Afro-brasileiros

    (Foto: Imagem retirada do site GGN)

    20 anos sem Oracy Nogueira, por Rafael Balseiro Zin

    Neste 16 de fevereiro de 2016, recordamos os 20 anos de falecimento do sociólogo paulista Oracy Nogueira (1917-1996), autor de uma das mais importantes análises sobre as dinâmicas que circundam o preconceito racial existente contra a população negra no Brasil, e que foi elaborada em meados de 1950, momento em que as ciências sociais iniciavam o seu processo de institucionalização no país. Natural da cidade de Cunha, interior do estado de São Paulo, Oracy inaugurou sua trajetória acadêmica, aos 23 anos, no curso , oferecido pela então Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo (ELSP), onde entrou em contato com professores estrangeiros de renome internacional, como Donald Pierson, Radcliffe-Brown e Emílio Willems, além dos brasileiros Sérgio Milliet e Mário Wagner Vieira da Cunha, responsáveis diretos por sua formação. Na ELSP, realizou pesquisas originais e que entrariam para a história das ciências sociais no Brasil. A primeira delas, foi...

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    (Ilustração: Angelo Agostini)

    Luiz Gama: Quanto vale um homem?

    No tempo da escravidão, o valor era medido pela capacidade de produção do trabalhador escravizado. No capitalismo, pela força de trabalho, do assalariado. Para a história, o valor de cada ser humano, tem medida no legado que se deixa para as gerações vindouras. Luiz Gama foi imprescindível na luta travada contra a escravidão no Brasil no período imperial. Sua obra, sua história e sua devoção à causa libertária estão relatadas em duas biografias recém-lançadas. A professora de antropologia Lilia Schwarcz faz uma comparação entre as trajetórias de Luiz Gama e do escritor Lima Barreto, que também superou adversidades que pareciam intransponíveis, para se transformar num dos maiores escritores brasileiros. “É duro não ser branco no Brasil. A capacidade mental dos negros é discutida a priori e a dos brancos a posteriori”, disse Lima Barreto dando uma definição clara do racismo brasileiro. Como explica Schwarcz Gama “escancarou faces da discriminação” e...

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    José do Patrocínio. Foto: Wikimedia Commons

    Hoje na História: Há 110 anos, morria o abolicionista José do Patrocínio

    Nunca é demais lembrar e, apesar dos pesares, comemorar o 13 de maio de 1888, data em que foi sancionada a Lei Áurea, o prenúncio de uma LIBERDADE que ainda não aquinhoou inteiramente os afro-descendentes no Brasil - a última nação do Ocidente a abolir a escravidão...-, haja vista a segregação a que, em muitos campos do exercício e gozo da cidadania, ainda hoje, em pleno século XXI, são expostos e relegados os negros neste país. (JGSabino) José Carlos do Patrocinio (Campos dos Goytacazes, 9 de outubro de 1853 — Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 1905) foi um farmacêutico, jornalista, escritor, orador e ativista político brasileiro. Destacou-se como uma das figuras mais importantes dos movimentos Abolicionista e Republicano no país. Foi também idealizador da Guarda Negra, que era formado por negros e ex-escravos para defender a monarquia e o regime imperial. Biografia Filho de João Carlos Monteiro,...

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    (Foto: Enviado para o Portal Geledés pelo autor do texto)

    Negros Heróis: histórias que não estão no gibi

    O projeto Quantos vezes você viu um negro ser representado como herói? Se a história é repleta de negros e negras brilhantes, por que eles geralmente ocupam o papel dos vilões ou subalternos? Por que seus atos heroicos e de bravura costumam ser ignorados pelos livros de história e não chegam aos holofotes da grande mídia? Apoie este projeto Esses foram alguns dos questionamentos que serviram de inspiração para a criação de "Negros Heróis: histórias que não estão no gibi". Lançada em 2013, a obra de jornalismo literário que narra a trajetória de dois brasileiros notáveis está de volta. Desta vez, a publicação depende da sua colaboração. O livro é composto por 196 páginas e divido em duas partes que, juntas, retratam mais de um século de história. Personagens como Juscelino Kubitschek, Hilda Hist, Abdias Nascimento, Dom Hélder Câmara, Adolph Hitler, os Panteras Negras e momentos marcantes como guerras, revoluções e...

