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Descendente de escrava e tutora do futuro marido: cinco curiosidades sobre a vida de Michelle Obama

Descendente de escrava e tutora do futuro marido: cinco curiosidades sobre a vida de Michelle Obama

Michelle LaVaughn Robinson Obama, mais conhecida como Michelle Obama, fez história nos Estados Unidos há oito anos, formando com Barack Obama o primeiro casal presidencial negro na história do país.

Por Patricia Sulbarán Lovera Do BBC

A primeira-dama, que recentemente foi alvo de racismo ao ser chamada de “macaca de salto alto” na internet por uma funcionária pública de uma pequeno condado americano, em um caso que teve grande repercussão no país, é socióloga e jurista, e dedicou-se, durante os dois mandatos de seu marido, a combater a obesidade infantil e a defender questões como a importância do exercício físico, além de ter trabalhado na promoção dos direitos das mulheres a nível internacional.

Nos últimos meses, ela participou ativamente na campanha presidencial de Hillary Clinton, dando discursos emocionados a favor da candidata democrata, que, no fim, perdeu a eleição para Donald Trump.

A poucas semanas do término do mandato de Obama, a primeira-dama tem um índice de popularidade de 64%, de acordo com o instituto de pesquisa Gallup, número maior do que o do atual presidente.

Alguns sugerem que a primeira-dama seria um excelente candidata à Presidência, embora ela negue qualquer desejo de comandar os Estados Unidos.

Veja abaixo alguns detalhes que você talvez não conhecia da vida e carreira de Michelle.

1. É descendente de uma escrava chamada Melvinia

Um estudo da árvore genealógica de Michelle Obama encomendado em 2009 pelo jornal The New York Times revelou seu parentesco com uma escrava da Carolina do Sul.

Ela se chamava Melvinia, pertencia a um proprietário de terras no sul do Estado, e foi enviada para a Geórgia quando ele morreu.

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Cerca de dois anos antes da Guerra Civil Americana (1861-1865), Melvinia ficou grávida de um homem branco e deu à luz Dolphus T. Shields, de quem descende Michelle Obama.

Embora a primeira-dama não tenha se referido especificamente ao passado de sua família, a luta contra o racismo foi um dos pontos focais de vários de seus discursos.

Durante sua fala na Convenção Democrata deste ano, Michelle causou comoção ao dizer que ela e suas filhas acordam todos os dias em “uma casa construída por escravos”, referindo-se à Casa Branca.

2. Foi vítima de racismo na Universidade de Princeton

Michelle tinha 17 anos quando se mudou de um apartamento em Chicago, onde vivia com seus pais, para o campus da Universidade de Princeton, em Nova Jersey.

Apesar de seus professores do ensino médio lhe dizerem que tinha “aspirações demais” por querer entrar na prestigiada instituição, a jovem desejava seguir os passos de seu irmão mais velho Craig, que se formou lá em 1983.

No entanto, os primeiros dias em Princeton não foram fáceis.

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A mãe branca de sua companheira de quarto pediu, sem sucesso, que mudassem sua filha de lugar porque Michelle era negra, conforme relatado por Peter Slevin, autor da biografia Michelle Obama: A Life.

“As minhas experiências em Princeton me fizeram muito mais conscientes do fato de ser negra”, escreveu na introdução de seu trabalho de conclusão.

“Não importa o quão liberal e aberto sejam os meus professores e colegas brancos nas suas relações comigo, às vezes me sinto como uma visitante no campus.”

Isso não impediu que se graduasse em Sociologia com especialização em estudos afro-americanos e, três anos mais tarde, em 1988, continuasse sua carreira acadêmica estudando Direito em Harvard.

3. Ela foi tutora de Barack Obama

Apesar de ser mais jovem do que ele, com 25 anos de idade, Michelle foi tutora de Barack Obama. Barack tinha 28 anos e fazia um estágio no escritório de advocacia de Chicago, onde ambos trabalhavam.

Obama ficaria lá apenas durante o verão e depois retornaria a Harvard, para continuar o curso de Direito.

Na metade do estágio, o futuro presidente dos Estados Unidos convidou Michelle para um encontro.

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“Foi fantástico (…) Ele foi definitivamente muito charmoso, e funcionou”, disse a futura primeira-dama em uma entrevista em 2004.

O casal veio de tipos diferentes de família. Ele nasceu no Havaí, foi criado apenas pela mãe e viveu por um tempo na Indonésia, enquanto Michelle era nativa da parte sul de Chicago e tinha crescido com ambos os pais.

O que os dois tinham em comum era a ambição acadêmica, que os levou a estudar nas universidades mais prestigiadas e caras do país antes de se casarem, em 1992.

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Os dois pediram empréstimos para pagar seus estudos e conseguiram quitá-los só uma década depois da graduação, disse o presidente em um discurso na Universidade da Carolina do Norte.

4. Foi contra a ideia do marido de concorrer à Presidência dos Estados Unidos

No começo, Michelle Obama se opôs a que seu marido se lançasse como candidato presidencial em 2008.

“A decisão foi repentina”, disse à revista Vanity Fair em 2007.

“Eu disse ‘você está brincando? Não vamos fazer isso agora (…) podemos levar as coisas com calma?'”.

A futura primeira-dama justificou sua posição lembrando como havia sido difícil quando Barack Obama, como senador de Illinois, viajava constantemente de Chicago a Washington.

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“Minha pergunta a ele foi: ‘vamos fazer algo difícil de novo, depois de ter feito algo muito duro?”, contou à revista.

Apesar de sua recente nomeação como vice-presidente do Centro Médico da Universidade de Chicago, o anúncio de seu marido como candidato à Presidência em fevereiro de 2007 mudou o cenário para ela.

“Barack nunca me pediu para deixar meu trabalho (…), mas como posso ir trabalhar todos os dias se estamos tentando realizar algo em que acredito?”, disse na época à revista.

5. Sua mãe também vive na Casa Branca

Marian Robinson, mãe de Michelle e secretária de banco aposentada, sempre manteve um perfil discreto e em raras ocasiões deu entrevistas.

Mas a avó de 79 anos é uma parte essencial da família presidencial norte-americana: ela também mora na Casa Branca.

Marian, cujo marido morreu de esclerose múltipla em 1991, se mudou para a residência oficial do presidente após Barack Obama ganhar a eleição em 2008.

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O objetivo, disse Michelle em várias entrevistas, era que a mãe a apoiasse na criação de suas filhas, Sasha e Malia.

Quando as meninas eram menores, a avó era responsável por deixá-las e buscá-las na escola ao lado de agentes do Serviço Secreto.

A vantagem de Robinson, conforme relatado pelo jornal The Washington Post, é que pode mover-se com mais liberdade por Washington, sem o forte aparato de segurança.

Em uma entrevista em 2009, Barack Obama disse que ela “simplesmente sai pela porta da Casa Branca e vai até à farmácia para fazer suas compras”.

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