo. Por Maria Carolina Trevisan, do UOL Maria Carolina Trevisan (Foto: André Neves Sampaio) A ação truculenta dos policiais durante um baile funk com 5.000 pessoas gerou tumulto. Nove jovens entre 14 e 23 anos foram pisoteados e morreram por asfixia mecânica, segundo o laudo do Instituto Médico Legal (IML). "O caso é gravíssimo. É uma população pobre que estava se divertindo e de repente é trucidada pelos agentes do Estado", afirma o ex-ministro da Justiça e advogado José Carlos Dias, um dos membros da Comissão Arns. "Temos o dever de interceder e cobrar do poder público que os fatos sejam apurados com todo o rigor e ...

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    Paraisópolis (Lalo de Almeida/UOL)

    Abusos provam que estamos por nossa conta

    Projeto brasileiro de extermínio da racialidade indesejada se escancara em situações como a vivida em Paraisópolis Por Bianca Santana e  Douglas Belchior, na Folha de S.Paulo    Paraisópolis (Lalo de Almeida/UOL) “Em nenhum outro momento do pós-abolição o projeto de extermínio da racialidade indesejada se tornou tão evidente no Brasil e com tamanho apoio ou indiferença social, expondo negras e negros a iniquidades sociais como chacinas, extermínios, genocídio, feminicídios e mortes preveníveis e evitáveis. Estamos por nossa conta”, afirmou Sueli Carneiro na mesa de abertura do 1º Encontro Internacional da Coalizão Negra por Direitos, realizado nos dias 29 e 30 de novembro. A afirmação contundente ganhou materialidade na ausência de três militantes, que precisaram ficar nos territórios para enterrar nossos mortos. Na segunda (25), seu Vermelho, 89, líder do quilombo Rio dos Macacos, na Bahia, foi assassinado a machadadas. Rose e Franciele, que participariam do encontro, ...

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    Paraisópolis (Lalo de Almeida/UOL)

    Nove pessoas morrem pisoteadas em baile funk de Paraisópolis

    Secretaria Municipal de Saúde confirma mortes; polícia diz que agentes foram atacados Por Artur Rodrigues e Laíssa Barros, da Folha de S.Paulo Paraisópolis (Foto:Lalo de Almeida/UOL) Uma ação policial em um baile funk na madrugada de domingo (1º) terminou com nove pessoas mortas por pisoteamento e outras sete feridas, na favela de Paraisópolis (zona sul de SP). O tumulto aconteceu em evento com mais de 5 mil pessoas. Imagens e relatos indicam que a multidão acabou encurralada pela polícia em vielas estreitas—alguns tropeçaram e acabaram mortos. Jovens afirmaram que a ação foi uma "emboscada". A Polícia Militar afirma que ainda não é possível saber se a ação ocorreu de maneira correta, que algumas imagens divulgadas sugerem abusos e que tudo será investigado. A corporação sustenta, porém, que a confusão começou após uma perseguição a suspeitos em uma moto, com quem trocaram tiros. Segundo a polícia, a fuga se deu por ...

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    Protesto por morte de Ágatha reuniu moradores do Complexo do Alemão e de outras áreas do Rio em 22/09. (Foto: L. Correa/AP)

    A segunda morte da menina Ágatha

    Ágatha Félix morreu atingida por tiro durante operação policial Por Chico Alves, do UOL Protesto por morte de Ágatha reuniu moradores do Complexo do Alemão e de outras áreas do Rio no dia 22/09. (Foto: L. Correa/AP) Foi fácil prever: depois da comoção nacional, a morte da menina Ágatha Félix, de 8 anos, assassinada com tiro de fuzil no Complexo do Alemão, em 20 de setembro, cairia no esquecimento. Escrevi isso em um artigo para o UOL. Acabou acontecendo. Não era preciso ter bola de cristal. No calor dos acontecimentos, o assassinato de uma criança ainda faz com que mesmo aqueles que aplaudem incondicionalmente as operações de guerra da polícia nas favelas cariocas derramem uma lágrima. Essa dor na consciência, porém, dura pouco. Foi o que aconteceu antes com outras crianças, como Maria Eduarda Conceição, a Duda, de 13 anos, morta dentro da escola, em Acari; ...

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    Preso em flagrante por morte em posto de gasolina, jovem é solto após imagens provarem sua inocência

    Guardas civis reagiram à ação de assaltantes em Itaquaquecetuba e mataram outros dois rapazes sem envolvimento com o crime; namorada de um dos agentes também morreu na troca de tiros Por Suzana Correa, do  O Globo  Imagens da câmera de segurança do posto de gasolina (Foto retirada do site O Globo) Uma investigação a respeito de um assalto que deixou três mortes em um posto de gasolina no último sábado em Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo, teve uma reviravolta na quarta-feira. Câmeras de segurança do local mostraram que Kauê Oliveira Francisco, detido desde sábado como suspeito do roubo, e Rodinei Alves dos Reis e Bruno Nascimento de Souza, mortos durante troca de tiros no local, não tinham envolvimento com o crime. O crime Eram 14h15 do último sábado quando dois funcionários da Guarda Civil Municipal (GCM) de Itapecerica da Serra retornavam de moto com ...

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    Atatiana Jefferson tinha 28 anos — Foto: Reprodução/BBC

    Policial dispara pela janela e mata mulher negra em seu próprio quarto nos EUA

    Uma mulher negra foi morta a tiros pela polícia pela janela do seu quarto nas primeiras horas da manhã do sábado (12/10), após um pedido de seu vizinho para verificar se ela estava bem. No BBC Atatiana Jefferson tinha 28 anos — Foto: Reprodução/BBC Atatiana Jefferson, de 28 anos, estava em sua casa, em Fort Worth, no estado americano do Texas, acompanhada do sobrinho de oito anos. O vizinho telefonou para a polícia depois de ficar preocupado ao ver a porta da frente da casa de Atatiana aberta durante a noite. A polícia divulgou imagens que mostram um policial atirando alguns segundos depois de vê-la. O registro foi feito por meio de uma câmera acoplada ao uniforme do policial. O vídeo mostrao policial fazendo buscas ao redor da casa, antes de notar uma figura na janela. Depois de solicitar que a pessoa levantasse as mãos, um ...

