Tag: Flávia Oliveira

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    O suco de preconceito de Guedes

    Na categoria dos trabalhadores domésticos, não há vestígio de abundância de viagens internacionais Por FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo Foto: Marta Azevedo Tão íntimo de planilhas e apresentações que justificam cortes e mais cortes nos gastos, projetos e mais projetos de reforma do Estado, o ministro Paulo Guedes perdeu-se na retórica na última peça de sua coleção de declarações impróprias. Não há evidência estatística que relacione trabalhadores domésticos à “festa danada” de viagens de brasileiros à Disneylândia, como declarou. Foi puro suco de preconceito. Dá para chamar de aporofobia, aversão aos pobres, misturada à misoginia, com pitadas de racismo estrutural. No último trimestre do ano passado, segundo o IBGE, trabalhadores domésticos ganhavam em média R$ 897 por mês, quantia inferior ao salário mínimo de 2019 (R$ 998) e claramente incompatível com as visitas aos EUA que o czar da Economia associou ao dólar barato anterior à ...

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    Movimento negro em coalizão

    Entidades se reuniram para denunciar a organizações multilaterais violações aos direitos Por FLÁVIA OLIVEIRA, do  O Globo  Foto: Marta Azevedo Um conjunto de 117 organizações do movimento negro brasileiro tornou pública esta semana uma carta-compromisso de combate ao racismo e defesa de direitos. Desatrelada de partidos políticos, já é a maior articulação da sociedade civil afrodescendente neste século. É esse o tuíte. No limite dos 280 caracteres estabelecidos pela rede social preferida de dez entre dez governantes no Brasil e mundo afora, o par de sentenças resume a gênese e a ambição da Plataforma de Princípios e Agendas da Coalizão Negra por Direitos . No país do presidencialismo de coalizão, conceito tão bem estruturado pelo cientista político Sérgio Abranches, a aliança do movimento negro, historicamente relacionado a desunião e ruptura, é fato político relevante. “Eu destacaria que, numa tradição de grande fragmentação, a ideia de coalizão ...

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    Respeita o meu axé. E o amém

    Religiões de matriz africana não buscam hegemonia Por FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo  Foto: Marta Azevedo Era 21 de janeiro, Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, e um comentário na rede social expôs o tamanho do buraco em que a liberdade de credo está metida. Num post, dois recados: 1) As religiões de matriz africanas serão sempre minoria; 2) Majoritário, portanto hegemônico, no país é o cristianismo. Li a mensagem, que denunciei como inadequada, horas depois de falar sobre Mãe Gilda de Ogum, homenageada com a efeméride instituída pela Lei 11.635/2007. Gildásia dos Santos e Santos era ialorixá do Ilê Axé Abassá de Ogum, terreiro da mesma Bahia por onde os colonizadores inauguraram a invasão das terras, a pilhagem da riqueza, a subordinação dos corpos, a conversão das almas no Brasil. Ela morreu há 20 anos, após complicações de saúde decorrentes de agressões verbais e ...

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    Cidade, pega a visão

    Favelados têm voz e precisam ser ouvidos. É sobre isso a luta histórica por direitos Por Flávia Oliveira, do O Globo Fávia Oliveira (Foto: Marta Azevedo) Dias antes da virada do ano, a pesquisa DataFavela/Instituto Locomotiva deu o papo sobre sonhos, projetos e reivindicações dos habitantes de 63 comunidades brasileiras para o ano novo. A consulta, mês passado, ouviu 2.006 moradores de favelas dos 26 estados e do Distrito Federal. Foi o maior levantamento já feito sobre percepções subjetivas nas quebradas; nele está nítido que protagonismo e representatividade são agendas que vieram para ficar. A favela sabe quem é, como a veem, o que deseja, quem a sabota. Os sinais estão por toda parte. Chama atenção o trecho no qual pessoas de dentro e de fora são convidadas a listar palavras que associam aos territórios. Nos dois grupos, pobreza foi o substantivo mais citado, prova de ...

