Censo 2022: Saiba qual é a cidade com mais pessoas autodeclaradas pretas

Segundo o IBGE, 20,6 milhões se declaram pretas no Brasil. Em relação a 2010, essa população aumentou 42,3%

Serrano do Maranhão é o município com maior proporção de pessoas pretas do Brasil. Segundo dados do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (22/12), dos 10.200 moradores da cidade maranhense, 58,5% se autodeclararam como pretos. Em seguida, aparecem Antônio Cardoso (BA), com 55,1%, e Ouriçangas (BA), com 52,8%.

Segundo o IBGE, 20,6 milhões se declaram pretas no Brasil. Em relação a 2010, ano do penúltimo Censo, essa população aumentou 42,3%, sendo que a proporção no total subiu de 7,6% para 10,2% em 2022. 

Em nove municípios, a população preta foi maioria, e todos são localizados no Nordeste, sendo oito na Bahia (Antônio Cardoso, Cachoeira, Conceição da Feira, Ouriçangas, Pedrão, Santo Amaro, São Francisco do Conde e São Gonçalo dos Campos) e um no Maranhão (Serrano do Maranhão).

População mais parda

Ainda segundo IBGE, pela primeira vez, desde 1991, a maior parte da população brasileira se declara como parda. De acordo com os dados do Censo 2022, 92,1 milhões de pessoas (45,3%) se declararam pardos, enquanto que 88,2 milhões (43,5%) se declararam brancos. Também houve um salto da população preta e indígena, com crescimento de 42,3% e 89%, respectivamente.

O Censo constatou que a participação da população branca caiu de 47,7% em 2010 para 43,5% em 2022. Já a população amarela teve uma considerável redução, com a participação recuando de 1,1% para 0,4% — retornando a patamares de 1991 e 2000.

O Censo também mostrou que a população parda em 2022 era maioria em 3.245 municípios (58,3%). Mais da metade desses municípios (53,0%) estão no Nordeste. Ainda nesse sentido, o município com maior percentual de pessoas pardas é Boa Vista do Ramos (AM), com 92,7%, seguido de São João da Ponta (PA), com 87,4%, e Tracuateua (PA), também com 87,4% de pardos. Os dez municípios com maior proporção de pessoas pardas estavam no Amazonas, Pará e Maranhão.

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