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Conceição Evaristo: “A questão racial não é para o negro resolver”

Ao R7, consagrada escritora se mostrou feliz com prêmios recentes e falou sobre relações de racismo na sociedade e na literatura brasileira

Por Guilherme Padin, do R7

Conceição Evaristo: “Criações negras não são valorizadas e repercutidas” (Foto: Rafael Arbex/Estadão Conteúdo)

Um dos nomes mais conceituados da literatura brasileira nas últimas gerações, Conceição Evaristo é personagem importantíssima na luta pela afirmação da identidade negra no país, sobretudo no campo da escrita. Aos 73 anos, ela foi recentemente homenageada pelo prêmio Jabuti e condecorada cidadã honorária de São Paulo.

Feliz com os prêmios recentes – tanto a ela como outros a seus pares –, a experimentada escritora não perde, porém, a oportunidade de apontar que as premiações chegaram de forma muito tardia.

Em entrevista ao R7, ela falou das relações de racismo e luta por justiça na literatura, contou sobre sua trajetória na escrita e demonstrou otimismo com a juventude negra e o futuro como um ambiente de igualdade na sociedade brasileira.

– Como foi ganhar o título de cidadã paulistana? Qual é a sua relação com a cidade?

Um momento muito feliz pra mim, porque São Paulo tem uma forte significação na minha carreira literária. Minha primeira publicação acontece em São Paulo, com o grupo Quilombhoje de literatura, um grupo de escritores afro-brasileiros, homens e mulheres, que organizam a publicação para entrar no campo literário. Em 1990, aos 44 anos, tive minha primeira publicação nos Cadernos Negros. Em um ano o grupo se organiza para publicar poemas e no outro para publicar prosas. Vim a São Paulo recentemente para o lançamento do 42º caderno.

Fora do Rio de Janeiro, o primeiro público que se organiza e recebe minha literatura é em São Paulo. A partir de 1990, que tenho uma relação com o grupo Qulimbhoje, isso me leva a quase todo ano vir a São Paulo. Às vezes até mais de duas vezes por ano. Ultimamente minha relação com São Paulo aumentou e se aprofundou com prêmios e exposições que ganhei na cidade.

Esse ano, quando fui eleita a personalidade literária brasileira, também aconteceu em São Paulo. E outros encontros importantes da minha vida, por exemplo o encontro com Malala, que foi em São Paulo. São Paulo entra na minha vida e entra marcando esse espaço literário. Quando o vereador Suplicy me contemplou com o título de cidadã honorária, fiquei feliz. E é uma maneira de eu devolver a São Paulo, de eu estar em São Paulo também sendo reconhecida pelos paulistanos e deixando meu agradecimento.

Estamos como sociedade num processo atrasado
Conceição Evaristo

Aos 73 anos ainda pretendo escrever muito, mas às vezes me pergunto se esse reconhecimento não se deu de forma muito tardia, quando penso que minha primeira publicação foi em 1990. Isso marca também a trajetória da mulher negra brasileira, para se afirmar fora dos espaços de oportunidade.

Poucas escritoras negras têm tido esse trânsito como eu tenho. Talvez até muitas escritoras brancas não tenham tido esse trânsito, que é constante e com um público muito diversificado. Fico muito grata à vida e às pessoas que estão relacionadas a esse momento da minha vida.

– Sua compreensão sobre o racismo se formou com o tempo ou desde pequena já notava?

Desde pequena. À medida que saí do espaço onde fui criada e do entorno familiar, e entrei para o jardim de infância – relembrando alguns fatos -, esses fatos já indicava modos de relações raciais na sociedade brasileira. O próprio curso primário. Ao longo da vida, eu sofri vários fatos de racismo. E não só eu como as pessoas negras, crianças negras da favela onde nasci e me criei. Para uma criança negra, a escola é o primeiro lugar que aponta essa diferença, que faz dessa diferença algo negativo. Tínhamos uma percepção, mas não priorizada. Mas a gente sabia, por exemplo, as crianças que vinham da favela tinham outra recepção na escola. O que chamam de buylling hoje é o racismo que experimentamos desde sempre. Era chamada de macaca, neguinha, pobre, favelada. Esses apelidos todos negativos em relação à população negra, sempre nessa premissa.