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    Ataque a terreiros é terrorismo

    Não é de hoje que casas de umbanda e candomblé sofrem perseguição por Flavia Oliveira no Globo Foto: Marta Azevedo Foi o historiador Luiz Antonio Simas que, após a destruição do terreiro de candomblé no Parque Paulista, em Duque de Caxias, no início do mês, cobrou numa rede social outra denominação para os ataques aos cultos de matriz africana. No lugar de intolerância, terrorismo religioso. A frequência e a intensidade dos episódios, que misturam intimidação, ameaça, dano ao patrimônio, destruição de elementos sagrados, agressão física e até tentativa de homicídio, justificariam a ênfase. Neste ano, que mal passou da metade, a Comissão Contra a Intolerância Religiosa já recebeu 200 denúncias de algum tipo de violência, mais que o dobro do total (92) de 2018. A Baixada Fluminense, Nova Iguaçu e Caxias à frente, concentra 35% dos casos. Não é de hoje que casas de umbanda e ...

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    O ano em que corremos perigo

    Para cada lágrima derramada por luto, medo, desalento, houve um abraço, um olhar solidário Por FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo  Foto: Marta Azevedo Chega ao fim o ano em que corremos perigo. Não foi fácil defender a democracia, o meio ambiente, os povos indígenas, os quilombolas, a cultura, a liberdade religiosa. Nada trivial combater o racismo, denunciar crimes de ódio, gritar contra o feminicídio, dar nome à sistematização da brutalidade e do extermínio de corpos negros e pobres (é necropolítica que chama). Num retrocesso civilizatório, foram postas à prova agendas supostamente tão óbvias quanto asseguradas, posto que integram o rol de 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, 71 anos neste dezembro. A resiliência do estado democrático de direito vem sendo impiedosamente testada. Se algo de bom há no embate, é a disposição para a resistência. Misturam-se cansaço e alívio. Houve luta. Haverá. Em 2019, ...

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    Eu greto. Tu gretas?

    Ela transformou-se na figura símbolo de uma juventude que se mobiliza Por FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo FLÁVIA OLIVEIRA/Foto Marta Azevedo Experimente digitar no buscador mais usado do planeta o nome de Greta Thunberg. No meu caso, a pirralha içada a pessoa do ano pela revista “Time” apareceu em 198 milhões de referências — e contando —numa fração de segundos. Jair Bolsonaro, o chefe de Estado que emprestou à estudante e ativista a alcunha, contabilizou 85 milhões de referências. O exercício dá a medida da relevância que a jovem sueca alcançou neste 2019 em que o planeta se polarizou entre quem age para livrá-lo da emergência climática e quem a nega ou minimiza. A adolescente virou sinônimo do inconformismo com a destruição do meio ambiente; encarna uma geração que, crescentemente, abraça os princípios da preservação. Sugiro torná-la verbo: eu greto. Tu gretas? Duas décadas atrás, a ...

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    Imagem: Arquivo Nacional

    João Cândido, um brasileiro

    Há 50 anos, morria João Cândido Felisberto. Ele foi um dos líderes da Revolta da Chibata, movimento que por quatro dias, em novembro de 1910, alarmou o Rio de Janeiro, então capital da jovem República, e resultou no fim dos castigos físicos na Marinha. Banido da corporação, pela qual só foi anistiado em 2008, tornou-se ícone da luta por direitos do povo negro brasileiro. No último 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, foi incluído no Livro dos Heróis do Estado do Rio, projeto dos deputados André Ceciliano e Waldeck Carneiro (ambos do PT), aprovado pela Alerj e sancionado por Wilson Witzel. Por contradições que a política comporta, o reconhecimento foi formalizado pelo governador que é ex-fuzileiro naval e patrocina uma política de segurança que não livraria o Almirante Negro. João Cândido nasceu no Rio Grande do Sul em 1880, pouco mais de oito anos depois da Lei do ...

