Deborah Colker diz que neto de 3 anos foi discriminado em voo da Gol

Criança com doença genética foi abordada junto com a família por tripulação; voo atrasou uma hora e meia e só decolou após chegada de médico da Infraero e agente da PF

Família vai processar a empresa

RIO — A coreógrafa Deborah Colker e sua família passaram por momentos de constrangimento após o embarque em um voo da Gol na tarde desta segunda-feira. Quando voltavam de Salvador para o Rio de Janeiro, a tripulação da aeronave exigiu um atestado com especificações da doença de seu neto, de apenas três anos, que possui epidermólise bolhosa, uma doença genética não contagiosa. O avião decolou com uma hora e meia de atraso, somente após a chegada de um agente da Polícia Federal (PF) e de um médico da Infraero.

— A gente fez o check in e chegaram a perguntar qual era a doença dele. Dissemos que era uma doença genética, epidermólise bolhosa. Então, já no avião, com as portas fechadas, o comissário exigiu um atestado. Nós queríamos voltar para casa, mas fomos tratados de forma indelicada e grosseira. E o pior: na frente da criança — relata Deborah.

Segundo ela, a tripulação queria que sua família saísse do avião. Tentaram convencê-la a sair junto com o seu neto e sua filha, Clara, mãe da criança. Deborah diz que o menino já viajou para vários lugares de avião, inclusive para o exterior, e que nunca ocorreu algo parecido.

— Foi uma atitude preconceituosa, discriminatória. Um total despreparo. Depois de um tempo tentando nos tirar do avião o médico da Infraero chegou e perguntou: ‘Que doença é essa?’. Dissemos que era epidermólise bolhosa. Ele então confirmou para o comissário que a doença era essa e que não havia problema. Mesmo assim, ele exigiu o atestado. O médico então teve que fazer um atestado em um papel qualquer.

A família disse que vai processar a Gol. Deborah afirma que a ação “não é pelo dinheiro”, mas para que a companhia “saiba lidar com pessoas com doenças raras”.

— É uma doença cruel, esteticamente difícil de lidar por causa da aparência — diz ela sobre os ferimentos na pele da criança.
De acordo com o relato da artista, alguns passageiros ficaram indignados com a atitude da tripulação e começaram a filmar a abordagem. Quando os celulares registravam o momento, foi anunciado que era proibida a gravação.

— Fiquei muito triste. E é muito doloroso. Chegando de táxi em casa, o presidente da Gol me ligou pedindo desculpas. Aí eu pensei: e se eu não fosse uma pessoa conhecida? Receberia essa ligação?

Deborah e a família voltavam de Salvador, onde a coreógrafa fez três apresentações.
Em nota, a Gol diz que está apurando o ocorrido:

“A GOL preza pelo respeito aos clientes e as normas de segurança. Em relação ao voo G3 1556 (Salvador/BA – Rio de Janeiro / RJ), esclarece que está analisando o ocorrido e tomará as medidas cabíveis.

Atenciosamente,

GOL Linhas Aéreas Inteligentes”

Por: BRUNO GÓES

Fonte: O Globo

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