E em um dado momento, aos 17 anos, descubro em Belo Horizonte o Movimento Negro Brasileiro. E fui em algumas reuniões. Ainda tive a presença dentro de casa do meu tio Osvaldo Catarino Evaristo, irmão de minha mãe, me deu a primeira lição de negritude. Ele foi expedicionário, e quando voltou da guerra, recebeu um trabalho público na secretaria de educação de Belo Horizonte. Meu tio foi uma espécie de autodidata, pois estudou muito sozinho, lia muito… e ainda era um artista plástico. Tinha uma consciência racial já bem aprimorada. Naquela época ele já lia e tinha informação do movimento da negritude. Aos poucos ele foi me dando algumas reflexões que eu assimilava de acordo com a competência da minha idade. Quando eu passei a priorizar, pensar e me organizar de forma no convívio social é quando vim ao Rio de Janeiro para exercer a função de magistério e conheci outras lideranças do movimento no Rio.

– Como se deu sua participação no Movimento Negro Unificado?

Nos anos 70, minha participação em movimentos negros foi muito mais em escutá-los. Nos meados dos anos 70 houve uma grande efervescência dessa cultura da nossa identidade negra. Aqui no Rio de Janeiro, uma instituição que foi importantíssima foi o IPCN (Instituto de Pesquisa da Cultura Negra). Era uma instituição profundamente política, no sentido de afirmação dessa identidade.

Chegam os anos 80, em 1981, nasce a minha filha, que recebeu um nome africano, por influência das nossas discussões, da formação que a gente recebia no movimento negro, já buscando uma recuperação dos nomes e origens que a gente perde. Nossos ancestrais africanos perderam o contato com nossa língua materna, e aí recebemos esse nome cristianizado. Os anos 80 foram uma efervescência busca por recuperar esses nomes. Minha filha tem 37 anos e se chama Ainá. Nesse período, muitos pais influenciados pelos movimentos negros colocaram esses nomes.

É uma influência marcada pelo conhecimento que já tínhamos da luta por liberdade, dos direitos civis, a luta das colônias africanas em seus processos de libertação contra a Europa. A pauta, as universidades, falando do curso de Letras, passam adotar a literatura africana. A minha formação se deve à teorização sobre as questões negras, é devedora do movimento negro. Esse movimento negro unificado contaminou ainda outros espaços para além do espaço da militância formal, como em escolas de samba se voltando a culturas afro, modelos, estética, cultura, cabelo… recebi essa influência, mas nunca fui liderança deste movimento. Minha atuação foi de militância. De liderança, não.

– Você acredita que o negro no Brasil tem uma margem de falha menor?

Sem sombras de dúvidas. As pessoas negras são muito mais cobradas. A gente já recebe essa formação. Sabemos que não podemos falhar. Então nos espaços em que estamos temos uma responsabilidade muito grande. Porque se um sujeito falha, é como se toda a comunidade estivesse falhando. O negro não pode ser bom, ele tem que ser ótimo do ótimo. E mesmo assim ele sendo ótimo, sua competência é negada.

Mas hoje temos também uma juventude negra que é atenta a isso, que não é tão exigente com ela mesmo como os negros da minha geração. Essa juventude negra reivindica a possiblidade de ser reconhecida como sujeito humano, e não como o supra-sumo.

– Sendo uma referência na literatura e no movimento negro, qual é a sua avaliação sobre a participação dos negros na literatura brasileira?

Partindo da minha experiência, tenho dito e afirmado que o primeiro lugar de repercussão da minha obra foi no movimento negro, com meus pares primeiro me lendo.