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    Nei Lopes, substantivo

    É intelectual absolutamente fundamental Por FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo   Nei Lopes (Foto: Hudson Pontes/O Globo) Nei Braz Lopes. Substantivo próprio. Nome completo do compositor, cantor, escritor, africanista e dicionarista também conhecido como Nei Lopes. As três letras do primeiro nome tornaram-se sinônimo de mestre. Filho de Eurydice de Mendonça Lopes, dona de casa, e de Luiz Braz Lopes, pedreiro, nasceu em maio de 1942 no subúrbio carioca de Irajá, bairro surgido da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá, fundada em 1644. A igreja em honra da santa, de 1613, é a mais antiga da capital fluminense ainda de pé — antes dela foram erguidas a primeira Candelária, demolida no século XIX, e as paróquias de São Sebastião e do Colégio dos Jesuítas, no igualmente destruído Morro do Castelo. Nei Lopes é mais novo de uma família de 13 irmãos. Formou-se em Direito ...

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    Flávia Oliveira. (Foto: Marta Azevedo)

    Materializou-se o Partido da Bala

    Resta às mulheres e aos homens negros a desobediência de ficarem vivos Por FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo Flávia Oliveira. (Foto: Marta Azevedo) No país em que a morte está se tornando partido político por iniciativa do presidente da República, ficar vivo é ato revolucionário. Desde o início de 2019, são evidentes os sinais de que o Brasil caminha para o Estado de extermínio e impunidade. No Legislativo, tramita o pacote anticrime do ministro Sergio Moro, que pretende instituir redução de pena ou absolvição para homicídios cometidos por agentes da lei sob argumento de “escusável medo, surpresa ou violenta emoção”. Chamam de excludente de ilicitude, eufemismo para licença para matar. É mecanismo que, aplicado no Rio de Janeiro às margens da legislação pelo governador Wilson Witzel, deu em 1.402 mortes decorrentes de intervenção policial de janeiro a setembro, salto de 18,6% sobre um ano antes. Em ...

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    Diálogo de gerações

    Raios não caem duas vezes no mesmo lugar. Estrelas, sim. Na mesma semana, duas expoentes do feminismo negro passaram pelo Rio, espalhando conhecimento. Septuagenárias, as americanas Patricia Hill Collins e Angela Davis, referências de antigas e jovens ativistas Brasil afora, avisaram que a nova onda é a intergeracionalidade. Elas alcançaram a longevidade, conviveram com diferentes gerações de mulheres e, hoje, tanto inspiram quanto aprendem com as mais novas. Tanto Angela quanto Patricia vieram ao Brasil para lançar edições em português de livros publicados há décadas no país de origem; nas aparições trataram da relação com outras faixas etárias. Filósofa, professora emérita da Universidade da Califórnia, ícone do movimento pelos direitos civis dos negros, Angela Davis escreveu aos 28 anos a autobiografia recém-lançada no Brasil pela Boitempo. O livro atravessa a trajetória da ativista dos Panteras Negras, que foi presa nos anos 1970 acusada de conspiração, sequestro e homicídio. Correu risco ...

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    Um Brasil desigual, violento e triste

    Proporção de domicílios com acesso ao Bolsa Família caiu de 15,9% para 13,7% Por Flávia Oliveira, Do O Globo Foto: Marta Azevedo Um Brasil (ainda) mais desigual emergiu da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios que se debruçou sobre os rendimentos da população. Régua que mede a concentração de renda, o Índice de Gini subiu no triênio 2016-2018 o suficiente para devolver a desigualdade de renda ao nível de 2012, 0,545. Expresso em resultado que varia de zero a um, o indicador piora quando cresce; é o avesso do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Tornou-se público na mesma semana em que o Nobel de Economia foi concedido a um trio de pesquisadores dedicados a modelos de redução da pobreza, que por aqui também cresceu na recessão e não arrefeceu com os soluços de 1% ao ano do Produto Interno Bruto de 2017 para cá. Além de ...

