UnB inaugura espaço dedicado à Lélia Gonzalez

O Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB) inaugurou nesta sexta-feira (12) a sala Lélia Gonzalez. O espaço homenageia a socióloga e antropóloga que influenciou o pensamento político contemporâneo brasileiro a partir de seus artigos, ensaios e livros sobre as temáticas racial e de gênero.

No Palmares

A proposta em homenagear Lélia partiu dos alunos do Programa de Iniciação à Docência que terão a partir de agora, o desafio e a missão de produzir pesquisas que sejam base à materiais didáticos e para-didáticos, em consonância com o papel intelectual, político e pedagógico relacionados com as questões etnicorraciais e feministas.

Coordenadora da Licenciatura em Ciências Sociais, a professora Haydée Caruso afirmou que a ideia é articular a proposta do laboratório com outras áreas da Universidade, com os movimentos sociais e com as instituições governamentais que trabalham as duas temáticas. “O nome de Lélia Gonzalez vai nos abrir várias possibilidades de diálogos. Será a ponte sociológica entre o acadêmico e o governo. Levar este nome para a sala de aula como material didático, através da literatura, cinema, antropologia, sociologia é um grande desafio”, afirmou.

Militância-referência – Filha de um ferroviário negro e de uma empregada doméstica indígena, Lélia Gonzalez nasceu em 1935, em Belo Horizonte (MG). Sua obra acadêmica e seu trabalho como militante contribuíram para impulsionar não apenas o debate sobre a problemática racial no Brasil, mas também os seus desdobramentos a partir de, basicamente, dois temas correlatos: a ideologia do branqueamento e seus efeitos e a dupla exposição da mulher negra, discriminada pelo racismo e pelo sexismo.

Membro-fundadora do Movimento Negro Unificado (MNU), principal canal de ressurgimento da luta pela igualdade racial na década de 1970, sua importância para movimento negro brasileiro tem sido comparada à da filósofa norte-americana Ângela Davis.

O doutor em Sociologia, Ivair Augusto dos Santos, recordou que Lélia foi uma das primeiras mulheres a fazer o debate em torno da sexualidade na campanha eleitoral de 1982, quando já eram debatidos temas como homofobia, agregando vários segmentos de mulheres e negros na campanha.

Melina e Marcelo durante inauguração da Sala Lélia Gonzalez
Melina e Marcelo durante inauguração da Sala Lélia Gonzalez/ Foto: Daniel Gomes/FCP

 

Encontro ancestral – Durante o evento estiveram presentes Marcelo e Melina Marques de Lima, netos da socióloga e antropóloga-política. Em depoimento emocionado, Melina ressaltou a experiência que foi conhecer uma versão de Lélia que estava além do parentesco. “Entrei no projeto de pesquisa histórica e foi incrível o primeiro contato que tive com a Lélia acadêmica. Fiquei abismada e orgulhosíssima do que ela representou e representa no precursionismo com o feminismo negro”, disse.

Comprometida com seu legado, Melina reafirma seu desejo dar continuidade a atuação de Lélia. “Quero seguir com essa luta em respeito a herança que ela deixou para as negras e negros do Brasil. Uma luta contra o racismo velado e o pioneirismo em temas polêmicos como a homofobia e a intolerância religiosa”, enfatizou. Já Marcelo, partilhou lembranças e a importância de conhecer as pessoas que conviveram com sua avó. “Uma outra forma de conhece-la”, completou.

 

+ sobre o tema

Empresa abre inscrições para premiar mulheres cientistas

A cada ano que passa aumenta o número de...

Laboratória abre inscrições para curso de programação para mulheres

No Brasil, segundo pesquisa da McKinsey, apenas 16% das...

Cris Vianna fala sobre carreira, beleza e preconceito racial e de gênero

"Não é fácil ser negra em nenhuma profissão. Não...

Prêmio Lélia Gonzalez estimula ação de entidades de mulheres negras

Organizações de todo o país poderão desenvolver projetos de...

para lembrar

Paternidade honesta, participativa e feminista

Em uma cultura voltada para o consumo e que...

‘Quero mostrar que é possível’, diz travesti cotada a reitora no Ceará

"Para mim é uma felicidade ser a primeira nas...

A chave das mulheres

Força de trabalho extremamente relevante, as mulheres do campo...
spot_imgspot_img

‘Abuso sexual em abrigos no RS é o que ocorre dentro de casa’, diz ministra

A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, considera que a violência sexual registrada contra mulheres nos abrigos que recebem desalojados pelas enchentes no Rio Grande...

ONU cobra Brasil por aborto legal após 12 mil meninas serem mães em 2023

Mais de 12,5 mil meninas entre 8 e 14 anos foram mães em 2023 no Brasil, num espelho da dimensão da violência contra meninas...

Após um ano e meio fechado, Museu da Diversidade Sexual anuncia reabertura para semana da Parada do Orgulho LGBT+ de SP

Depois de ser interditado para reformas por cerca de um ano e meio, o Museu da Diversidade Sexual, no Centro de São Paulo, vai reabrir...
-+=