Se for pensar na literatura negra brasileira, começa com Machado de Assis, passa por Cruz e Souza, Lima Barreto, Maria Firmina dos Reis. Agora, a crítica literária também nasce e é desenvolvida num país onde relações raciais são relações profundamente racistas, mas que não assumem esse racismo. Um grande exemplo de uma crítica racista é aquela crítica que nega a condição negra de Machado de Assis.

Nós sempre estudamos Machado de Assis como escritor branco. Há a crítica que nunca apresentou que Castro Alves também tinha ascendência negra. Os retratos que vemos dele são retratos em que ele parece um português. Mas ele também tem ascendência negra. Há outras fotos em que dá pra ver Castro Alves como um mestiço brasileiro.

Essa participação do negro na literatura brasileira sempre se deu, mas os sujeitos negros que se afirmam na literatura são embranquecidos. A não ser o caso de Cruz e Souza que tinha a pele negra muito marcada, não dá pra embranquecer Cruz e Souza. E talvez não dê também pra embranquecer Lima Barreto.

Se pode dizer que a partir dos anos 30 e 40 tivemos poetas negros que vão afirmar com muita veemência a sua negritude nos textos. Mas ainda é uma negritude meio dolorosa. Isso muda muito a partir dos anos 70 e 80, que têm textos literários inspirados pelo desejo de não mais criar personagens nesse perfil.

A partir dos anos 70, o texto literário, criação literária e autoria literária tem personagens que se afirmam positivamente como pessoas negras. Há uma procura também de se desvencilhar de estereótipos que compõem personagens negros que há na literatura.

Há o desejo de vários autores e autoras de se criar personagens, a cultura e a ambiência negra de outra forma, desvencilhadas o máximo possível dos estereótipos de homens, mulheres e crianças negras no Brasil.

– Você acredita que haja uma impressão preconcebida de que negros não podem ocupar cargos de intelectualidade?

São pensamentos de que determinadas competências fossem competências próprias de determinadas etnias. O negro pensa, negro produz saber. As criações negras não são valorizadas e repercutidas. Há uma intenção de negar e matar esse conhecimento negro que existe na sociedade brasileira.

Na literatura existe um saber que está se afirmando cada vez mais com intelectuais que pensam o mundo fora do padrão branco é a literatura indígena, que está surgindo, e mais que a literatura de autoria negra, ela ainda não teve lugar na literatura brasileira. Mas isso com um tempo surge. Mais cedo ou mais tarde essas vozes explodem.

– Escritores negros têm tido mais reconhecimento recentemente? Acha que nesse aspecto também há um atraso?

Tem tido mais reconhecimento, sim. Mas ainda está em atraso, sem sombra de dúvidas. O campo do nosso reconhecimento vem se abrindo não pela boa vontade do outro, mas pela persistência do negro. Um fato marcante foi a Flip de 2016, quando um grupo de intelectuais negras, lideradas por Giovana Xavier, chama a Flip de “Arraiá da Branquidade”. Quando foi em 2017, Joselia Aguiar, que era curadora da Flip, muda o rosto do evento, quando o homenageado é Lima Barreto. E fui uma das homenageadas, e outros intelectuais também foram.

Na medida que vamos reivindicando com muita veemência o nosso lugar na literatura brasileira, isso chama atenção e leva as pessoas mais sensíveis a prestarem atenção, a procurarem essa autoria negra, mas porque demos o primeiro grito. A Cidinha da Silva acabou de ganhar um prêmio na biblioteca internacional. Isso vem mudando. Cada um de nós que provoca esse furor que é provocado na imprensa. O que peço muito para quem me entrevista é que procure outros e outras escritoras negras.

