Ator indígena de ‘O último dos moicanos’ morre aos 71 anos

Russell Means foi um dos principais ativistas do movimento indígena nos EUA

SIOUX FALLS (EUA) — Russell Means, ativista do movimento indígena nos EUA que liderou a revolta de Wounded Knee, em 1973, e atuou em alguns filmes de Hollywood, morreu nesta segunda-feira, aos 72 anos. Means morreu em seu rancho em Porcupine, Dakota do Sul, segundo a porta-voz da tribo Oglala Sioux.

O ativista, nativo da tribo Wanblee que cresceu em San Francisco, anunciou em agosto de 2011 que estava com um câncer inoperável na garganta. Na época, ele disse à Associated Press que iria abandonar o tratamento médico e usaria apenas remédios indígenas tradicionais e medicina alternativa em sua casa.

Sua carreira em Hollywood começou em 1992 quando ele interpretou Chingachgook, ao lado de Daniel Day-Lewis, no filme “O último dos moicanos”. Ele também apareceu no filme “Assassinos por natureza” (1994), fez a voz do chefe Powhatan em “Pocahontas” (1995) e apareceu como convidado na série “Curb Your Enthusiasm”, em 2004.
Means liderou a ocupação armada da cidade de Wounded Knee, na Dakota do Sul, um cerco de 71 dias que incluiu várias batalhas com agentes federais. Ele também se envolveu em várias polêmicas por sua ligação com o AIM (American Indian Moviment), organização indígena fundada nos anos 1960 para protestar contra o tratamento do governo em relação aos americanos nativos.

Segundo ele, antes da AIM não havia uma organização que defendesse o direito dos índios e que eles sentiam verdonha de suas origens e tradições. O movimento com o tempo perdeu força, como resultado dos americanos nativos ganharem força e auto-determinação, explica.

“Ninguém além de estrelas de Hollywood e texanos muito ricos usavam joias indígenas”, disse, “E havia dezenas de grupos de jovens que nos insultavam, desde o colégio. Isso tudo mudou”.

O caso mais controverso da história do movimento foi a morte de Annie Mae Aquash, em 1975. Ela teria sido assassinada na reserva de Pine Ridge por três homens, a mando de líderes da AIM, por suspeita de ser uma informante do FBI. Dois ativistas acabaram condenados pelo crime. Um terceiro nunca foi julgado. Means acusou Vernon Bellecourt, outro líder da AIM, de ordenar o assassinato de Aquash.

Means chegou a ser pré-candidato a presidência dos EUA em 1988, pelo Partido Libertário. Ele também foi brevemente candidato a vice-presidente na mal-sucedida tentativa de Larry Flint ser indicado como candidato a presidente pelo Partido Republicano em 1984. Mas ele se considerava um libertário e não conseguia entender como alguém podia se classificar como republicano ou democrata.

Means contou sua história de vida no livro “Where white men fear to tread”. Ele garante não ter fugido das polêmicas na autobiografia, assumindo seus erros e fraquezas, mas também reconhecendo suas vitórias.

“Eu digo a verdade, me exponho como um ser humano fraco, equivocado, desfuncional que eu costumava ser”.

 

Fonte: O Globo 

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