domingo, setembro 26, 2021
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Cineasta Nelson George faz uma análise dos personagens negros em Hollywood em questões interraciais

A corrida do Oscar 2013 traz quatro filmes que tocam em questões interraciais

 

NOVA YORK – Um escravo é dilacerado por cães diante de uma plateia de brancos. Mascarado, caçador de recompensas assiste à cena, passivamente. Um pai faz sua filha abrir um caranguejo com as próprias mãos. Piloto cheira uma carreira de cocaína depois de uma noite de farra e, poucos minutos antes da decolagem, birita várias minigarrafinhas. Uma mulher negra diz ao presidente Lincoln que Deus irá guiá-lo para acabar com a escravidão.

Os quatro notáveis filmes ​​aqui apresentados são candidatos para uma série de Oscars: “Django livre”,”Indomável sonhadora”, “O voo” e “Lincoln”. No ano em que a América elegeu pela segunda vez aquele que foi o primeiro presidente negro de sua história, os filmes mais falados da temporada, todos de diretores brancos, tratam das relações interraciais, o que é bem raro.

Olhando para esses filmes, é difícil não questionar: os personagens negros foram retratados com verdade? São eles agentes do seu próprio destino ou apenas reféns de personagens brancos? Eles são muito nobres para serem reais? Alguns destes personagens têm um caminho a seguir?

Denzel Washington em “Tempo de Glória”

Ao longo das primeiras décadas pós-direitos civis dos negros, a imagem deles tende a ser vista na mídia através de um prisma maniqueísta. Na pele de um soldado com temperamento forte e heroico em “Tempo de Glória” (1989), Denzel Washington foi aclamado de forma positiva. Já em “Dia de Treinamento” (2001), como um policial corrupto, nem tanto. Embora tenha vencido nas duas ocasiões, o papel do policial que trai causa uma certa implicância.

Como Spike Lee, os irmãos Hughes, Julie Dash e John Singleton têm retratado os personagens negros do cinema não como símbolos raciais, mas como seres humanos necessários e acessíveis, a partir da criação de papéis masculinos e femininos com grande profundidade moral. O legado deixado por “Faça a coisa certa” e “Perigo para a sociedade”, entre outros, é de que o público não pode respeitar qualquer filme que investigue a raça, mas que se prenda a alguns estereótipos.

* Nelson George é cineasta e autor do livro “Blackface: Reflections on African Americans and the Movies”

 

 

Fonte: O Globo 

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