Tomara que isso tudo desperte um desejo de conhecer esses novos sujeitos da escrita. Se não ficaremos sempre trabalhando com que já está aí dado. Acredito que o Jabuti pra mim e pra outros escritores e escritoras que estão fora das grandes editoras, causa uma revolução na maneira de pensar esses lugares de novas vozes literárias. E isso só acontece se houver uma curadoria sensível, capaz de sair do lugar onde estavam antes.

Nossa presença nessas curadorias também é importante. Já participei duas vezes da avaliação do prêmio Jabuti, de uma avaliação de prêmio do Governo do estado de Minas Gerais. Já participei de avaliação do prêmio da biblioteca nacional, e esse ano estou participando da avaliação do prêmio Kindle de literatura, promovido pela Amazon. A gente precisa estar nesses espaços também de avaliação desses novos textos.

– Pela internet, muitos movimentos negros têm tido um alcance reforçado hoje em dia. Qual é sua opinião sobre isso?

Acho que a internet acaba tendo uma força grande de divulgação. Ela tem os pontos positivos e os negativos. O positivo é a possibilidade de alcançar grande número de pessoas. E um negativo é que as coisas são muito rápidas, e ela pode oferecer uma leitura muito rasa do que está se passando. Há grupos que são extremamente dinâmicos nesse processo da internet. Muitos textos de criação, muitos livros são lidos pela internet, como no caso da música, as pessoas que começam pela internet, vão se afirmando e ganham público. Por exemplo, eu conheci a Liniker através da internet. Hoje, quando posso estar no show dela, eu vou, pois tenho um carinho muito grande pelo trabalho dela.

A internet não é Deus nem o Diabo. Dá para usar inclusive pelo estudo da literatura. Não só na pesquisa. Se o professor tiver uma certa perspicácia, através da internet ele promove discussões de textos literários, apresentação de textos. Eu particularmente tenho dificuldade. Tenho um blog parado há anos, mas vou reativar. É um blog que imaginei para pesquisadores. Me ajuda muito. Quando um pesquisador quer falar comigo ou saber de alguma pesquisa, ele vai no blog e tem acesso a essas informações. Se souber utilizar, podemos fazer bom proveito.

– Como você avalia a união de movimentos negros, como a Coalizão Negra por Direitos?

É importante, sem dúvidas, o trabalho coletivo. Essa afirmação coletiva pode alcançar maiores efeitos. Também não acho que os grupos devem perder suas especificidades. De todo o movimento de mulheres, dentro há o movimento de mulheres brancas e classe média, que podem levantar determinadas questões. Mas, quando se trata das questões específicas das mulheres negras e pobres, o movimento de mulheres por si só não dá conta.

Quando pensamos no movimento negro, por exemplo, hoje tenho uma posição que me difere das mulheres das favelas que lutam de outras formas por sobrevivência. Elas enfrentam no dia-a-dia questões que não enfrento mais. Então não posso dizer que meu discurso dá conta da demanda dessas mulheres. Essas especificidades não podem ser perdidas.

Os movimentos de quilombolas, por exemplo, têm especificidades diferentes dos movimentos negros que acontecem na cidade. Eu tenho interesse e apreço pela luta indígena, mas não vivo as experiências dos sujeitos indígenas. Se eles se levantam e se colocam contra a subalternização, eu, com minha experiência de pessoa que traz também um histórico de subalternização, eu posso engrossar a voz pro movimento e as reivindicações desse grupos. Mas há dados e vivencias especificas que me fogem à competência, então tenho que respeitar.

Temos que estar em estado de alerta e saber qual o momento de coalizão e qual o momento de se atentar às demandas específicas.

– No contexto do que aconteceu em Paraisópolis, como você avalia o tratamento do Estado com as pessoas de periferia?