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    Andrevruas [CC BY-SA 3.0], via Wikimedia Commons

    O Lima Barreto que nos olha

    O que vemos só vale – só vive – em nossos olhos pelo que nos olha. GEORGES DIDI-HUBERMAN Noite de Natal de 1919. O escritor Lima Barreto (1881 – ­1922) é levado, delirante, ao Hospício Nacional de Alienados, o antigo Hospício Pedro II que mudara de nome com a República. Recebe um uniforme, na verdade um pijama, é iden­tificado e fotografado. Por uns bons 20 anos procurei por essa foto, mesmo não sabendo se ela realmente existia. Nunca percebi bem o porquê, mas, como parte de minhas pesquisas sobre o autor, parecia ser preciso ver o registro oficial dessa entrada no mundo da loucura, descrita por ele mesmo no grande momento de sua obra que é o Diário do hos­pício. Talvez porque nunca me recuperara completamente da emoção experimentada ao ler, na Biblioteca Nacional, escrito a lápis, no verso das folhas já usadas que conseguira da dire­ção do hospício, o...

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    Lélia Gonzales (Foto: Acervo JG/Foto Januário Garcia)

    Livros e textos de Lélia Gonzalez

    A historiografia brasileira tem sido marcada pela invisibilidade dos afro-descendentes. A imposição dessa qualidade, exercida de forma orquestrada e sistemática, fez com que, nos anos 1970, em vários estados brasileiros, grupos formados por diversos setores da comunidade afro-descendente desenvolvessem uma reflexão abrangente sobre a situação social, política, econômica e cultural do país, e em especial sobre o processo de exclusão dos afro-descendentes nesse contexto. Foram muitos os grandes pensadores/articulares que contribuíram para essa reflexão. Mas, dentre todos, destacou-se uma figura feminina: Lélia de Almeida Gonzalez, ou Lélia Gonzalez, como ficou conhecida. Sua atuação sempre foi caracterizada pela capacidade de articular, com extrema propriedade, sobre a questão do povo negro, em geral, e da mulher negra, em particular. Militante negra e feminista, atuou como desencadeadora das mais importantes propostas de atuação do Movimento Negro Brasileiro. Participou da criação do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN-RJ), do Movimento Negro Unificado (MNU),...

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    Academia Brasileira de Letras/Divulgação

    Primeiro presidente negro na ABL desde Machado de Assis

    Li no jornal Folha de São Paulo (4 de dezembro 2015, Poder A15), informação de Luiza Franco segundo a qual a Academia Brasileira de Letras elegeu seu primeiro presidente negro desde Machado de Assis. Trata-se do professor e escritor carioca Domício Proença Filho, com mandato até o fim de 2016. Quinto ocupante da cadeira 28, entrou na ABL em 2006, sucedendo Oscar Dias Corrêa. Escreveu 65 obras, incluindo livros didáticos e romances; sucederá o diplomata Geraldo Holanda Cavalcanti. Como sabemos e informa Luiza Franco, Machado de Assis “não costumava falar sobre a questão da raça e ocupou a cadeira de 1897 a 1908”. Pouco importando o modo de proceder do maior escritor brasileiro, Machado de Assis, só agora, em mais de 100 anos de história, temos Proença como o segundo presidente negro da ABL! Seria por que, a vida toda, “se debruçou sobre a questão do negro na literatura e...

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    Ricardo Stuckert/Agência Brasil

    Abdias Nascimento é homenagiado em universidade dos Estados Unidos

    O ativista Abdias Nascimento será homenageado, hoje, na Universidade Brown, em Providence,  Estados Unidos. A universidade vai realizar um Simpósio em tributo ao militante trabalhista . O encontro visa debater a sua vida e obra e colocar Abdias no centro das discussões sobre a importância da luta contra a exclusão racial. Elisa Larkin Nascimento, companheira e autora da biografia de Abdias estará presente no tributo." Abdias Nascimento (1914-2011) foi poeta, escritor, teatrólogo, artista plástico, parlamentar e professor universitário. Sobretudo, ele foi ativista dos direitos humanos. Foi indicado em 2009 ao Prêmio Nobel da Paz em função de sua defesa pelos direitos civis e humanos dos afrodescendentes no Brasil e na diáspora africana. Falecido em 2011 aos 97 anos, é referência quando o assunto é igualdade racial. Sua vida e obra iluminam os meandros do racismo e a riqueza da cultura negra no Brasil e no mundo. ** Este artigo é...

