terça-feira, fevereiro 7, 2023
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Cantor volta às raízes do reggae

Fonte: Folha de São Paulo –

Nos 28 anos passados desde a morte de Bob Marley, o reggae tem procurado um novo porta-estandarte. O cantor e compositor rastafari Tarrus Riley, 30, não é o primeiro a candidatar-se ao papel, mas seu nome já vem sendo mencionado em conjunto com os dos maiores astros do reggae.

Riley possui uma voz expressiva e imediatamente reconhecível, além de um dom para criar letras e melodias que captam os altos e baixos da vida e do amor -o bebê recém-nascido que não deixa seus pais dormirem, o marido que se queixa de que os beijos de sua mulher esfriaram-, de uma maneira que é familiar para seu público jamaicano e encontra eco no resto do mundo.

Riley tem personalidade persistentemente alegre e vive contando piadas, embora leve seu trabalho a sério. Em entrevista por telefone, ele disse que sua missão é “preservar nossa cultura” -ou seja, a música do reggae e a filosofia de Marcus Garvey de poder negro que anda de par em par com ela.

O som dancehall que domina a música jamaicana há duas décadas vem se tornando cada vez mais difícil de ser entendido pelo resto do mundo. Sem criticar o dancehall, Tarrus Riley lidera um retorno ao reggae de raízes tradicionais.

Em julho, ele se apresentou no Reggae Sumfest, festival anual em Montego Bay, Jamaica, com os maiores nomes do rhythm & blues e do hip-hop, além dos melhores artistas locais de reggae. Apresentaram-se, entre outros, Ne-Yo, cujo single de sucesso “Miss Independent” foi a faixa de backing do sucesso de dancehall “Rampin’ Shop”, de Vybz Kartel e Spice, e, em apresentação conjunta, Damian (Jr. Gong Marley), filho de Bob Marley, e o rapper americano Nas.

A conversa intercultural entre músicos americanos e jamaicanos vem acontecendo há meio século, resultando, entre outras coisas, na criação do ska (pela modificação do bebop americano) e do hip-hop (pelo transplante ao Bronx das dances jamaicanas com sistema de som). Mas, à medida que essas inovações foram virando categorias com presença no mercado, o reggae perdeu espaço nos EUA.

“Não gostamos de categorias”, disse Riley. “Porque então há a separação e o preconceito. Não aceito todas essas fronteiras, você entende? Gosto de fazer música livre, só isso.”

Nascido no Bronx (Nova York) e criado na Flórida e na Jamaica, Riley é filho do cantor de reggae Jimmy Riley, que estourou nas paradas pop britânicas em 1982 com a balada “Love and Devotion”.

Tarrus Riley, porém, gostava não apenas do reggae, mas também da música pop. “Tudo me influencia”, explicou. “Rock, R&B -a música influencia a música. Amo todas as melodias, sejam quais forem.”

À medida que foi amadurecendo, ele começou a fazer letras mais sensíveis, criando o que descreve como “música em sua casa”. “Minha garota disse ‘por que você não procura um emprego?’/ Ela me pergunta todo dia”, ele canta na canção nova “It Will Come”. “Você diz que me ama muito / mas isso não coloca comida na panela.”

Mas seu amor pelo dancehall é tão forte quanto sua recusa em ser categorizado. “Good Girl Gone Bad”, primeiro single de seu novo álbum, “Contagious” (VP Records), tem a participação do jovem D.J. Konshens.

É difícil unir o dividido cenário do reggae, mas talvez seja ainda mais difícil conquistar um público mais amplo com o reggae tradicional. Tarrus Riley, porém, não parece hesitar. “A gente não se liga realmente na dificuldade de nada, sabe”, disse. “Sou um homem que aceita os desafios. Estamos aqui para fazer todos os tipos diferentes de música para todos os tipos diferentes de pessoas.”

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