Tem um poema meu, o título é “Certidão de Óbito”, está no livro “Poemas da recordação e outros movimentos (2008)”. Prefiro responder com esse poema:

Certidão de óbito

Os ossos de nossos antepassados
colhem as nossas perenes lágrimas
pelos mortos de hoje.
Os olhos de nossos antepassados,
negras estrelas tingidas de sangue,
elevam-se das profundezas do tempo
cuidando de nossa dolorida memória.
A terra está coberta de valas
e a qualquer descuido da vida
a morte é certa.
A bala não erra o alvo, no escuro
um corpo negro bambeia e dança.
A certidão de óbito, os antigos sabem,
veio lavrada desde os negreiros.

– Você acredita que as pautas do movimento negro são bem recebidas? Acha que falta uma melhor compreensão da população sobre essa luta?

Falta uma melhor compreensão da população em geral, falta uma melhor compreensão de determinadas instituições, inclusive instituições acadêmicas, de muitos intelectuais brasileiros, que entendem do ponto de vista intelectual, mas não entendem do ponto de vista político.

E isso para a gente ficou muito difícil quando determinados intelectuais que assinaram um documento contra as cotas. Intelectuais brasileiros assinaram um documento contra as cotas. Falta uma compreensão efetiva, uma afirmação de políticas públicas que sejam benéficas e que seriam respostas a demandas do movimento negro.

Nós estamos como sociedade num processo muito atrasado de compreensão das necessidades das populações inferiorizadas. O Brasil ainda não viveu plenamente esse processo de justiça para as populações subalternizadas, e aí incluímos as populações indígenas. O Brasil como Estado é devedor dos africanos e das comunidades indígenas.

Enquanto não houver um sistema igualitário em termos de oportunidade, estudo, trabalho, habitação, saúde, para todo o povo brasileiro, a sociedade brasileira ainda é profundamente injusta.

– De que maneira os brancos — e a sociedade em geral — podem cooperar para os avanços na busca por equidade?

A questão racial no Brasil não é uma questão para o negro resolver, como a pobreza não é para o pobre resolver. O machismo também não é uma questão para a mulher resolver. Porque, se não, o sujeito que é vítima e sacrificado ainda tem que procurar resposta. A questão negra no Brasil não é uma questão do negro, é uma questão da sociedade.

Os brancos têm uma responsabilidade muito grande na procura por essa resposta. Nós sozinhos não damos conta… já somos sacrificados. É uma questão de todo o brasileiro, como a questão indígena é de todo brasileiro. Todo cidadão tem responsabilidade sobre isso. Temos que buscar os mais diferentes espaços, no trabalho, apoiando as demais manifestações, é uma questão da sociedade brasileira.

– Existe alguma perspectiva de mudança positiva e efetiva nesse sentido?

Eu acredito que sim. Primeiro porque não se volta no caminho da história. A história pode oferecer reflexões para construir novas saídas. E hoje estamos nesse momento de buscar novas saídas. No caso da comunidade negra, ao mesmo tempo que temos uma grande mortalidade da juventude negra, temos também uma juventude negra criativa, que entrou muito por meio das ações afirmativas que eram demandas do movimento negro, desde 1940, quando foram determinadas essas demandas. Devemos valorizar isso. Demandas que com o correr dos anos, como o próprio sistema de cotas nas universidades.

Esse grupo mais jovem que hoje usufrui de uma das demandas do movimento negro vem com um pensamento muito afirmativo. Temos jovens que estão se formando e que serão os intelectuais do futuro que estarão na busca por essas demandas. Quando falamos de Djamila Ribeiro, não esquecemos Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro. A Djamila Ribeiro se coloca como aluna. Ela colhe dessa militância mais antiga, e amanhã os filhos e netos de Djamila que estarão aprofundando essas afirmativas e esse movimento. Então, acredito que sim, que cada vez mais que essas novas vozes e esses quadros que estão sendo formados agora. Não há como voltar atrás…

Tem um poema muito bonito de Márcio Barbosa, do Quilombhoje, que diz que ninguém detém a primavera. E o sentido é mais ou menos esse: apesar do sol escaldante, apesar da pobreza, ninguém detém a primavera.

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