quarta-feira, setembro 22, 2021
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‘Cansei de engolir sapo’ diz médico que apura casos de abusos sexuais na USP

Paulo Saldiva, médico responsável pela apuração de casos de abuso sexual na USP, se afasta da universidade

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Paulo Saldiva, médico patologista que presidia a comissão responsável pela apuração das denúncias de abuso sexual na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), pediu afastamento da instituição na última quarta-feira (12). Na ocasião, o professor escreveu um post no Facebook em que afirmou: “A falta de uma ação construtiva e pró-ativa da parte de todos nós, professores, fez com que os alunos da FMUSP fossem submetidos a situações inaceitáveis.”

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Apesar do tom ameno no decorrer do texto naquela ocasião, Saldiva — que ocupa o cargo de professor titular na universidade desde 1996 — fez críticas mais duras à instituição em entrevista publicada hoje na Folha de S.Paulo.

“A faculdade [de Medicina da USP] se comportou mal. Houve demora da congregação, ficaram na defensiva [sobre as denúncias de estupro das alunas]. Há uma crise de conduta, de valores. Cansei de engolir sapo”, disse o professor.

As denúncias a que Saldiva se refere são similares à de Leandra, aluna da FMUSP que gravou um depoimento para a Ponte.

Durante audiência na Assembleia Legislativa de São Paulo na última quarta-feira, alunos relataram, além de oito casos de violência dentro da USP, a omissão por parte da faculdade na apuração dos casos — as primeiras denúncias surgiram em 2011 e a FMUSP nunca fez averiguação alguma para não danificar a própria imagem. “A faculdade nunca fez nada. Como professor, sinto que falhei, não desempenhei meu papel. Todos os professores deveriam se sentir assim. Isso diz respeito a todos nós”, afirmou Saldiva.

De acordo com o patologista, os casos relatados pelos alunos é apenas uma fração do que acontece na FMUSP. Relatório da comissão a ser entregue à congregação da Faculdade de Medicina trará outras denúncias, como “abuso de álcool e de drogas, de assédio moral, de intolerância religiosa e étnica.”

Em nota à Folha, a direção da FMUSP disse que “lamenta, mas respeita” a decisão de Saldiva de deixar a instituição. Além disso, afirma que os casos de abuso estão sendo investigados.

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