Autos de resistência cresceram 158% entre junho e julho deste ano

O mês de julho teve o maior número de mortes de suspeitos em confronto com a polícia (os chamados autos de resistência) este ano. Apesar de a cúpùla da segurança pública comemorar a redução dos homicidios dolosos no estado – julho teve o menor ïndice desde 1991 – os dados recente acendem o sinal de alerta. 0s número dos autos de resistência no mês passado foi 158% maior do que em junho, e ficou 32% acima do mesmo mes do ano passado. Apenas na última semana, pelo menos 18 autos de resistência foram registrados somente na capital.

Costa Barros concentrou um terço das vítimas de bala perdida na capital no primeiro semestre deste ano

De acordo com as estatísticas do Instituto de Segurança Pública (ISP), foram 263 autos de resistência nos primeiros sete meses de 2012, contra 409 em 2011 – uma redução de 35,7%. No entanto, o número mais do que dobrou entre junho e julho. O segundo mês deste ano com mais registros desse tipo foi abril, com 45 ocorrências. Em julho do ano passado, haviam sido 37 casos.

A progressão dos registros começou na segunda feira da semana passada, quando três bandidos foram mortos num assalto na Tijuca, e outros três no Morro do Cavaleiro, em Anchieta, Na quinta-felra, cinco suspeitos morreram na favela do Rola, em Santa Cruz, numa operação da Coordenadoria de Recursos Especials (Core), e dois no Complexo da Maré, numa ação do Batalhão de Operações Especiais (Bope).

Na sexta, mais um homem morreu na favela do Arará, em Benfica. Ontem, foram quatro mortos no Dendê, na Ilha do Governador.

Em 31 de julho, o cabo Mauricio Fabiano Brasa Pessoa foi flagrado dando um tiro no pé de um suspeito de praticar um sequestro-relâmpago, na Barra. O caso foi registrado pelos PMs como auto de resistência. O cabo chegou a ser preso, mas foi libertado na semana passada.

Aumento de operações

Yasmin, de seis anos, teve certidões de nascimento e óbito expedidas no mesmo dia

Procurada pelo jornal Extra, a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança explicou que, em julho, houve um aumento significativo do número de operações em área fortemente dominadas pelo tráfico de drogas, sobretudo nas regiões da 3º BPM (Méier),onde está o Complexo do Jacarezinho, e também do 41º BPM (Irajá), que engloba as favelas de Costa Barros e Acari. Foi na área do 41º BPM que foi morta por uma bala perdida, ontem, a menina Yasmin Camilo de 6 anos, após a entrada da PM na favela. Ainda segundo a secretaria, as ações da PM geraram mais conflitos nessas áreas e, assim, fizeram subir o número de autos de resistência no mês de julho.

Certidões de nascimentos e óbito no mesmo dia

Na guerra entre polícia e traficantes que ainda existe de áreas do Rio, quem mais sofre são as vítimas inocentes. Como Yasmin Moura Camilo, que ontem teria dado o primeira passo para o pleno exercicio da cidadania, já que sua certidão de nascimento e foi expedida. Mas a menina nem chegou a ver o documento. Com o papel comprovando sua existência, local e data que veio ao mundo, além dos nomes dos pais e avós, a família da menina obteve também o atestado de óbito da menina. Seu corpo será sepultado esta manhã no Cemitério de Irajá.

O caminho da menina foi encurtado por um tiro de fuzil que perfurou sua nuca, anteontem a noite perto de sua residência, no Conjunto das Casinhas, próximo a Costa Barros. Os parentes e os vizinhos acusam a polícia pela execução. A área concentrou um terço das vítimas de bala perdida na capital, no primeiro semestre deste ano.

Yasmim dividia a casa de um único cômodo e menos de 20m² com os sete irmãos, que têm entre 1 ano e três meses e 13 anos, e os pais, o garçom Antonio Camilo Severino e a vendedora ambulante Tereza Odeth. No espaço, há apenas uma cama de solteiro, uma televisão, uma geladeira e um fogão. Todos dormem no chão, sem ao menos um colchonete.

Além de Yasmin, Brenda Moura Camilo, de 8 anos, e Jonas Moura Camilo, o bebê mais novo, também não têm documentos. A família mudou-se para a comunidade há seis anos, após sair da Nova Brasília, no Complexo do Alemão, Fugia da violência que assolava a região, onde hoje existe uma Unidade de Policia Pacificadora (UPP).

“Parece que arrancaram um pedaço de mim”, emocionou-se Tereza.

Os fatos

Pula-pula: Yasmin Moura Camilo, de 6 anos, foi baleada por um tiro de fuzil na esquina de casa, quando ia brincar no pula-pula montado na comunidade conjunto das Casinhas, onde mora. Ela estava com R$ 1 na mão para pagar o brinquedo. Policia suspeita: Moradores e a própria família da menina acusam policiais militares da 4ºBPM (Iraja) pelo tiro que a acertou na nuca. Segundo eles, os PMs entraram atirando, na Rua 2, dentro do carro blindado. Investigação: O delegado Reginaldo Félix, da 39º DP (Pavuna), já recolheu os trÉs fuzis dos PMs para confronto balístico com a bala que ficou alojada em Yasmin. Só assim será possivel entender como a menina foi balenda. Depoimentos: Na delegacia, os três policiais contaram que checavam denúncia de que uma Placa Uno branca com bandidos estaria atravessada na rua para fazer um arrastão. Chegando à favela, os PMs dizem que foram recebidos a tiros e recuaram, sem efetuar nenhum disparo. Solidariedade: Ontem, Aurea Cristina da Silva Santos, de 40 anos, mãe de Elizeu Santos Santos Trigueiro da Silva, de 15 anos, morto durante uma operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na favela Parque Arará, em Benfica, na sexta-feira, mandou um recado para a família da pequena Yasmin. Processo: “Eu vou processar o Estado. Se eles (os pais de Yasmin) quiserem, podem entrar na Justiça comigo. Vamos lutar juntos contra essa polícia. A gente não pode ver a história se repetindo e não fazer nada. Esses PMs parecem que chegam às comunidades com o diabo no corpo”, disse Aurea. Drama: Aurea está em casa e disse não conseguir sair da cama desde a morte de Elizou.

 

 

 

Fonte: OAB

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