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    Grupo de mães se reuniu nesta terça com deputados federais, entre eles Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e Alessandro Molon. (TWITTER ALESSANDRO MOLON)

    Ciclo de impunidade em operações policiais com mortes ronda o caso Ágatha

    Estudos mostram que mais de 90% dos casos de mortes cometidas por agentes do Estado não são investigados ou acabam arquivados Por FELIPE BETIM, do El País  Grupo de mães se reuniu nesta terça com deputados federais, entre eles Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e Alessandro Molon. (TWITTER ALESSANDRO MOLON) As ações policiais no Rio de Janeiro raramente passam pelo escrutínio das autoridades competentes, seja a Polícia Civil ou o Ministério Público, quando resultam em mortes. Ao menos três estudos e relatórios recentes indicam que mais de 90% dos autos de resistência — como são chamadas as mortes cometidas por agentes de Estado durante uma operação — não são investigados ou acabam arquivados. Trata-se de um cotidiano de impunidade que estimula toda sorte de abuso por parte dos agentes públicos. E que agora ronda o caso Ágatha Félix, a menina de oito anos que morreu baleada ...

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    “A lógica racista naturaliza e romantiza a violência sofrida pela população negra”

    De uns tempos pra cá me pus a observar um pouco mais as facetas do comportamento humano e chego a conclusão óbvia de que vivemos numa dualidade. O ano era 2012 quando fui apresentada à obra coreográfica de Marcela Levi e Lucía Russo, chamada Natureza Monstruosa. Com micronarrativas, a animalidade humana é exposta na sua forma mais pura e terrível e fala sobre o quanto nosso lado monstruoso nos assombra e é ativado em momentos comuns do cotidiano. Mas até que ponto essa monstruosidade é algo inconsciente? Ou será que damos lugar a ela quando invisibilizamos algo que não é inerente ao interesse pessoal? Pois bem, acho que primeiro vale uma ilustração bem básica, uma comparação que até certo ponto faz sentido. Por exemplo, o comportamento de um cachorro: animal sem racionalidade considerada que é capaz de ver outro da mesma espécie morto, putrificado e não ser impactado por isso. ...

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    Protesto contra mortes de Ágatha e de outras crianças ocorreu em frente à Alerj, no centro do Rio / Eduardo Miranda/Brasil de Fato

    “Parem de nos matar”, pedem moradores em ato no Rio contra morte de Ágatha, de 8 anos

    Movimentos populares, civis, lideranças e moradores de favelas, estudantes e professores do ensino médio e universitário participaram de um grande protesto em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), nesta segunda-feira (23), contra a morte de Agatha Vitória Sales Félix, de oito anos. A menina foi vítima de um tiro de fuzil da Polícia Militar, no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, na última sexta-feira (20). “Exigimos justiça pela Ágatha, não vamos deixar que ela vire mais uma nas estatísticas”, afirmou Daniele Félix, tia da menina, sendo acompanhada por um coro de pessoas presentes no ato. A tia de Ágatha estava acompanhada de outros familiares e disse que os pais da menina, que não foram ao ato, “estão destruídos”. “Somos vítimas da violência do Estado do Rio de Janeiro. Repudiamos essa situação de insegurança e terrorismo do governador contra as comunidades. Ele está nos forçando a ...

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    Geledés

    Polícia não chegou à autoria do crime em nenhum dos casos de crianças mortas por balas perdidas este ano

    Além do caso de Ágatha, três meninos e uma menina foram baleadas em 2019, mas apenas um inquérito foi concluído Por Vera Araújo, do O Globo Geledés Em nenhuma das investigações das quatro crianças mortas este ano, antes do caso de Ágatha Vitória Sales Félix, de 8 anos, a Polícia Civil chegou à autoria. Segundo dados da Secretaria de Estado da Polícia Civil, no homicídio mais antigo dos cinco, o da menina Jenifer Cilene Gomes, de 11 anos, morta em fevereiro, a vítima teria sido atingida durante troca de tiros entre "traficantes de facções rivais", numa comunidade no bairro da Triagem. A polícia informou que, "até o momento", não há indícios da participação de policiais. Jenifer estava na porta do bar da família, na Triagem, quando foi atingida por uma bala perdida. Na época, parentes da menina acusaram policiais militares. Em 2012, dois irmãos de Jenifer ...

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    Geledés

    Ágatha, 8, a mais nova vítima da violência armada que já atingiu 16 crianças no Rio neste ano

    Menina morreu na noite de sexta, com um tiro nas costas, quando estava dentro de uma kombi no Complexo do Alemão, zona norte da cidade Do EL PAÍS Geledes A morte da menina Ágatha Félix, de 8 anos, durante uma operação policial no Complexo do Alemão, voltou a despertar a indignação contra a violência que assola as periferias do Rio de Janeiro, onde traficantes, agentes policiais e milícias travam uma guerra que se arrasta há anos. A menina estava dentro de uma Kombi junto com a avó, e voltava para casa na comunidade da Fazendinha, na sexta-feira à noite, quando foi baleada nas costas. Ágatha chegou a ser levada às pressas para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, mas não resistiu ao ferimento. De acordo com a plataforma Fogo Cruzado, Ágatha foi a 16º criança vítima de violência armada neste ano no Grande Rio, e ...

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