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    (Ilustração: Angelo Agostini)

    Luiz Gama: o nosso Solomon Northup

    Na História do Brasil, quando estudamos a abolição, geralmente são citados os abolicionistas brancos: Joaquim, Ruy Barbosa, Castro Alves entre outros. Raramente é citado os abolicionistas negros. Dentre eles um dos maiores: Luiz Gama. Lendo um pouco sobre a superprodução norte-americana lançada em 2013 intitulado “12 anos de escravidão” percebi algumas semelhanças da História de Solomon Northup, o protagonista do filme com Luiz Gama. Os dois nasceram livres, Solomon, no entanto é vendido como escravo aos 33 anos e fica 12 anos vivendo como escravo. Luiz Gama é vendido aos 10 anos como escravo pelo próprio pai para sanar uma divida de jogo. Fica trabalhando como escravo até os 18 anos desempenhando todos os tipos de trabalhos como ele mesmo diz em sua famosa carta: “Aí aprendi a copeiro, a sapateiro, a lavar e a engomar roupa e a costurar.” (Carta de 25 de julho de 1880). Solomon depois de...

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    (Ilustração: Angelo Agostini)

    Abolicionista negro será reconhecido pela OAB

    Luiz Gonzaga Pinto da Gama, abolicionista negro que libertou mais de 500 escravos no Brasil pela via judicial – será reconhecido como advogado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) após 133 anos de sua morte. A cerimônia ocorrerá nesta terça-feira (3) na Universidade Presbiteriana Mackenzie, às 19h. Gama, que apesar de ter nascido livre foi vendido como escravo pelo pai aos 10 anos para pagamento de dívida de jogo, atuava como rábula, exercendo a advocacia ser ter o título, o que era permitido naquela época. De acordo com o presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho é a primeira vez, no atual modelo da advocacia brasileira que este tipo de homenagem é conferida. Logo após a fundação da entidade, em 1931, o regulamento permitiu a incorporação de rábulas – pessoas que já atuavam na advocacia – na instituição. “Embora não fosse advogado, Luiz Gama era um grande defensor...

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    Milton Santos em entrevista para o Jornal do Brasil, em 1977 (Foto: Imagem retirada do site Milton Santos)

    Geografia: Além do professor – Milton Santos

    Esta sala é para mim um presente. Tentarei colocar-me à altura desta sala e à altura da mocidade oferecendo-lhes uma aula, isto é, um momento de reflexão sisudo e maduro, para o qual naturalmente peço atenção porque uma aula é lugar no qual toda contrição tem que ser posta para que o trabalho comum se possa fazer. Foi-me sugerido um tema, dobrei-me à ordem, e isso me causou um problema: não é a primeira vez que, nos meus 55 anos de ensino, encontro desafios dessa natureza – "A Geografia: além do professor?" O que querem dizer esses meninos, quando me pedem que venha falar sobre este tema, “além do professor?” Professor, a sala de aula esses contatos que não são burocráticos, mas que se dão em uma temporalidade prevista por alguma forma dita burocrática também, porque são encontros marcados antecipadamente nas mesmas horas, nos mesmos dias durante um período. O...

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    Hemetério José dos Santos: o primeiro professor negro do Instituto de Educação

    O CMEB (Centro de Memória da Educação Brasileira) do Iserj possui um grande acervo sobre a História do Iserj e História da Educação. Para publicizar esse acervo, periodicamente, a equipe do CMEB vai selecionar fotos e informações históricas interessantes a respeito do Instituto para publicarmos aqui no site. Dessa vez, o enfoque é sobre o recorte que o professor Aderaldo Pereira dos Santos fez do acervo do CMEB, os professores negros da instituição. Vamos falar a respeito do professor Hemetério José dos Santos, o primeiro professor negro da então Escola Normal do Distrito Federal, que depois se tornou Instituto de Educação. Hemetério José dos Santos (1858-1939) era gramático e filólogo, e foi professor da Escola Normal do Distrito Federal, do Colégio Pedro II e do Colégio Militar do Rio de Janeiro. Recebeu em 1920 a patente de Tenente-Coronel Honorário do Exército Brasileiro. – O Professor Hemetério José dos Santos foi uma figura histórica...

