segunda-feira, setembro 20, 2021
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As Consequências da Inconsequência

Impossível ignorar o ocorrido no 9 de setembro. O dia em que um presidente da República do Brasil se rendeu a seu próprio mundo paralelo. Desnecessário dizer o quanto o governo Bolsonaro é ruim sob qualquer aspecto, e os números não mentem, nem permitem paixões, a favor ou contra, a administração de Jair Messias.

Economia, Saúde, Educação, Meio Ambiente, Infra-Estrutura, gestão da pandemia, combate à corrupção, combate ao crime organizado, geração de emprego, gestão hidro-energética, nada! Não há um único item em que os números digam “aqui o atual governo vai bem”, e isso é inédito na história. Bolsonaro bateu todos os recordes negativos possíveis para o cargo! É o pior presidente em todos os tempos da República desde sua proclamação em 15 de novembro de 1889, e pensando que tivemos golpes militares, ditaduras, Sarney com 3 planos econômicos fracassados em 4 anos, e Collor confiscando o dinheiro da poupança das pessoas, ainda assim, ser considerado pior que tudo isso não é pouca coisa! Entretanto, e apesar disso, Bolsonaro mantém um discurso onde, para os desatentos e para os fascistas da elite branco-cristã brasileira, o inimigo do Brasil era o “Comunismo”. Pessoas que não fazem a menor ideia do que é Comunismo, o enxergaram em qualquer partido, movimento, pessoa, espírito, desenho animado, qualquer coisa que fizesse o mais natural numa democracia: fazer oposição ao governo.

Movimentos sociais, como os Sem Teto e Sem Terra, movimentos de minorias sócioeconômicas, como o Feminismo, Movimento Negro e Movimento LGBTQIA+, partidos progressistas de esquerda e centro-esquerda, partidos de direita liberal, instituições da República protegidas pela Constituição Federal, como Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal, o catolicismo e protestantismo progressista, as religiões de matriz africanas, artistas e políticos que romperam com o presidente no meio do caminho, por perceberem a incompetência, e/ou a corrupção, e/ou o extremismo fascista, todos foram colocados no balaio enorme chamado “Comunismo”, e a partir da premissa do nós contra eles, Bolsonaro iniciou e insuflou seus seguidores a uma cruzada em que todos estes atores mais 80% da população brasileira estavam errados e corrompidos, e apenas eles, os brancos-verde-amarelos-cristãos-conservadores-hétero-cis-armados, estavam certos.

O ápice desse surto coletivo aconteceu neste 7 de Setembro, data em que Bolsonaro convocou seus fanáticos a tomerem as ruas, e discursou bradando a quem quisesse ouvir que não mais obedeceria a ordens judiciais do Supremo, que convocaria o Conselho da República, expediente para casos como Estado de Sítio, e várias outras ameaças e bravatas. Seu séquito ouviu a tudo em êxtase, e muitos postaram videos comemorando o golpe, que sequer esteve perto de se consumar, como se já tivesse acontecido. Dois dias depois, o presidente covarde lança uma tal Carta À Nação, em que afirma que não é nada disso, que a intenção não era essa, e que tudo que foi dito no discurso, e nos últimos meses, foi no “calor do momento”.

E agora? Como está a mente dos nazi-latinos que acreditaram na proposta do delírio golpista? Há quem esteja chorando, literalmente, pois apostou tudo nessa loucura, abrindo mão de empregos, bens, economias, pra apoiar seu capitão, e há quem diga agora que Bolsonaro é fraco, um frouxo. O problema? Por um lado, um líder como Bolsonaro é extremamente perigoso, por ser um corrupto pateta e inapto. Por outro, essa horda com ódio, frustração e preconceitos mil, que viram em Bolsonaro um norte, pra onde convergir seus ressentimentos escravocratas e machistas estão, agora, no esquema barata voou: sem líder, sem direção, e decepcionados. Muitos deles, andam armados, e/ou pertencem às forças de segurança (polícias e guardas). O que será deles? E de nós, à mercê deles?


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Clodoaldo Arruda é filósofo, rapper, produtor musical e ativista, no Hip Hop desde 1988, no feminismo negro desde 1992, através do Geledés-Instituto da Mulher Negra. Atualmente, é responsável pelo projeto multimídia Arruda Crônico, que inclui música rap, influência digital, programas online, além de palestras, aulas e debates, sobre temas que pertençam aos escopos da Filosofia, Política, Cultura e Comportamento.

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