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    Dê licença (maternidade)

    A divisão equânime das atribuições familiares é agenda importante Por FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo    FLÁVIA OLIVEIRA - Foto Marta Azevedo A licença-maternidade no Brasil é tão antiga quanto a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Nasceu em 1948 e, sete décadas depois, o país ainda não se livrou do debate que relaciona a desigualdade de gênero no mercado de trabalho ao período de afastamento das mulheres por darem à luz. Até o então candidato à Presidência Jair Bolsonaro usou o argumento para justificar o salário maior dos homens. Pois um estudo recém-concluído praticamente sepulta a polêmica. Há pouca diferença no número de dias em que elas e eles se afastam do emprego por problemas de saúde, acidentes de trabalho e/ou licença-maternidade/paternidade. Num ano, homens se ausentam 13,5 dias; mulheres, 16. As pesquisadoras Adriana Carvalho, gerente dos Princípios de Empoderamento e Programa Ganha-Ganha da ONU Mulheres ...

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    Com Ágatha foi-se a utopia da inclusão

    Morreu o sonho de uma família que acreditou na educação como passaporte da mobilidade social Por FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo FLÁVIA OLIVEIRA /Foto Marta Azevedo Quando percebi minha mãe morta, oito anos atrás, faltaram-me primeiro as pernas, depois a linguagem. Eu tive de permanecer sentada ou ser amparada, porque a orfandade faz desmoronar os alicerces. Ela também me devolveu ao antigo primário, quando a voz era aguda, o vocabulário restrito e os tempos verbais, uma confusão. Atravessei os primeiros dias de luto com comida quente, de preferência caldos, e muita raiva do amanhecer — eu ficara órfã e o tempo teimava em passar, a vida a correr. No sétimo dia, escrevi. Mas até hoje não sei se me conjugo filha única no presente ou no pretérito: sou ou fui. Foi assim que comecei a observar corpos e palavras dos enlutados — e a sofrer intensamente ...

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    O livro é um assombro

    ‘A cor púrpura’, o musical’ põe o país diante do espelho Por Flávia Oliveira, no O Globo Flávia Oliveira. (Foto: Marta Azevedo) Largos são os caminhos abertos por meio de livros. Na mesma sexta-feira — véspera do aniversário da Independência do Brasil — em que Marcelo Crivella enviou fiscais à Bienal do Rio para caçar obras (para ele) impróprias, estreou na Cidade das Artes o musical “A cor púrpura”, inspirado no romance homônimo de Alice Walker. O prefeito ressuscitou a censura; a sociedade reagiu em marcha para a festa literária (no Sete de Setembro, cem mil pessoas estiveram no Riocentro, recorde absoluto de público); o Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição, restabeleceu o livre trânsito de ideias. Direito ratificado, vale a pena refletir sobre até onde a literatura nos leva. E por que homens públicos a temem. Eu tinha 13 anos e cursava o antigo ginásio ...

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    Flávia Oliveira. (Foto: Marta Azevedo)

    ‘Bacurau’ escancara o Brasil da brutalidade

    No tiroteio sem fim, ninguém pode dizer que venceu Por Flávia Oliveira, do O Globo Flávia Oliveira. (Foto: Marta Azevedo) Foi a “Relatos do front” que “Bacurau” me levou logo nas cenas iniciais. O hiper-realismo do faroeste premiado de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles remeteu ao filme de Renato Martins sobre a epidemia de violência homicida no Brasil, a partir do Rio de Janeiro, também lançado este ano. A obra de ficção imprime com vigor o que o documentário esboça, num efeito Orloff macabro. [A quem desconhece a referência, o conceito saiu de uma campanha de vodca, assinada pelo publicitário Jacques Lewkowicz, que alertava para consequências futuras de ações do presente. No anúncio, o personagem tinha uma epifania da ressaca devastadora no dia seguinte, se escolhesse mal a bebida da véspera: “Eu sou você amanhã”, ameaçava. A expressão virou senha para crises, hecatombes político-econômicas, que ...