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    Heloisa_Pires_Lima_SeObamaFosseBrasileiro

    O protagonista invisível

    possibilidade de atualização. Com isso, o autor reforça também a sua maneira pessoal, autoral, distinta de narrar a tradição. Por tudo isso, volto (e voltarei) muitas vezes às obras de Joel Rufino dos Santos! Sempre me impressionou a posição do escritor Joel Rufino no cenário literário nacional. Sobretudo, o voltado para o leitor infantil e juvenil. Sua biografia editorial instiga por expor a exceção num país onde a cor do sujeito se relaciona com os impedimentos aos acessos à produção de livros. Revisitada, ele já aparece com destaque na coleção Recreio nos idos dos anos 1970. Os semanais com atividades interativas eram avançados para a época e tinham a coordenação de Ruth Rocha que o convidou. Ele também tomou parte da célebre e muito bem avaliada coleção Taba, publicada a partir de 1982 pela mesma editora, a Abril Cultural. Os fascículos ilustrados reuniam textos selecionados para par com o disco...

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    Joel Rufino dos Santos foi indicado três vezes para o Hans Christian Andersen, o Nobel da literatura infantojuvenil (Foto: FABIO MOTTA/ESTADÃO)

    Dos fazeres de Joel Rufino dos Santos. Três ou quatro obras em mote negro

    (Foto: Divulgação/ Editora Moderna) Daruê, sabe esse livro aqui? – e mostro “O barbeiro e o judeu da prestação contra o sargento da motocicleta” que lemos mês passado entre os percursos da condução e as manhãs no sol do quintal. - Sei, pai. Lembro do barbeiro brigando no meio da espuma, as cadeiras reviradas, era tempo de guerra… Lembro o sotaque do judeu. Ele diz que falava assim porque tinha engolido um gato, né? E o sabonete feito da mãe e do pai dele, você lembra, pai? - Sim. Quem escreveu foi esse senhor aqui, o Seu Joel Rufino. Ele morreu ontem. Escreveu esses outros livros. – e mostro mais capas, falo de cada um. Até que Daruê, sempre mestrinho, sumaria antes da sua pergunta de sempre. - Ele escreveu ele. Morreu como? Tem três obras de Joel que são perpétuas pra quem lê, entre outras....

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    Abdias Nascimento em Nova York, 1997. (Foto: Cheste Higgins Jr/ ACERVO ABDIAS NASCIMENTO/ IPEAFRO)

    Abdias sempre

    O centenário de nascimento foi em 2014, mas o tempo de reverenciar Abdias é sempre. Amanhã, o mais importante líder negro nacional do século XX (crianças, anotem!) será homenageado em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos de uma das casas que ajudou a dignificar, o Senado Federal. Na cerimônia, estarão o nigeriano Wole Soyinka, primeiro africano a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, em 1986, e o historiador ganês Anani Dzidzienyo, professor da Brown University (EUA) e velho estudioso das relações raciais no Brasil. Participam também representantes da Marcha das Mulheres Negras, da Comissão da Verdade da Escravidão e do Educafro. Lembrar Abdias Nascimento é revisitar a luta, ainda em curso, do povo negro contra o racismo, pela igualdade. Salve ele! Escritor, artista plástico, teatrólogo, professor, político e, sobretudo, ativista da causa negra, Abdias partiu do aiyê (mundo físico, em iorubá) para o orun (espiritual), em maio de 2011....

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    (Foto: Reprodução/ Documentário O Negro da senzala ao soul)

    O Negro da senzala ao soul: Um documentário da TV Cultura 1977

    Gabriel Priolli resgata um vídeo que conta a história do Movimento Negro e sua organização, que foi ao ar na TV Cultura de São Paulo em 1977. É surpreendente a sua atualidade e contemporâneidade em 2015. Nós do Movimento Negro Brasileiro temos muito pouco material televisivo da época da ditadura. Apesar de movimentarmos milhões de negros brasileiros por todo o país com consciência, dignidade, reconhecimento e “soul”. Nossa invisibilidade na “mídia” oficial era quase que total. Este documentário portanto se insere então no rol dos vídeos, que todos os negros e negras contemporâneos e futuros, terão a obrigação de ver caso queiram sabem um pouco mais de seu presente, através do que foi feito em um passado recentíssimo. Marcos Romão (Mamapress) “Quando a classe média, o branco começou a a entrar nas escolas de samba, a gente começou a se sentir um pouco, como se estivesse sendo expulso de lá”....

