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Dona Lô em: “A Temer o que é de Temer” – a origem das delegacias de mulheres

Fátima Oliveira

– Ô Dindinha, eu não sabia que o inventor da Delegacia da Mulher no Brasil foi Michel Temer, o vice de Dilma!
– No Brasil só, não! No mundo, Estela! “Cê” sabe que Delegacia da Mulher é uma invenção brasileira. E o criador foi o Temer. Vamos dar a Temer o que é de Temer!
– Ora, então ele é mesmo mais importante do que eu pensava. Assim sendo o perfil dele era o mais adequado, simbolicamente, dentro do PMDB, para ser o vice da primeira mulher presidenta do Brasil, não é?
– Bem possível. É bem possível Estela. Olhe eu não havia atentado para esse aspecto, mas de fato é interessante. E, sendo justa, é bom que resgatemos isso.
– …
– O que sei da historia é o seguinte: a primeira Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), nasceu com esse nome, em 1985, na cidade de São Paulo. Michel Temer era Secretário de Segurança de Franco Montoro (1916-1999), que governou São Paulo de 1983 a 1987. Ah, ele, o Temer, também criou o primeiro Centro de Atendimento à Mulher (vítima de violência doméstica) – um modelo de abrigo para essas mulheres, também na cidade de São Paulo.

– Ah, escreve um pouquinho sobre isso! Preciso falar sobre o assunto num artigo que estou escrevendo. Tenho de acabar antes de a gente ir pra Chapada do Arapari pros festejos do dia 8 de dezembro. Telefono pra senhora amanhã, tudo bem?
Na noite seguinte toca o telefone…
– E aí Dindinha, escreveu? Então lê rapidinho…
– Nas palavras do próprio Temer “Um grupo de mulheres do ABC paulista me procurou dizendo serem mal atendidas na delegacia. Pensei ‘por que eu não crio uma delegacia especializada no atendimento às mulheres? (…) A mulher chegava dizendo que apanhou do marido e o escrivão, homem, dizia: ‘a culpa provavelmente é sua’. A visão era machista (…) Logo depois de inaugurarmos a primeira delegacia, percebemos que a mulher não podia voltar para casa depois de fazer a denúncia, pois poderia ser agredida novamente. Então, determinei que fosse criado o primeiro Centro de Atendimento à Mulher”.
– Geeeeeeeente, que legal!
– No término do Governo Montoro, as Delegacias da Mulher (DM) já eram 13. Dalí começaram a aparecer pelo Brasil afora. Depois ganharam o mundo! Ainda, segundo Temer: “Acho que este sucesso todo se deve ao papel que o agente público deve ter, de sempre ouvir as demandas da população e dos movimentos organizados. Quando damos ouvidos aos anseios da sociedade, dificilmente, tomaremos medidas erradas”. É isso!
– Bem eu pensava que as DM’s, enquanto tal, teriam sido ideia do feminismo!
– Não deixa de ser. Havia muita pressão feminista naquela época, igualmente pela redemocratização do país. Mas não a proposta de uma Delegacia da Mulher, tal qual Temer apresentou! Ele a criou respondendo a uma demanda e pressão feministas, é fato! Mas quem gestou e pariu ideia, foi ele, sem dúvida! Foi a solução que apresentou para a demanda que caiu em seu colo.
– Interessante! Muito, meeeeeeeesmo! E o feminismo, como reagiu à novidade?
– Ah, você não imagina, pelo que conta gente que participou de tudo, o fuzuê que foi em São Paulo as conversas do Temer com o movimento feminista! Nada demais. Até bastante compreensível. Muita desconfiança. Era o novo chegando de modo inusitado! Mas também muitas esperanças. Era a época dos SOS-Mulher, projetos alternativos, e de algum modo pilotos, desenvolvidos pelo feminismo, em algumas cidades do Brasil, a exemplo de outros em diferentes partes do mundo, para apoio às mulheres que sofriam violência doméstica. Mas ao fim e ao cabo, a ideia original do Temer prevaleceu, deu certo. E é esse sucesso que vemos por toda parte e o mundo inteiro copia.
– Sei que as DM’s são importantíssimas, mas são poucas. Em setembro de 2010 eram 475. E pensar nesse Brasilzão – onde há 27 Estados e o Distrito Federal; e 5.565 municípios – e as DM’s não chegam a quinhentas, ainda temos muito barro pra amassar. Além do que há problemas no cotidiano da proposta…
– Claro que as DMs precisam de normatização que as padronizem. Não pode cada delegada querer mandar em sua semana. Isto é, fazer o seu serviço segundo pensa, à sua maneira. Mas o núcleo da ideia é maravilhoso. Pense na Lei Maria da Penha sem as Delegacias de Mulheres!
– Entendi, entendi!
– Mas há luz no fim do túnel. No último 13 de setembro o Ministério da Justiça determinou que haverá um padrão DM: a estrutura físicas dos locais e os procedimentos de atendimento terão de seguir as mesmas regras em todo o País. E já está valendo!
– Gracias, madrinha! Pedro quer falar com você. Ia esquecendo! Montei meu presépio de barro, pintado com tabatinga e tauá, feito em Barra, Bahia, pelos artesãos Elson Alves dos Santos, José Geraldo Machado da Silva e Marcelo Gomes da Silva. È pequeninho, mas é lindo! Fiz tudo certinho como tia Donana dizia: “O presépio é montado, sempre, quatro domingos antes do Natal!” Ah, e no dia da entronização do meu presépio fiz um chocolate e biscoito de nata com recheio de goiabada!
– Fez com nata ou com creme de leite?
– Fiz com a nata, a manteiga e a goiabada, Made in Fazenda da Matinha de Dona Lô!

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