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    Reação ao pacote de Moro

    Sociedade se mobiliza para alertar políticos dos riscos da mudança apressada da legislação Por Flávia Oliveira, Do O Globo (Foto: Marta Azevedo) O escândalo da troca de mensagens entre o então juiz Sergio Moro e o ainda chefe da força-tarefa da Operação Lava-Jato, Deltan Dellagnol, deu ao país a oportunidade de refletir um pouco mais sobre o chamado Projeto de Lei Anticrime, que o governo tenta aprovar no Congresso Nacional paralelamente à reforma da Previdência. Enquanto o hoje ministro da Justiça e Segurança Pública gasta horas se explicando a parlamentares sobre as denúncias do site Intercept, como anteontem, a sociedade civil se mobiliza para alertar o mundo político dos riscos da mudança apressada da legislação. Na terça, 11 de junho, quando o Brasil ainda digeria o primeiro lote de mensagens instantâneas entre o ex-titular da 13ª Vara Federal e o procurador, organizações do movimento negro apresentaram ...

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    Triste do país que dorme com tantos homicídios

    Brasil experimentou em 2017 o recorde histórico de letalidade violenta intencional Por Flávia Oliveira, do O Globo  Foto Marta Azevedo Triste do país que deita — e dorme — em berço esplêndido, quando teve 65 mil filhos assassinados em um ano. Foi devastadora a edição 2019 do Atlas da Violência, publicação do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública que deveria deixar insones autoridades e sociedade civil, tão assombrosos são os números da epidemia homicida capturados da base de dados do sistema de saúde. Desta vez, os 13 pesquisadores, além de quantificarem e qualificarem a tragédia que avança sobre jovens, negros, mulheres e LGBTIs, apresentaram gênese e desdobramentos da expansão das facções do tráfico de drogas do Rio de Janeiro e, sobretudo, de São Paulo, Norte e Nordeste adentro. O Brasil experimentou em 2017 o recorde histórico de letalidade violenta intencional. Nunca tantos brasileiros foram ...

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    Há muito racismo, sim

    A constatação, amparada em dados oficiais e levantamentos consistentes, não pode ser negada Por Flávia Oliveira, Do O Globo Flávia Oliveira (Foto: Marta Azevedo) A seis dias do 13 de Maio, data em que o movimento negro faz reflexão crítica sobre o quão incompleta foi a abolição instituída pela Lei Áurea, o presidente da República declarou que “racismo é algo raro no Brasil”. Na mesma semana, 14 representantes da sociedade civil estavam na Jamaica denunciando à Comissão de Direitos Humanos da OEA os efeitos na população afrodescendente do pacote anticrime do ministro da Justiça, Sergio Moro, e da política de segurança do governador do Rio, Wilson Witzel. Alertaram, de um lado, para o aumento do encarceramento em decorrência de uma legislação penal que, historicamente, faz de adultos e jovens negros os suspeitos-padrão. Sobretudo, chamaram atenção para a escalada dos homicídios, seja pela autorização estadual para o ...

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    Foto Marta Azevedo

    Reforma da Previdência e Pacote de Sergio Moro: O que pretende o governo Bolsonaro?

    Flávia Oliveira /Foto Marta Azevedo Do docs.google Análise de conjuntura com: Flávia Oliveira – Jornalista especializada em economia e indicdores sociais; Colunista na GloboNews, jornal O Globo e Radio CBN Weber Lopes Goes – Mestre e doutorando em Ciências Sociais; Autor do livro "Racismo e eugenia do pensamento conservador brasileiro". Data: Sábado, 27 de Abril - Das 09h30 às 13h30 Local: AÇÃO EDUCATIVA - Sala 12 Rua General Jardim, 660 - próximo estação República, Makenzie ou Santa Cecilia Formulário de inscrição

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