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    (Foto: Ayalla Salvador)

    Memória Lélia Gonzalez: tributo que reativa o combate ao racismo e ao sexismo

    “Um dia como esse tira qualquer mágoa do coração” Jê Ernesto Este artigo é um texto-relato sobre o lançamento do projeto Memória “Lélia Gonzalez: o feminismo negro no palco da História”, realizado ontem, 15 de julho, em São Paulo. Descrevendo os acontecimentos do evento, o protagonismo de algumas mulheres em sua organização e no seu desenrolar, procura apresentar a magnitude de dois monumentos, Lélia Gonzalez e Sueli Carneiro, para a ação política que se quer renovada e apta para os tempos que estão por vir.   Os lugares que se bifurcam, o acontecimento que se amplifica Centro de São Paulo. 15 de julho de 2015. Quase 19h. Pessoas de diferentes faixas etárias, procedências e filiações políticas aglomeram-se, escrevente inclusa, no térreo do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) que transborda e transborda. O objetivo era um só: todas as atrasadas queriam ter a oportunidade de adentrar a sala onde estava sendo...

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    Gustavo de Lacerda (Foto: Imagem retirada do site ABI)

    Gustavo de Lacerda: o criador da Associação Brasileira de Imprensa (ABI)

    “o jornalismo, entre nós, não é uma profissão: ou é eito, ou é escada para galgar posições”.  (Gustavo de Lacerda) As transformações tecnológicas, que foram surgindo nas primeiras décadas do século 20, marcaram a transição de uma imprensa artesanal para uma imprensa de cunho empresarial.  Dentro da ótica capitalista, o jornalismo passou a ser visto como importante fonte de investimento. A valorização dos periódicos (jornais e revistas) está ligada à nova temporalidade de uma sociedade que adentrou o novo século, no qual o binômio, composto pelas palavras modernidade e progresso, era a tônica. O telégrafo, aliado a novas técnicas de impressão, possibilitou uma maior tiragem do jornal, mantendo a qualidade na produção. Havia uma demanda no mercado por informação, cada vez mais rápida, acerca dos fatos que ocorriam no Brasil e no mundo.  Tempos modernos... É neste contexto de transformações socioeconômicas, que despontará um jornalista mulato e pobre: Gustavo de Lacerda...

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    (Ilustração: Angelo Agostini)

    Um (singelo) tributo a Luiz Gama

    Não sou eu graduado em jurisprudência, e jamais frequentei academias. Ouso, porém, pensar que, para saber alguma coisa de direito não é preciso ser ou ter sido acadêmico. Além do que sou escrupuloso e não costumo intrometer-me de abelhudo em questões jurídicas, sem que haja feito prévio estudo de seus fundamentos. Do pouco que li relativamente a esta matéria, colijo que as enérgicas negações opostas às petições que apresentei, em meu nome e no próprio detido, são inteiramente contrárias aos princípios de legislação criminal e penal aceitos e pregados pelos mestres da ciência. (Luiz Gama, 1869). Neste 21 de junho, dia do aniversário de Luiz Gama (mesmo dia do aniversário de Machado de Assis), apresentamos algumas reflexões que o tomam como inquestionável parâmetro para pensarmos no universo dos possíveis como forma de construção de uma episteme efetivamente plural – tema caro à educação e, particularmente, aos debates em torno da Lei 10.639/03. O fio...

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    João Cândido (Imagem: Arquivo Nacional)

    Há 135 anos, nascia “O Mestre Sala dos Mares”

    “É preciso que trabalhemos muito, que haja muita união, parte com parte. Desapareçam as paixões, os espíritos de vinganças que hão devir ou virão, é preciso que estejamos unidos para o futuro”. A abolição da escravatura, em 13 de maio de 1888, ocorreu sem inclusão social, restando aos libertos a pobreza, o subemprego e o estigma de séculos de escravidão. Este quadro excludente, o historiador e jornalista gaúcho, Décio Freitas (1922-2004), que foi dirigente do Partido Comunista Brasileiro, conceituou de “Brasil inconcluso”, título de um de seus livros. A Censura no governo militar Em nosso país, entre outras contribuições, o samba se constitui numa herança musical do negro, representando uma das formas da sua resistência cultural. "O Mestre-Sala dos Mares", composto, em 1975, por João Bosco e Aldir Blanc, é um relicário desse gênero musical, cuja letra foi censurada no regime militar (1964-1985) por trazer a público a figura de...

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